inócuo

Inócuo é a palavra do dia nas suas metamorfose masculina e feminina. (Palavra masculina é feminina, mas relativa a homem – masculino; adjectivos inócuos.)

Inócuas são as palavras. Inócuas são as mortes e os nascimentos, os movimentos e os pensamentos. A guerra e paz são inócuas. Pessoas inócuas, mortais, venais. Religiões inócuas. Acres massacres inócuos. Sexo inócuo. Orgasmos inócuos. Inócuos agentes activos, reactivos, passivos. Ordem e desordem inócuas. Sentimentos, ilusões, confusões, multidões, mutilações inócuas. Alimentos inócuos.

O tempo não é inócuo. Assistir à passagem do tempo é inócuo. O tempo é.

no interior: “nada a temer”

Vinheta no interior do livro Nada da Temer de Julian Barnes publicado pela Quetzal.


A imagem é de uma Gadanha; instrumento associado à Morte.

no interior: “a companhia negra”

Vinheta existente no interior do livro A Companhia Negra editado pela Saída de Emergência.

Na edição inglesa que possuo temos a seguinte imagem

a ler “as crónicas da companhia negra”

Apesar de já ter comprado há algum tempo a versão original das três primeiras histórias d’ As Crónicas da Companhia Negra de Glen Cook num único volume (omnibus edition) que comecei a ler em 2018. A verdade é que parei de o fazer quando soube que os mesmos iriam ser editados pela editora Saída de Emergência.

Ontem reiniciei o mergulho na Companhia Negra.

Os momentos banais constituem a vida. Eis o que ela sabia sem som. ser fidedigno, e eis o que eu aprendi, em ultima analise, naqueles anos que passámos juntos. Nada de saltos nem de quedas. Inalo os pequenos pormenores chuviscantes do passado e sei quem sou. Aquilo que dantes não sabia é agora mais claro, filtrado pelo tempo, uma experiência que não pertence a mais ninguém, nem de perto nem de longe, a ninguém, seja a quem for, jamais. Fico a vê-la a usar o rolo antiborboto para arrancar os borbotos do casaco de fazenda. Define borboto, digo a mim mesmo. Define tempo, define espaço.
Zero K de Don DeLillo (página 111)

zero k de don delillo

Livro excepcional. Agradavelmente delirante. Maravilhosamente escrito.

Apesar de a ideia não ser original a forma como vai sendo destilada é uau. A história não deixa a indiferença a vaguear. Um livro que de destaca.

E uma das personagens, o narrador, tem uma dose saudável de obsessão.

Tradução: Paulo Faria

1.0 .1 – hypertext

Pois. Pois. Isto já estaria na boa a nível máximo. Andei a farmar este pet – Devilsaur – duas vezes.

Pois. Pois.

— A catástrofe é a nossa história de embalar.
Zero K de Don DeLillo (página 70)

rotinaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

A pandemia Covid-19 não mudou muito a minha rotina diária.

Regularmente vou trabalhar. E regresso a casa – sempre.

Contínuo a beber a minha primeira cerveja e a arrepender-me de a ter bebido. Bebo uma segunda cerveja e arrependo-me… novamente. É cíclico, quase doentio.

A contrição força-me a 40 minutos de exercício na bicicleta elíptica e enquanto isso vou pensando nas próximas cervejas.

Só noto uma pequena e ridícula diferença. Desde que ando na rua com máscara sinto que estou a ser assaltado.

a torre negra de stephen king

Roland Deschain e o seu ka-tet viajaram juntos e separadamente, espalhados por múltiplas camadas de mundos, inúmeros quandos e ondes. O destino de Roland, Susannah, Jake, do padre Callahan, Oy e Eddie prende-se com a própria Torre, que agora os puxa para mais perto de si, para fim de todos e novos inícios… e para um turbilhão de emoções, violência e descoberta.

Wook


— Longos dias e noites agradáveis, Nancy Deepneau.

A Torre Negra de Stephen King (página 528)

Final excelente para uma saga monumental e fenomenal. Realmente o final ideal, pois o Ka é uma roda.

A introdução do Artista como nova personagem, a atmosfera negra – tudo está bem balanceado, até a metaficção se aceita e compreende. (Nisto Rhys Hughes é o senhor.)

Uma saga que nunca desapontou. E que demorou uns três anos a ler – calmamente.

Tradução: Rosa Amorim