Archive for month: Setembro, 2009

bolachas maria

30 Set
30.09.2009

Que me perdoe Umberto Eco, mas não consigo digerir o seu livro “A Ilha do Dia Antes”. É culpa minha eu sei, mas devo dizer que tentei por diversas vezes avançar uma página e outra página e mais outra, sem resultado. Não me sinto tão culpado se não me esquecer que adorei ler “O Nome da Rosa” e “O Pêndulo de Foucault”.

Agora falo assim porque finalmente compreendi tudo do meu corpo. Estudo-o dia após dia, sei o que se passa nele, salvo que não posso intervir, as células já não me obedecem. Morro porque convenci as minhas células de que não há regras, e de que de cada texto se pode fazer o que se quiser.

O Pêndulo de Foucault, ed. Círculo Leitores, 1990, pág. 497

Mas será que, afinal, ando temporariamente sem paciência para este tipo de literatura ou é algo de definitivo? Este pensamento já me tinha vindo à mente quando escrevi o post a diaba. Na altura pensei, como é que tive paciência para ler isto? O isto é o “Doutor Fausto” de Thomas Mann. Ao seu lado está encostada a Divina Comédia de Dante, traduzida por Vasco Graça Moura, em edição cuidada do Círculo de Leitores (1998). Como consegui continuar a sua leitura depois de

No meio do caminho em nossa vida,
eu me encontrei por uma selva escura
porque a direita via era perdida.

ainda está por explicar ou tem duas simples explicações:

– não fui obrigado a ler Dante, como o fui, por exemplo, a ler Luís de Camões ou Eça. Fraca explicação porque adorei de tal maneira Eça que depois d’ “Os Mais” “papei” tudo que era de Eça;

– sou saudavelmente fascinado por ambientes góticos – ver inclusive a minha tatoo – e o inferno é na sua essência algo de dark. Esclareço que posso ser, sem grande esforço, um gótico hedonista – o prazer é bom e deve ser perseguido pelo homem; também posso ser um gótico niilista, mas aqui a culpa é desse Nietzsche e da falsa moral cristã que me quiseram impor a ferro-e-fogo. Posso ter perdido os valores de Deus, mas não perdi o sentido da moral. “Deus está morto!” e serviu um doce propósito, ser superado.

São explicações pobres. São, contudo, as que entendo existir, e como não desejei mais continuar a sofrer mandei-me de cabeça, feito tolo, ao livro “A Viagem De Théo” de Catherine Clément.

Assim, ontem ou antes de ontem, ou mais tarde, não me lembro, estava então a ler “A Viagem De Théo” quando fui bafejado por uma chávena de cevada e 6 parcas bolachas Maria entregues pela minha mulher – não digo esposa porque o meu professor de português castigou-me no 10º ano, a propósito de sei lá o quê, dizendo que esposa (sponsa, lat.) significa a prometida, aquela que assumiu um compromisso, enfim, coisas.

Com prazer imerso até metade duas bolachas na cálida cevada e essa metade despega-se e cai dentro da chávena. Não desistindo afundo de uma só vez as 4 bolachas restantes e consigo sem problema leva-las à boca. Continuo a saga mergulhando, mas sempre até metade, as 4 meias bolachas e pumba na boca novamente. Decidido a testar mais arduamente a minha experiência saco de um pacote de bolachas Maria.

Constatei, sem qualquer dúvida, não só que se deve mergulhar sempre 4 bolachas Maria na cevada quente para que estas não se partam, mas também que um pacote inteiro de bolachas Maria sabe muito melhor do que 6 bolachas Maria.

batalha naval

27 Set
27.09.2009

boletim de voto

Fui votar. Acompanhou-me a minha filha. Perguntou-me o que estava ali a fazer; no solitário biombo de voto.
– Uma cruz. Estou a fazer uma cruz. Grunhi-lhe enquanto ela me tentava rapinar a caneta.
– Uma cruz?
– Estás a ver aquele jogo que o pai joga às vezes com o “mani”. Em que dizemos acertas-te num submarino, num porta-aviões, água. É quase a mesma coisa, filha, mas aqui a cruz dá sempre água, porque já estamos afundados hà muito tempo.

Claro que continuou sem perceber. Mas eu percebi-me.


Pintura de Louis-Philippe Crépin (1772–1851) intitulada “The Redoutable at the battle of Trafalgar”

vários i

26 Set
26.09.2009

vários I

Hoje ataquei mais umas prateleiras na casa dos meus pais e nos armários da minha casa. Sempre com o objectivo de uma ordenação bedêfila e não só. E descobri uma coisa do arco-da-velha:
uma encadernação identificada na lombada com os dizeres “Vários I” composta por páginas retiradas/rasgadas dos suplementos do jornal Público, El País e do Jornal de Notícias.

