Archive for month: Outubro, 2008

luminosas

31 Out
31.10.2008

Há palavras ou frases que quando ditas no adequado contexto expressam todos os nossos sentimentos de forma clara e cristalina. O exemplo máximo é o “foda-se“. Não o digo eu, mas Millôr Fernandes.

Andava o meu filhote na pré-escola quando me aparece a dizer “dah“, “tu és mesmo dah.”
Passados mais uns tempos era a expressão “tecla 3.”

À pouco tempo ouvi de um amigo: “Cortem-me os pulsos.“ Esta expressão traduz um espanto absoluto.

Não hajam, pois, dúvidas; a língua portuguesa é rica. Ou, talvez, sejam os “tugas” falantes bastante criativos ou, sejam, afinal isentos de imaginação.

os vigilantes do imaginário

23 Out
23.10.2008

Grandes tolas tentaram explicar o sentido da vida. A razão do viver. A força motora que nos faz existir. Foram escritos grandes tratados. Milhentas linhas discorreram sobre o viver, o nascer.

Finalmente alguém explica tudo. Estas palavras ditas de forma singela resumem o problema e fecham a discussão para sempre:

A vida é uma merda. E depois, morre-se. [1]


[1] página 104
Pat Cadigan, Os Vigilantes do Imaginário
Livros do Brasil,
Colecção Argonauta n.º 552

“sou homem: penso, sinto e ajo”

15 Out
15.10.2008

Os mais atentos têm seguido com atenção o inferno de António Balbino Caldeira. A sua vitória é a nossa vitória. António Balbino Caldeira mostrou, dolorosamente, que temos o direito de opinar.

Estas suas palavras não devem ficar esquecidas e como tal tomo a ousadia de as pedir “emprestadas”.

Sou homem: penso, sinto e ajo. Sou cristão: não acredito na vingança. E sou cidadão: livre. Nada de pessoal. Com base naquilo que foi publicado, escrevi sobre aquele que é o maior escândalo do pós-25 de Abril em Portugal: em defesa das crianças; dos denunciadores do Horror dos abusos de décadas sobre centenas de meninos órfãos e indefesos, numa instituição do Estado criada para os proteger; e dos corajosos investigadores da Polícia Judiciária e magistrados que ousaram resistir aos ataques do poder político.

Comento factos públicos: não acuso porque não sou do Ministério Público; nem julgo porque não sou juiz. Por isso, não imputo crimes a ninguém. Mas, como cidadão livre, posso opinar sobre os factos, não me sujeito a qualquer censura e não me vergo perante o poder, nem sequer em processos políticos. Tenho o direito à liberdade de expressar a minha opinião sobre factos e, até creio, a obrigação cívica de intervir politicamente.

Os meus sinceros parabéns.

parou

13 Out
13.10.2008

Hoje as funções corporais do meu corpo congelaram.
Estava no bar a trincar um pão com manteiga e a beber um copo de leite quando alguém muda de canal e sou invadido pelos sons das festividades de Fátima.

Congelei por um 1 segundo. Estou melhor, mas ainda sinto-me como que muito mal.

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