Archive for month: Novembro, 2006

É por isso que continuo a caminhar. Porque, como vêem, ser um vagabundo é o que há de mais próximo de ser um fantasma. Depois, como um autómato, continuei a caminhar tentando afastar do meu espírito o amargo conhecimento de que não tinha para onde ir…

Edmund Cooper, A Vinda do Futuro
título original: Tomorrow Came
tradução: Eurico da Fonseca
editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta n.º 477, Lisboa, Jun.1997
citação: páginas 144 e 158

a vinda do futuro

27 Nov
27.11.2006

Como num transe, caminhou pelas avenidas, misturando-se com a louca e infinda torrente de nova-iorquinos. Sob o transe, sem consciência da passagem do tempo, foi levado a uma intemporal peregrinação a parte alguma.

Neste livro estão reunidos os contos:

  • Welcome Home
  • Death Watch
  • The Piccadilly Interval
  • The Mouse That Roared
  • Nineteen Ninety-Four
  • When the Saucers Came
  • The First Martian
  • The Lizard of Woz
  • The Life and Death of Plunky Goo
  • Judgement Day
  • Vertical Hold
  • The Doomsday Story

Edmund Cooper, A Vinda do Futuro
título original: Tomorrow Came
tradução: Eurico da Fonseca
editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta n.º 477, Lisboa, Jun.1997
citação: página 118

jogamos mal….

21 Nov
21.11.2006

Quando um dos três “grandes” perde com uma equipa estatisticamente mais fraca foi por ter “jogado mal” e não pelo facto de a outra equipa ter jogado bem.

O milénio é uma criação da nossa cultura, uma data arbitrária inscrita na eternidade”. Porque o aborrecimento do nosso existir, “não permite os dramas de uma fértil imaginação apocalíptica

Paul Kurtz

pois…

13 Nov
13.11.2006

Deus sorri

à nos fautes les plus graves comme on sourit au jeu des petits chiens sur un tapis

Maurice Maeterlinck

haver há!

13 Nov
13.11.2006

há mulheres mesmo muito boas… mas que são de plástico.

O Padre Vittorio diz que alguns mortos estão felizes, e são aqueles que eram bons quando ainda estavam vivos, e então encontram-se num lugar chamado Paraíso, que deve ser estupendo porque é ali que vive Deus; pelo contrário, outros estão tristes e arrependidos, porque foram um pouco maus e só depois de mortos se aperceberam de que queriam ter sido bons, e estes encontram-se noutro lugar um pouco menos bonito chamado Purgatório e mais tarde talvez possam ir para o Paraíso, mas não se sabe… E há outros ainda que estão tristes mas não estão arrependidos, e estes caem nas chamas, numa fogueira gigantesca chamada Inferno.

Chiara Zocchi, Olga

Um lugar encantador para se ser enterrado, pois nada deve impedir que o encanto acompanhe um homem à sepultura.

Thomas Hardy, Um Par de Olhos Azuis

(…) o suicídio é ao mesmo tempo considerado um insulto a Deus que nos deu vida e à sociedade que tudo faz pelo bem-estar dos seus membros.

George Minois, História do Suicí­dio

maurice polydore-marie-bernard maeterlinck

12 Nov
12.11.2006

a vida das abelhas

Maurice Polydore-Marie-Bernard Maeterlinck [29.08.1862 (Gand) – 06.05.1949 (Nice)] autor dramático, poeta e filósofo ensaísta belga de língua francesa que em 1911 recebeu o prémio Nobel da Literatura.

O seu nascimento ocorre no seio de uma próspera família. Seu pai, Polydor Maeterlinck, era um notário reformado e sua mãe, Mathilde (Van den Bossche) Maeterlinck era a filha de um advogado influente. Maurice Maeterlinck frequentou o colégio jesuíta de Ste.-Barge e ficou interessado em poesia na sua juventude. A sua família não aceitava os seus devaneios com a poesia e foi obrigado a estudar direito para na Universidade de Ghent.
Depois da sua graduação continuou os seus estudos em Paris. Aí conheceu o poeta simbolista Stéphane Mallarmé e Villiers de l’Isle-Adam.
A sua colaboração em revistas “d’avant-garde” provocou a interrupção de sua carreira de advogado.

