Archive for month: Fevereiro, 2008

os livros de vidro dos devoradores de sonhos

28 Fev
28.02.2008

– Que será do mundo quando um homem não obedecer aos seus superiores e se recusar a morrer quando lhe derem ordem para tal?


Gordon Dahlquist, Os Livros de Vidro dos Devoradores de Sonhos
título original: The Glass Books of the Dream Eaters
editor: Círculo de Leitores, Amadora, 2007
isbn: 978-972-42-4097-8
citação: página 318

fish iii

28 Fev
28.02.2008

a beautiful fish in my aquarium.

fish ii

28 Fev
28.02.2008

a beautiful fish in my aquarium.

fish i

28 Fev
28.02.2008

a beautiful fish in my aquarium.

heart

26 Fev
26.02.2008

a piece of “art” made with a clip.

cross

24 Fev
24.02.2008

detail of a celtic cross offered by a great friend.

jumper

24 Fev
24.02.2008

Davey: You live in a cave…
Griffin: It’s a lair.

from imdb

Quando Sir Paxo me falou deste filme lembrei-me do livro de Alfred Bester, Estrelas o Meu Destino[1], editado pelas PEA (colecção fc n.º 81).

“Quais são as novas fronteiras?”, gritaram os românticos quando a fronteira do espírito foi derrubada durante o dramático incidente que ocorreu num laboratório em Calisto, no início do século XXIV. Um investigador chamado Jaunte provocou acidentalmente um incêndio no seu atelier que rapidamente o envolveu, e começou a gritar por socorro, pedindo um extintor de incêndios. Ficou tão surpreendido como os seus colegas quando se viu junto do referido extintor que se encontrava a mais de 20 metros da sua mesa. (pág. 7 da edição das PEA)

Mas Jumper não tem nada a ver com a obra prima de Alfred Bester. É um filme divertido. Apresenta-nos uma história com bastantes possibilidades, mas sem sumo. Por isso o filme sabe a pouco. É-nos revelado apenas uns farrapos do enredo, talvez a pensar numa sequela.


[1] Esta obra foi inicialmente editada pela editora Livros do Brasil na colecção Argonauta, n.º 241, com o título Tigre. Tigre. Foi originalmente publicada em 1956 no Reino Unido como Tiger. Tiger., mas foi editada no ano seguinte – com ligeiras alterações – nos EUA, como The Stars My Destination.

Gully Foyle é o meu nome
E a terra é onde eu nasci.
Vivo no espaço exterior
E a morte é o meu destino.

(pág. 13, da edição das PEA)

(…)
Gully Foyle is my name
And Terra is my nation.
Deep space is my dwelling place,
The stars my destination.

Este poema não consta no livro da edição das PEA. O livro está, pois, amputado de uma parte importante. É uma edição medíocre de uma grande obra. A edição da “Vintage”, 1996 é uma edição completa e vale a pena adquirir para ler ou reler.

Sobre Aldred Bester já foi dito,

In many respects his work was a forerunner of Cyberpunk. He is one of the very few genre-SF writers to have bridged the chasm between the old and the New Wave, by becoming a legendary figure for both

– perhaps because in his SF imagery he conjured up, with bravura, both outer and inner space.
(Galen Strickland)

Mas por fim retiraram-se todos, para uma noite de insónias e preocupação, ou para se juntarem a um cúmplice a tecer maquinações. Houve turbilhões ocultos na noite. É lisonjeador saber que o meu bem estar estava na mente de todos. Alguns, claro, a favor dele, outros contra.

Roger Zelazny, O Sinal do Unicórnio
título original: Sign of the Unicorn
tradução: Elsa T. S. Vieira
editor: Livros do Brasil, Argonauta, n.º 546, Ago.2003
citação: página 171

livre-arbítrio

19 Fev
19.02.2008

Os baptizados são realizados em pessoas, em crianças, que não têm a possibilidade de dizer não ou sim. Não têm qualquer consciência das implicações do acto que lhes é imposto pela sua família.

A religião cristã defende que o homem é responsável pelas suas acções. Deus deu-lhe uma arma poderosa o livre-arbítrio. Ele não impõe a sua vontade nas nossas escolhas, no nosso caminho, na nossa estrada da vida. Como é que esta imposição baptismal é conciliada com o livre-arbítrio?

Este livre-arbítrio existe igualmente na estrada do amor.

