Archive for month: Janeiro, 2009

inferno

30 Jan
30.01.2009

Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi,
quia per sanctam crucem tuam
redermisti mundum.
Christie sanguis, ave,
Celi sanctissime potus,
unda salutaris, crimina nostra lavans.

“Muitos e diversos são os obscuros horrores que infestam a terra desde a sua criação. Dormem debaixo da rocha inamovível; crescem com a árvore desde as suas raí­zes; agitam-se no mar e nas regiões subterrâneas; habitam nos redutos mais sagrados. Quando chega a sua hora saem do sepulcro de orgulhoso bronze ou da mais humilde cova de terra.”

1:08

12 Jan
12.01.2009

1º bitoque
Ontem à noite abri a porta do armário para me refastelar com uma taça de Kellogg’s All-Bran quando vi uma bolacha fora da embalagem. Órfã. Desaconchegada. Despida. Tive um momento de rara fraqueza e absorvi-a pondo fim à sua solidão. Reconheço que fui um fraco. Como o são aqueles fumadores que levam o cigarro até às suas últimas consequências. Mas em oito miseráveis lindos dias foi o único deslize. Perdoei-me logo ali e penitencio-me ainda agora disso.

2º bitoque
Acordei com sono e cansado. Deve ter sido do sonho. Sonhei que estava escondido num esconderijo subterrâneo, alvo de ataque por sei lá o quê ou quem. Senti a ameaça, mas nunca a vi. A merda do esconderijo não era nada bom, porque fui descoberto. E tive de fugir, juntamente com duas coisas boas, acho que eram boas, porque se não o fossem eu não fugia e lutava logo ali. Fugi para evitar danos colaterais, acho eu. E tive de fugir por um túnel escuro e apertado. E isso incomodou-me, porque fiquei em estado quase de acordado? e recriei o túnel colocando uma janela para o iluminar disfarçada com almofadas para a luz não me acordar. Nunca cheguei a entrar no túnel. Quando dou por mim estou a navegar num rio à procura das coisas boas e acordo com sono e nervoso. Com uma ligeiro incómodo na barriga característica única de nervosidade ou…

3º bitoque
Releio sempre um Zits na cama para relaxar.
Ontem a escolha, sempre, aleatória foi “Amuado, Aluado, Tatuado”. E enquanto lia as tiras das aventuras de Jeremy Duncan vinha-me ao pensamento os comportamentos do meu filho pré-adolescente. Que me fode a cabeça dia-sim-dia-sim. É um senhor. Um mestre na arte de me irritar. E ainda está na pré. quando estiver na adolescência como será? Terei em casa um “Zitsiano” ou algo pior. E azar dos azares não sei onde meti o livro de instruções do meu filho.

4º bitoque
Ontem, apesar de tudo, a minha casa esteve mais calma do que o habitual. Pude jogar um bocadinho de wow. Fiz umas quests em Icecrow. Outras em Scholar Basin. E como obtive um, aparentemente, melhor por staff causa do hit, quis melhorar a skill e fui deixar o hunter a bater no primeiro boss de Shadow Lab. Mas sem chave para entrar dei um salto a Sethekk Halls, matei o Talon King Ikiss. Fiquei, assim, com esse achivement e com o The Keymaster.

Eram para ser 8 bitoques. Fico-me pelos quatro.

o nevar em barcelos

10 Jan
10.01.2009

Por motivos de força maior, vulgo ameaças de abstenção sexual vejo-me obrigar a colocar um novo post sobre “o nevar em Barcelos“.

Ontem nevou em Barcelos.
Já não caía neve em Barcelos à mais de duas décadas.
Foi um acontecimento único que tive a oportunidade de viver em primeira mão e em segunda mão, porque até vi e senti a gelada e poética neve através dos olhos de crianças grandes e pequenas.

Que emoção. Ainda me sinto como que gelado ao pensar na manhã do “nevão”.

O histerismo A alegria das pessoas era altamente contagiante.
Tive até a oportunidade de tirar umas fotos no meu telemóvel 3G. São de parca qualidade porque a emoção era enorme. É por isso que as não a quero colocar coloco em tamanho reduzido. Até fiz um pequeno vídeo da ocasião. Fiquei muito feliz que até chorei quando levei com um bola de neve no pescoço. Foi muito stressante divertido partilhar este momento.

