Archive for month: Abril, 2009

ameaça virtual

29 Abr
29.04.2009

Eis a questão.
Todos os idiotas percorrem a sua vida pensando que são especiais.
É o conceito do solipsismo, em que suspeitamos que tudo gira à nossa volta e de mais ninguém. Será que nascemos com isso? Provavel­mente. Quando descobrimos a empatia, é suposto deixarmos esse con­ceito para trás, mas duvido que alguém o faça realmente. Os monges Zen passam a vida a tentar. Mas é difícil. Há sempre a possibilidade, por mais remota que seja, de não existir nada fora das nossas cabe­ças. De sermos a estrela do espectáculo. De todas as outras pessoas não passarem de personagens secundários. E, quando morremos, rudo deixa de existir.
– Depois de mim, o dilúvio – poderia ter dito Luís XV. Quando eu partir, acabou, por isso, para quê preocupar-me?


Ameaça Virtual, Nick Sagan
título original: Idlewild
editor: Editorial Presença, colecção Viajantes no Tempo, n.º 19
citação: página 175

railway ii

24 Abr
24.04.2009

railway ii

railway i

24 Abr
24.04.2009

railway i

os filhos de anansi

20 Abr
20.04.2009

O caixão era um objecto magnífico, talhado no que parecia ser ca­ríssimo aço reforçado industrial, cinzento-metalizado. Em caso de glo­riosa ressurreição, pensou o Charlie Gordo, quando Gabriel fizesse soar a sua poderosa trombeta e os mortos se libertassem das sepulturas, o pai ia ficar encalhado na cova, a bater inutilmente na tampa do cai­xão, e desejando ter sido enterrado com um pé de cabra ou, melhor ainda, um maçarico de oxiacetileno.

Neil Gaiman combina magia, mitologia, folclore africano, humor, muito e bom humor para nos dar em “Os Filhos de Anansi” uma história muito bem contada.

Já Good Omens, em parceria Pratchett, permitia boas gargalhadas. Em Neverwhere “vivemos” numa segunda Londres mágica e subterrânea com uma ordem diferente, mas perfeitamente ligada à Londres de cima.

Os Filhos de Anansi (Anansi Boys) é sem sombra de dúvidas um livro a recomendar, bem como qualquer outro livro de Neil Gaiman. Ele sabe contar histórias. Sabe criar realidades paralelas muito convincentes.


Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman
Editorial Presença
Colecção Via Láctea, n.º 43, página 33

forte vs gordo

17 Abr
17.04.2009

A caminho de casa e ao passar junto a camiões carregados com carrosséis para as próximas Festas das Cruzes a minha mulher diz à nossa filha:
– Já viste Margarida os camiões com os carrosséis para depois tu brincares?
– Mas eu tenho medo. E sem demora diz em tom trocista: – Não tenho não. Pai, tu podes ir comigo, não podes?
– Claro que posso ir Margarida.
– Mas tu és gordo. Olho para ela com uma cara de estupefacção e ela returca:
– Poooisss tu és forteeee. Gordo é o Sérgio Go’dinho.

Claro que dei boas e valentes gargalhadas.

remanescente

16 Abr
16.04.2009

Porque estava eu tão obcecado com a morte deste homem que ­nunca conhecera? Não parei para interrogar-me sobre isso. Claro que eu sabia que tínhamos coisas em comum. Ele fora atingido por uma coisa, ferido, atirado ao chão e perdera a consciência – eu também. Ambos passáramos para uma zona de escuridão total, silêncio, vazio, sem memória e sem previsões, um local fora do alcance de qualquer tipo de estímulo.
(…)
No entanto, reduzir todo o meu fascínio por ele à experiência que partilháramos seria contar apenas metade da história. Menos de meta­de. A verdade é que, para mim, este homem tornara-se um símbolo de perfeição. Podia ter sido desajeitado ao cair da bicicleta, mas ao morrer sobre o alcatrão, ao lado dos postes, ele fizera o que eu teria desejado fazer: fundira-se com o espaço em seu redor, mergulhara e escorrera para dentro dele até já não haver distância entre ambos – e fundir-se, também, com as suas acções, fundir-se ao ponto de já não ter consciên­cia delas. Deixara de estar separado, removido, imperfeito. Eliminara o desvio. Então, tanto a mente como as acções transformaram-se em pura estase. O ponto em que isto acontecera era o grau zero da perfeição – de toda a perfeição, aquela que ele conseguira atingir, aquela que eu desejava, aquela que qualquer outra pessoa desejava mas simplesmente não tinha noção de desejar e em qualquer caso não tinha oito milhões e meio para a perseguir, mesmo que tivesse noção dela. Por isso precisava de reconstituir a sua morte: por mim, sem dúvida, mas também pelo mundo em geral. Ninguém que compreendesse isto poderia acusar-me de não ser generoso.

Terminei a leitura da obra “Remanescente”. É um livro único não só pela espectacular história, mas também pela enorme e infindável riqueza dos pormenores. É fascinante assistir às reconstituições/duplicações de lembranças e acontecimentos criadas pelo protagonista.


Remanescente, Tom McCarthy
título original: Remainder
editor: Editorial Estampa, Colecção Promoteu, n.º 31, pág. 155

tree

12 Abr
12.04.2009

Uma árvore a comer? um candeeiro.
Algo estranho?

roulotte

10 Abr
10.04.2009

Roulotte plantada em Barcelos.

walls

08 Abr
8.04.2009

walls

one foot

06 Abr
6.04.2009

Fotografia tirada via vidro no tecto do Motel Horly após um extenuante combate.

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