Why is commitment such a big problem for a man? I think that for some reason when a man is driving down that freeway of love, the woman he’s with is like an exit, but he doesn’t want to get off there. He wants to keep driving. And the woman is like, “Look, gas, food, lodging, that’s our exit, that’s everything we need to be happy… Get off here, now.” But the man is focusing on sign underneath that says, “Next exit 27 miles,” and he thinks, “I can make it.” Sometimes he can, sometimes he can’t. Sometimes, the car ends up on the side of the road, hood up and smoke pouring out of the engine. He’s sitting on the curb all alone, “I guess I didn’t realize how many miles I was racking up.”

Jerry Seinfield

Mas, e sem descurar a importância do amor, quero é falar do primeiro livre-arbítrio, o concedido por Deus. Este livre-arbítrio é uma “coisa” muito boa, especialmente para Ele. Ele nunca faz asneiras. Somos sempre nós que as cometemos. Quer seja por omissão, quer seja por acção ele irá sempre dizer:
– “A estrada que seguias levou-te a uma encruzilhada. Havia o caminho da direita e o caminho da esquerda. A escolha foi tua, meu filho.”
– Sim, a escolha foi minha. E essa escolha que ditou todo o meu futuro ficava como todas as decisões “na encruzilhada do bom e do mau caminho”[1] e como sempre não basta “choose wisely”[2]. Faltou, falta, sempre, um pormenor, que como todos os pormenores é um pormenor de merda.
As guerras, os desastres, a fome, a miséria humana não são culpa de Deus. Dele nunca. São culpa nossa. Como filosofia é uma coisa espectacular. Como isenção de culpa é uma coisa ainda melhor. Sem esquecer que Ele até nos dá linhas orientadoras, um código de conduta, uma constituição moral, os 10 mandamentos.

Há filhos que se podem orgulhar de pais, mais ou menos, semelhantes a esta presença/ausência divina.

Há filhos que têm pais sentinela, não os vemos, não os cheiramos, mas eles estão lá para nos premiarem com uma bofetada por alguma acção “potencialmente” mal feita. Nunca sabemos a razão da marca gravada a quente na cara. O pai sentinela não informa. Faz-nos pensar. Faz-nos crescer. Magoa-nos.

Há, também, os pais faróis, firmes, hirtos, iluminam o nosso caminho – “i’m the light“, mas mudam de direcção com uma regularidade constante. São defensores do cinzento, do “nim” e estão lá para nos premiarem com uma iluminada bofetada por alguma acção que já pode ter sido boa, mas que já não o é. Nunca sabemos a verdadeira razão do ardor na cara. O pai farol não informa. Faz-nos pensar na volatilidade das nossas acções. Faz-nos crescer. Faz-nos políticos.

E, já agora, porque é que me estou a queixar? Sou ateu. Bem, sou mais agnóstico. Porque um agnóstico é um ateu politicamente correcto. E o meu pai é o meu Pai.


[1] Vinicius de Moraes, O terceiro filho
Em busca dos irmãos que tinham ido
Eu parti com pouco ouro e muita bênção
Sob o olhar dos pais aflitos.
Eu encontrei os meus irmãos
Que a ira do Senhor transformou em pedra
Mas ainda não encontrei o velho mendigo
Que ficava na encruzilhada do bom e do mau caminho
E que se parecia com Jesus de Nazaré…”

[2] Palavras ditas pelo Cavaleiro do Graal no filme Indiana Jones and the Last Crusade.

um régua

14 Fev
14.02.2008

Estava a obter numa folha de papel linhas paralelas quando reparei que a régua em uso com publicidade da empresa J.S. Araújo Serralharia, lda. – sem qualquer tipo de publicidade directa ou indirecta, mas afirmando que são todos bons rapazes – tem um telefone sem o indicativo e um código postal apenas com 4 dígitos.

Tendo em conta que os novos códigos postais com sete dígitos só começaram a ser usados em 1998, tal como o número de telefone visível na régua só entrou em vigor em 1999, posso concluir que a régua tem uma idade que oscila entre 9 e 10 anos.

Esta constatação fez-me pesquisar nas gavetas por outras relíquias.

Descubro uma linda caixa de disquetes 1.44 MB da Sony “for IBM PS/2PS/1 + compatible with DOS 3.3 & Up” de 2000.

Uma caixa com 8 anos e contendo, ainda, dentro uma disquete com uma cópia de segurança de 1997. Uma caixa encostada ao fundo da gaveta que tem passado despercebida estes anos todos. Na verdade, não é nada de especial, apenas é lixo com 8 anos enterrado numa gaveta.

Se, e apenas como exercício académico, extrapolar esta descoberta para a minha casa devo encontrar ainda mais relíquias, vulgo lixo. Contudo não me estou a ver a fazer isso por obrigação. Um dia que o faça será mais por acidente.

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