monsenhor quixote

— (…) Pode um homem viver sem fé?
— Não sei o que quer dizer «sem fé». Haverá sempre coisas que um homem pode fazer. A descoberta de nova fonte e energia. E doenças. Haverá sempre doenças a combater.
— Tem a certeza? A medicina está a dar grandes passadas. Tenho pena do seu trineto, Sancho. Parece-me que não terá de esperar por nada, senão pela morte.
(…)
— Só precisamos de dizer uma oração por uma pessoa que morreu.
— Portanto, di-la-ia por Estaline?
— Claro.
— E por Hitler?
— Existem graus para o mal, Sancho. E para o bem. Podemos fazer discriminações entre os vivos, mas não entre os mortos. Todos necessitam que rezemos por eles.

página 73 e 101

Graham Greene, Monselhor Quixote // título original: Monsignor Quixote // tradução: Maria Georgina Segurado // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Set. 1984

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