enfim

– Precisamos é de um cristal – sugeriu Piper. – De ver onde estão os demónios.
– Ou uma bola de cristal. Onde as guardam neste lugar?
– Deve haver uma. Venham lá.

O Portão de Ptolomeu, Jonathan Stroud,
editor: Editorial Presença, colecção Via Láctea
citação: página 386

Esta noticia do Público Online se for bem lida é como uma bola de cristal. Vejam algumas palavras interessantes a negrito:

O plano anti-crise do Governo marcou o debate quinzenal de hoje na Assembleia da República, com a oposição a classificá-lo de insuficiente e a esquerda a questionar os apoios à banca. O primeiro-ministro, José Sócrates, desvalorizou as críticas, acusando a oposição de sectarismo e demagogia, e salientou que o plano anti-crise do Governo “Investimento e Emprego” deverá apoiar cem mil portugueses.

É verdade, temos uma oposição insuficiente. Sim, o Governo desvaloriza as críticas. E eu podia continuar, assim, pela notícia toda, mas ia repetir-me. Por isso um resumo:

  1. governo apresenta medidas “boas”
  2. oposição afirma que as medidas são “más”
  3. governo afirma que são medidas “boas”
  4. oposição reafirma que as medidas são “más”
  5. governa reafirma que as medidas são “boas”
  6. oposição confirma a reafirmação de que as medidas são “más”

A conclusão é lógica. Em Portugal sabemos muito bem onde estão os demónios. E nem se escondem. Andam entre nós. Orgulhosos. Petulantes. Intocáveis. Dogmáticos.

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