Em 1889, publica o seu primeiro livro de poemas intitulado “Les Cherres Chaudes”, e revela o seu gosto pela mistura de elementos decadentes e simbólicos. Cria uma atmosfera metafísica.
Esta atmosfera caracteriza toda a sua obra.
No mesmo ano produz, também, a sua primeira peça de teatro “La Princesse Maleine” que dá origem a um artigo entusiástico no Figaro por d’ Octave Mirbeau e o reconhecimento do público. As obras sucedem-se: “L’ Intruse” (1890), “Les Aveugles” (1890), “Pelléas et Mélisande” (1892), “Alladines et Palomides” (1894), “Intérieur” (1894), “La Mort de Tintagiles” (1894). Debussy utiliza a “Pelléas et Mélisande” como um libreto para a sua opera com o mesmo nome.

Em 1895 Maeterlinck conhece Georgette Leblanc, actriz e cantora de opera. Irmã de Maurice Leblanc criador do famoso cavalheiro criminoso Arsène Lupin. Apesar de não conseguir obter o divórcio de seu marido espanhol, vivem juntos os próximos 23 anos. Escreve para ela várias peças: “Aglavaine et Sélysette” (1896), “Ariane et Barbe-Bleue” (1901), “Monna Vanna” (1902).
Seguem-se “Soeur Béatrice” (1904), “Le Miracle de Saint-Antoine”(1904), “L’Oiseau Bleu”(1908), a sua peça mais famosa, colocada em cena inicialmente por Konstantin Stanislavski no Teatro de Arte de Moscovo, é uma alegoria fantástica desenvolvida como uma peça para crianças, que já foi traduzida em diversas línguas e adaptada também ao cinema – 1940 com Shirley Temple de Walter Lange e 1976 com Elisabeth Taylor, Jane Fonda de George Cukor. “L’Oiseau Bleu” retrata a história de duas crianças, filhas de um pobre lenhador, que adormecem após um desgostoso Natal – Mytyl e Tyltyl. Sonham com a fada Berylune que lhes pede para encontrarem a “ave que é azul”. Elas iniciam a sua viagem com um diamante que lhes permite ver as almas dos objectos que os rodeiam. Visitam a Terra da Memória. Na floresta são atacadas por animais e árvores mas o fiel cão salva a vida de Tyltyl. A jornada continua através do Palácio da Felicidade e do Reino do Futuro antes do regresso a casa para serem acordados pela mãe. A vizinha Berlingot (a fada Berylune) suplica à pequena ave de Tyltyl pelo seu filho moribundo e Tyltyl repara que a ave é azul e é aquela que estavam à procura. A criança recupera, mas a ave foge e a criança pede à audiência para a devolver.

o pássaro azul

Escreve “Marie Magdeleine” (1909) e outras peças de menor importância.
À medida que o seu interesse pelo teatro esmorece elas tornam-se cada vez mais raras.

Em 1896 Maeterlinck muda-se com Leblanc para Paris. Dedica-se à escrita de ensaios filosóficos e científicos de tendências metafísicas e metapsiquicas. Surgem, assim, “Le trésor des humbles” (1896), “La sagesse et la destinée” (1898). “La Vie des abeilles” (1901), que conheceu o sucesso no mundo inteiro, desenha analogias entre a actividade das abelhas e o comportamento humano. A apicultura foi um hobby desde a sua juventude.
Nesses ensaios afasta-se do negativismo de Schopenhaur para um optimismo mais moderado.
Segundo Maeterlinck é possível para o ser humano alterar o seu destino se assim o desejar. O ser humano é duplo: tanto vive uma existência interior como exterior.
Escreve “L’ Intelligence des fleurs” (1907), “L’ Hôte inconnu” (1917), “La Vie des termites” (1926), compara os sistemas totalitários com a vida das térmitas e, “La Vie des fourmis” (1930).

Durante a 1ª Grande Guerra Mundial defende a causa dos aliados na Europa e nos Estados Unidos. A sua relação com Leblanc termina e em 1919 casa com Renée Dahon, que tinha actuado na peça “L’Oiseau Bleu”. Vivem fora de Paris no Château de Médan, mas o inverno é passado numa villa perto de Nice apelidada Les Abeilles.

Na véspera da 2ª Grande Guerra Mundial vai para Portugal sobre a protecção de António Salazar e voa depois para os Estados Unidos. Os anos entre as guerras foram difíceis. Os seus trabalhos foram ignorados e não tinha a possibilidade de receber royalties das vendas dos seus livros na Europa. Em 1947 volta a Nice.

Publica em 1948 uma última obra de carácter biográfico, “Bulles bleues”.

Maeterlinck morre na sequência de um ataque de coração em 06.05.1949. Foi enterrado, de acordo com a visão do seu mundo agnóstico, sem cerimónias religiosas.


mais info em http://www.kirjasto.sci.fi/maeterli.htm

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