Espero que neve mais vezes, para que Barcelos possa albergar outros tipos de ursos, como o majestoso urso polar. Hoje vi pessoas que pareciam ursos pela forma como estavam em união com a neve. Uma simbiose perfeita de fazer inveja à pulga anémona.

Fiz até um pequeno poema de merda, mas cheio sinceridade.

Em Barcelos está a nevar
e eu todo feliz
mesmo com frio no nariz.

tão felizes que nós somos

09 Jan
9.01.2009

Muitas soluções complicadas são pensadas para eliminar ou reduzir o pessimismo dos portugueses. São psicólogos, políticos, se bem que estes não pensem muito, religiosos, não necessariamente padres, enólogos, economistas, juristas, jornalistas, professores, magarefes, futebolistas, treinadores, sociólogos, picheleiros, serventes, amantes, mulheres traídas, maridos de cabeça pesada, nerds, secretárias. E todos têm A solução para a crise que assola a mente dos portugueses.

Hoje assisto em Barcelos a uma alegria histérica elevada a 231%.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

É a frase do dia. É a frase do ano. É o grito do ipiranga barcelense contra o pessimismo e a recessão. De telemóveis 3G, 2G e sem Gs em punho, tal arma de arremesso contra grilhetas estupidificantes, são tiradas fotografias, feitos filmes que inundarão o youtube e os blogs pessoais. Vejo pessoas filhas-da-puta em perfeita comunhão com pessoas bué-de-fixes. Ainda não vejo leões com cordeiros, mas hoje não duvido de nada. Okay, também não vi testemunhas de Jeová em harmonia com católicos, mas vi coisas capazes de fazer tremer qualquer pessoa. A verdade é que também está muito frio. Pode ser disso. Ou não. Tenho as minhas dúvidas.

Não duvido é que basta nevar para tudo ser esquecido. Para as preocupações serem relegadas para sétimo lugar. Tantas teorias. Tanta sabedoria quando apenas um pequeno nevão aumentou animicamente o optimismo dos barcelenses. Agora basta estender a neve ao resto do nosso Portugal.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

Serão, então, ouvidos gritos de selvajaria únicos e em uníssono os portugueses ficarão optimistas até que a realidade os absorva novamente e se mentalizem, mais uma vez que o Benfica, não ganhará o campeonato de futebol, que os fritos ainda fazem mal, que o IVA ainda está a 20%, que o Pato Donald ainda não casou com a Margarida, que ainda não foi descoberta a velocidade da escuridão, que a gasolina continua cara, que clicar rapidamente no botão de chamada do elevador não o faz chegar mais rápido, que os juros não descem, que o super-homem é na verdade um herói de collants, que continuará a existir anedotas sobre loiras.

1:10

08 Jan
8.01.2009

A decisão foi tomada e no dia 04 iniciei mais uma vez uma demonstração impiedosa de expulsão temporária de activos corpóreos. Só espero que desta vez seja uma expulsão mesmo definitiva. Já estou no quinto dia de luta e devo dizer que não custa muito… Custa muito, mesmo muito. Custa como o caraças. Preferia ficar com os testículos presos no fecho das calças.

Contudo desta feita fiz uma aposta comigo mesmo. Se conseguir vou-me premiar com uma francesinha e uma verdadeira cerveja.

