nem salivar?

18 Ago
18.08.2008

‘Mas que é isso. Não deitas nada ao chão, nem saliva’, disse a mãe, com o olhar de aprovação do marido, ao filho, que tinha acabado de atirar para o chão a embalagem de um rebuçado.

Isto é grave. Quando a um miúdo lhe é negada a possibilidade de cuspir é vota-lo ao ostracismo. Um bom português é exímio na arte da cuspidela, do bom arrotar. Coçar as bolas em andamento na via pública é outra arte secular muito portuguesa. Mas disto poderei falar noutra altura.

Os povos orientais podem ter o Kung Fu e o panda, mas nos temos o arrojar saliva com mestria. Sei de fonte segura que está em elaboração a FPBC – Federação Portuguesa do Bem Cuspir. Não sei é se o mundo está preparado para abraçar esta arte como desporto olímpico. Mais por medo de humilhação. Naturalmente.

Tenho a convicção de que apesar das modalidade tradicionais terem demonstrado neste Jogos Olímpicos atletas sem nenhuma arte na sua prática, mas imenso engenho nas desculpas, foi a égua histérica, foi a unha encravada, foi as saudades do gato, foi o não ter deixado comida aos peixes, foi o isto não ser para mim, foi o calor, foi o frio, foi a cama, foi a água fria, foi foi foi foi, isso nunca aconteceria no lançamento do cuspe livre. E se as houvesse, as desculpas claro, seriam ditas com classe, com elegância. Seriam tipo: os caracóis não estavam al dente, a cerveja estava quente, só bebo superbock e não cerveja lagarto, o ambiente é diferente da calçada da tasquinha da esquina, não tinha o buço da tia maria para me dar forças, entre outras que revelariam a pujança de um bom português.

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