Archive for month: Maio, 2009

polícias e ladrões

30 Mai
30.05.2009

Lembra-te que obrigam constantemente os membros do oposto a trabalhar por elas. Não há nada a dizer contra a sua intromissão nos negócios, desde que as suas emoções ou os seus cabelos não sejam minimamente cortados. Nesse momento, há necessidade de lhes oferecer um imbecil qualquer, que arqueje ao respirar e use bigode loiro, com o aditamento de desejar cinco filhos e oferecer uma casa pré-fabricada a prestações(…)

“Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, n.º 662, página 64

William Sydney Porter, mas conhecido por O. Henry é um escritor norte-americano de contos inteligentes e com finais inesperados. Com mais de 600 contos publicados O. Henry (1862-1910) teve uma vida turbulenta. Morreu a 05.06.1910 com 52 anos vítima de cirrose.

O livro que li (“Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, n.º 662) tem alguns dos seus melhores contos

  • A Retrieved Reformation (Reforma Adiada)
  • The Ransom of Red Chief (O Resgate)

e outros que são uma autêntica paródia a dois grandes detectives de papel: Monsieur Lecoq [1] e Sherlock Holmes. As suas personagens são respectivamente Tictoq e Shamrock Jolmes.
Em “Tictoq, O Grande Detective Francês” o grande detective é encarregado de descobrir o paradeiro de umas peúgas.

(…)desmascarei-o e privei-o das peúgas que calçava. Aqui as têm.
Com um gesto dramático, deposita em cima da mesa um par de peúgas consideravelmente usadas e cruza os braços sobre o peito, inclinando a cabeça para trás.

págs 108 e 109, “Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, 662

N’ “As Aventuras de Shamrock Jolnes” temos autênticas deduções que fariam corar o verdadeiro mestre das deduções. Apesar de ter lido o livro em português coloco o texto respectivo em inglês, pois não consegui colocar o OCR a funcionar e não sendo muito texto para escrever é imensa a preguiça que sinto.

“Good morning, Whatsup,” he said, without turning his head. “I’m glad to notice that you’ve had your house fitted up with electric lights at last.”

“Will you please tell me,” I said, in surprise, “how you knew that? I am sure that I never mentioned the fact to any one, and the wiring was a rush order not completed until this morning.”

“Nothing easier,” said Jolnes, genially. “As you came in I caught the odor of the cigar you are smoking. I know an expensive cigar; and I know that not more than three men in New York can afford to smoke cigars and pay gas bills too at the present time. That was an easy one.

págs 108 e 109, “Polícias e Ladrões”, Colecção Vampiro, 662

Sem negar a qualidade dos 2 contos referidos no topo deste registo e de outros que fazem parte da edição Livros do Brasil o que me surpreendeu foi “Hearts and Hands” (Mãos e Corações). Quem desejar pode ler a história completa aqui. (apenas em inglês)


informações
[1] Inspirado em Vidocq [2], que é considerado um dos primeiros grandes investigadores modernos. É-lhe apontado ter introduzido na investigação criminal a manutenção de registos, criminologia e a balística. Foi o primeiro investigador a fazer um molde em gesso de uma pegada de sapatos. Gérard Depardieu em 2001 num filme realizado por Pitof personifica Vidocq.
[2] C. Auguste Dupin, criação de Edgar Allan Poe, é considerado o primeiro detective da literatura. Teve a sua estreia “Os Crimes da Rua Morge” (1841). Dupin inspirou outras grandes criações como Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Na primeira história de Holmes (“Um Estudo em Vermelho” (1887)), o Doutor Watson compara Holmes a Dupin. Este sente-se ofendido e ataca as capacidades de Lupin e de Lecoq.
You remind me of Edgar Allen Poe’s Dupin. I had no idea that such individuals did exist outside of stories.”
Sherlock Holmes rose and lit his pipe. “No doubt you think that you are complimenting me in comparing me to Dupin,” he observed. “Now, in my opinion, Dupin was a very inferior fellow. That trick of his of breaking in on his friends’ thoughts with an apropos remark after a quarter of an hour’s silence is really very showy and superficial.[3] He had some analytical genius, no doubt; but he was by no means such a phenomenon as Poe appeared to imagine.”
“Have you read Gaboriau’s works?” I asked. “Does Lecoq come up to your idea of a detective?”
Sherlock Holmes sniffed sardonically. “Lecoq was a miserable bungler,” he said, in an angry voice; “he had only one thing to recommend him, and that was his energy. That book made me positively ill. The question was how to identify an unknown prisoner. I could have done it in twenty-four hours. Lecoq took six months or so. It might be made a text-book for detectives to teach them what to avoid.” 
[4]
[3] Em português o conto de Poe aqui referido (“Os Crimes da Rua Morge”) pode ser lido no n.º 279, pág. 13 (1981) da colecção Livros de Bolso das Publicações Europa-América.
[4] Este texto pode ser lido português no primeiro volume (pág. 30) da colecção “Aventuras de Sherlock Holmes”, editado pelo Círculo de Leitores (1982)

letters on the wall

22 Mai
22.05.2009

barcelos your charms … are unique.

o mistério do chapéu romano

17 Mai
17.05.2009

– Também apanhaste um susto, Ellery?
Ellery, contudo, estava sério.
– Aquela mulher arrepia-me – disse, estremecendo. – Susto é uma palavra demasiada leve.