Quando falo em francesinha, não é no sentido carnal, apesar de ela ser recheada com carne, mas sim em sentido gastronómico. E já agora, ressalvando a publicidade, pois a indicação é feita de acordo com os meus apetites, indico em Barcelos uns locais onde ataquei uma francesinha:

  • No Lambreta Bar é onde tenho comido boas francesinhas. A batata vem sempre à parte. Molho é a pedido mas à discrição. E acima de tudo, temos verdadeiras cervejas para acompanhar.
  • No Brasileirinho III é-me servida uma francesinha bastante recheada. O melhor local. Batata à parte a pedido. Há Erdingers para saborear num bom ambiente familiar.
  • No My Place, francesinha saborosa. Foi pena, naturalmente, por distracção ter pedido batata à parte e isso não ter acontecido. Mas houve molho à discrição para compensar.
  • No Café Pelicano comi uma elegante francesinha. Ambiente recatado.
  • No La Fiamma, da primeira vez que me desloquei fui mimado com uma francesinha apetitosa. A melhor que comi até hoje em Barcelos. Na segunda deslocação foi-me apresentado um exemplar diferente. Terei de ir outra vez para tirar as teimas. Comigo há sempre três com duas; ou duas com três.
  • Na Cervejaria Banabóia petisquei uma agradável francesinha. Saliento é a qualidade das chamuças e só por isso vale a pena ir ao Banabóia.

acções

05 Jan
5.01.2009

– Não podes negar a beleza selvagem da destruição.
– Está a defender esta catástrofe?
A Régia encolheu os ombros
– Se a vida funcionasse perfeitamente, como é que as coisas po­diam evoluir? Não somos pós-humanos? As coisas crescem; as coisas morrem. A seu tempo, o cosmos matar-nos-á a todos. O cosmos não tem qualquer significado, e o seu vazio é absoluto. Isso é terror puro, mas também é liberdade pura. Apenas as nossas ambições e as nossas criações o podem preencher.
– E isso justifica as vossas acções?
– Nós agimos pela vida – disse a Régia. – As nossas ambições tornaram-se as leis naturais deste mundo.


informações

Shismatrix – O Mundo Pós-Humano, Bruce Sterling
título original: Shismatrix Plus
tradutor: Luís Santos
capa: Marta Rodrigues
editor: Editorial Presença, Colecção Viajantes no Tempo, 1º edição (jul.2003), pág. 447
isbn: 972-23-3044-6

o jogo final

02 Jan
2.01.2009

– Você perdeu peso.
– Um tipo de stress aumenta-nos o peso, outro reduz. Sou uma criatura de químicos.

directamente da página 277

Eu gostava de sofrer do stress que reduz o peso para continuar a comer sem stress.
Mas sou, como sempre, vítima, até na escolha das palavras, inocente de uma qualquer desconhecida circunstância.


informações
O Jogo Final, Orson Scott Card
título original: Ender’s Game
editor: Editorial Presença, Colecção Viajantes no Tempo, 1ª edição (jan.2003)
tradução: Luís Santos
capa: Ana Espadinha
isbn: 972-23-2973-1

boas entradas

01 Jan
1.01.2009

Respirei fundo e, sem pressas, dei meia-volta até à entrada e puxei a porta envidraçada por onde tinha passado; tal como eu esperava, não se abriu.

O Sentido Latente, Nuno Neves, Editorial Presença, página 193

Estamos em 2009. Urra. Mas, quantas vezes desejamos voltar ao passado. Contudo, como, não temos a opção CTRL+Z ou o botão reset só nos resta continuar a nossa marcha inexorável sempre em draft.

Daí que não consiga compreender o desejo “Uma boas entradas“. Sempre que me dizem isso fico um pouco apalermado em responder. Sofro, como que, um lag cerebral. Claro, que acabo por responder um “igualmente“. Mas começo sem demora a repensar se haverá alguma desconhecida aleatória transformação cósmica que ocorra ao passar da meia-noite que justifique umas “boas entradas”. Mas logo me relembro que a contagem do tempo e as suas diferenças horárias são um artifício humano e não cósmico. E o cosmos não deixa nada ao acaso. Se assim não fosse bastava ir em primeiro lugar à Austrália, passar de raspão pela África do Sul e acabar pela terceira vez o último dia do ano em Los Angeles ao arrepio de qualquer regra. Seriam três hipóteses de boas entradas.

O cosmos não brinca como nós brincamos com ele. Em que ficar, então?

Há uma simples resposta. Nós festejamos a entrada de um novo ano, não porque algo vai mudar, mesmo que dependente de circunstâncias fortuitas, mas, só e apenas, para enfardar comida e para emborcar bebida pela simples razão. porque sim.

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