mãos limpas, mas vazias

19 Set
19.09.2006

O inferno já estava cheio e fora havia ainda uma longa fila de pessoas para entrar. O Diabo veio cá fora e proclamou:
— Há só um lugar livre e, como é lógico, deve ser para o maior pecador.
E começou a examinar os pecadores que estavam na fila. A certo momento viu um homem em quem não tinha reparado e perguntou-lhe:
— Tu o que é que fizeste?
— Nada. Eu sou um homem bom e estou aqui por engano.
— Certamente fizeste alguma coisa. Todos fazem alguma coisa.
O homem convencido disse:
— É verdade. Mas eu nunca me meti em nada. Vi como os homens perseguiam outros homens, como as crianças morriam de fome e eram vendidas como escravas, vi como os idosos eram marginalizados como se fossem lixo… mas eu resisti sempre à tentação dessas coisas sujas e nada fiz. Nada.
— Tens a certeza que viste isso tudo? E não fizeste nada?
— Vi tudo com os meus olhos.
O Diabo insistiu:
— E não fizeste nada?
— Não.
Então o diabo sorriu e disse:
— Entra meu amigo. Este lugar é para ti.

Almanaque das Missões // editora: Editorial L.I.A.M., Lisboa, 2005 // texto: página 17
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  1. […] especialmente para Ele. Ele nunca faz asneiras. Somos sempre nós que as cometemos. Quer seja por omissão, quer seja por acção ele irá sempre dizer: – “A estrada que seguias levou-te a uma […]

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