Ouvi e vi partes da entrevista de Manuela Ferreira Leite e nem sei o que dizer.

Não sou um animal muito político e muito menos partidário. Gosto, isso sim, de ouvir uma boa ideia quer seja da esquerda, quer seja da direita, quer seja do centro ou até do oeste.

Mas, neste caso não ouvi nem boas, nem más ideias e é por isso que só hoje me decidi a escrever este pequeno nada porque me passou o susto.


O Mistério do Chapéu Romano, Ellery Queen
título original: The Roman Hat Mystery
editor: Livros do Brasil, Colecção Vampiro n.º 667
citação: pág. 230

as vitórias da lógica

14 Mai
14.05.2009

A braseira apagara-se quase. Eu fitava olhos vagos na lívida e mesquinha chama, que uma acha, quase totalmente consumida, expectorava com intermitências prolongadas. Mentalmente, comparava aquela chama ao olhar de um moribundo, que ora se acende com débil luz da Saudade, ora se apaga com a sombria resignação dos vencidos.

directamente da página 89

Deste Sherlock Holmes em português nem sei o que dizer. Não nego o prazer que foi ler novas aventuras de Sherlock Holmes apesar de não escritas por Conan Doyle, mas no fim fiquei com uma sensação de, digamos, “boca seca”.


As Vitórias da Lógica, Gustaf Adolf Bergström
Livros do Brasil, Colecção Vampiro (n.º 658), Lisboa, 2002

folding & crunching

14 Mai
14.05.2009

Desde 03.04.1999, com o seti@home, que utilizo os meus computadores em projectos de computação distribuída, mas como “perdi” o login e o email da minha conta seti@home inicial vi-me obrigado a criar uma nova conta em 2002.

UPdate, os meus projectos

velhas e novas aventuras

12 Mai
12.05.2009

– Esperem – disse eu. – Penso que acaba de desmaiar.
– Disparate – berrou Wolfe. – As mulheres não desmaiam.
Já tinha ouvido essa antes. A sua base não era médica, antes pessoal; ele está convencido de que, a não ser que tenha uma boa razão, tal como ser agredida com um taco, qualquer mulher que desmaia está só a representar, um subtítulo do seu princípio fundamental de que todas as mulheres estão sempre a representar.[1]

directamente da página 184

Desta feita dediquei-me a ler três aventuras com Nero Wolfe (Trindade Homicida). Foi um livro, apesar da mediania das três histórias, agradável de ler. Para mim é sempre divertido sentir a vida de Nero Wolfe.

Actualmente tenho na mão um pastiche de Sherlock Holmes – As Vitórias da Lógica (1910) – escrito por Gustaf Adolf Bergström. Bergström é o primeiro escritor em Portugal a acrescentar novas aventuras ao universo do ímpar Holmes.

Deve ser uma leitura interessante tendo em conta que até agora só tinha lido a obra “Sherlock Holmes contra Jack o Estripador” de Ellery Queen pelas Edições 70, na colecção Alibi, n.º 1 (1983).


informações
Trindade Homicida, Rex Stout
título original: Homicide Trinity
editor: Livros do Brasil, Colecção Vampiro, Lisboa, 2000, n.º 641, 256 páginas
citação: página 184 [1]
isbn: 972-38-1832-9

a verdadeira invasão dos marcianos

10 Mai
10.05.2009

– Pronto? Agora fecha os olhos, descontrai-te, isto não vai demorar nada…

Não gostei desta obra. E com isso não quer dizer que a detestei.

O que me custa, verdadeiramente, é aceitar que são apenas 160 páginas de fc pura. Isto não se faz. Ponto final.


João Barreiros, A verdadeira Invasão dos Marcianos
editor: Editorial Presença, Colecção “Viajantes no Tempo”, n.º 16, 2004
citação: página 110

os promenores

06 Mai
6.05.2009

Quando os pormenores originam mais de 150 palavras.[1]

A minha tentativa de agrafar duas folhas de papel foi um fracasso. Não pela falta de agrafos, mas pela impetuosa decisão do meu indicador se interpor entre as folhas e o viperino agrafo.

Amaldiçoei o inanimado agrafo e fui à casa de banho refrescar a ferida com água corrente. Limpei as mãos com um papel de limpeza de mãos e a pedido da água fresca a bexiga pediu o seu esvaziamento. Atirei com extrema diligência a folha para o interior da sanita e vi-a flutuar. Peguei no meu falo e disparei

chegado aqui reparei no facto

  • daquele som ruidoso da urina estar alegremente abafado
  • os pingos saudavelmente amarelos não se erguiam assustadoramente

e lembrei-me que poderia ser um técnica válida para enganar o sono mais que leve da minha cônjuge quando a teimosia do comando da televisão fizer com que a noite na sala de estar se arraste para horas pouco recomendáveis a um bonus pater familiae e for necessária uma deslocação à casa-de-banho. Sem esquecer que posso cronometrar o tempo que demora a total submersão do papel através da movimentação cuidada da minha mangueira fálica.


[1] podia ser sem sombra de dúvida o título de dum capítulo de uma qualquer obra de Walter Scott.

dead auto

05 Mai
5.05.2009

carro completamente despedaçado.

flower n.06

05 Mai
5.05.2009

another beautiful flower.

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