contos irónicos

06 Fev
06.02.2008

— Já não aguento mais — disse a rapariga subitamente —, já não aguento mais, é desumano o que exiges. Há homens que exigem coisas imorais de uma rapariga, mas o que tu exiges de mim é quase mais imoral de que as coisas que outros homens exigem de uma rapariga.
Murke suspirou.
— Meu Deus — disse. — Querida Rina, tenho de voltar a cortar tudo isto; sê sensata, sê boazinha, e silencia-me ainda pelo menos mais 5 minutos de fita.
(…)
— Ai, Rina — disse —, se tu soubesses o quanto me é precioso o teu silêncio. À noite, quando estou cansado, quando tenho de estar aqui sentado, passo o teu silêncio. Por favor, sê gentil e silencia-me só mais três minutos e poupa-me os cortes; bem sabes o que significa para mim cortar.

página 83

Heinrich Böll, Contos Irónicos // título original: Erzählungen // tradução: Veronika de Vasconcelos // editor: Europa-América, Livros de Bolso, n.º 346, 1983, Mem Martins

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