1. Do Público são diversas páginas de banda desenhada com o título “Histórias de Amor” desenhados por Miguel. São histórias com um humor, por vezes agri-doce, simplesmente delicioso. Investiguei, mas não descobri informações sobre o desenhador. As histórias datam de 1992-1993 e foram publicadas no suplemento Público Magazine.

histórias de amor

histórias de amor

2. Do jornal El País são cartoons de Mordillo, que dispensa apresentações; desenhos de de Carlos Romeu Muller (n. 1948 em Barcelona. Iniciou a sua carreira em 1971. Colabora regularmente com “El País” e com a revista “Muy Interesante”) intitulados “Historias de Miguelito” e “500 Años No Es Nada”.

urbano fobia

3. Do jornal ????? são cartoons intitulados “Blanca y Marta” por B&N. Não encontrei informações sobre o(s) autor(es).

4. Do Jornal de Notícias, no seu suplemento Notícias Magazine, são cartoons de Pedro Castro com o título Urbano Fobia; estes retratam de uma forma contundente os problemas políticos e sociais de 1992-1993, ainda, e infelizmente, muito actuais.

Falava-se da regionalização, do Tratado de Maastricht, das super-esquadras, do Alqueva, da Via do Infante, da burocracia e do célebre diploma da “vírgula”.

E já que o verso das páginas dos cartoons contêm alguma informação histórica(?) convém recordar que foi em 1993 que Luciano Benetton exibia-se nu num cartaz da sua marca com os dizeres “Quero a minha roupa”; na Sic tínhamos a novela “A Viúva do Enforcado”; foi, também, em 1993 que a marca de bolachas Maria Vieira de Castro ganhou nova embalagem.

rastilhos

26 Set
26.09.2009
  • Só há dois motivos indesculpáveis para uma pessoa ser desconfiada: a ignorância e a maldade.
  • Só ontem percebi a fobia com a gripe H1N1v quando um familiar não me cumprimentou como medida profiláctica. E analisando de lado, por linhas laterais, vejo o meu filho com um spray desinfectante na pasta da escola. Ao que isto chegou.
  • A minha filha recusou-se a beijar as minhas lindas bochechas porque a “babara” pica. Ao que isto chegou. Fui obrigado a desfazer uma linda e colorida barba. Claro, que virei-me para o câmara do telemóvel e registei para a posteridade a minha “babara
  • o McDonald’s abriu em Barcelos. E foi um acontecimento social, gastronómico e cultural único nesta aldeia com muitas casas. Houve esperas de mais de 30 minutos para um hambúrguer. O MacDrive exibia uma fila assustadora. Sei que não devia brincar com a fome de pessoas que se pouparam durante 7 dias, pela não ingestão de comida, para este evento . Por favor(!) o que abriu foi mais um McDonald’s.
  • As razões para alguém fazer uma tatuagem devem ser diversas.
    Eu desde que vi no excelente e espectacular Highlander os Watchers com uma marca (era gravada a fogo, mas isso fogo!) nos pulsos fiquei fascinado.
    Após mais de 20 anos ganhei coragem e fiz uma tatuagem no pulso direito.Já passaram cerca de 5 anos desde essa altura de grande coragem e/ou estupidez; é chegado, talvez, o momento de fazer outra. Afinal esta não doeu nada? A dor é tão, mas tão subjectiva; ou doeu e abafei a dor subjectiva no lugar mais escuro da minha mente para dar a ideia de que sou um gajo com uma coragem do caraças.

a diaba

25 Set
25.09.2009

Ontem a minha filha irrompeu pelo escritório enquanto atendia um cliente e amigo. Atirou-me um beijo e seguiu para casa com a mãe.
O Hugo lá me perguntou se ela ainda tinha as pilhas carregadas. Embasbaquei porque não soube o que lhe responder. Acabei por dizer que era uma autêntica diaba. Uma linda diaba, convenhamos. Uma marota. Um amor. Um desastre ambulante. A causa da família não ir comer fora como habitualmente. Nunca sabemos como vai correr. A razão dos meus cabelos brancos. Do meu aumento de peso – okay esta é demasiado forçada. Umas vezes adormece às 21.00, outras às 01.00. É uma incógnita perfeita e absoluta. Terminei dizendo que não há palavras para descrever o amor que ela é. O “terror” que ela é.

Pela noitinha ao passear pelo corredor reparei no Doutor Fausto de Thomas Mann e recordei-me da conversa e da impossibilidade em descrever por palavras o comportamento da minha filha.
Aventurei-me de seguida a procurar o “amoroso” diálogo de Adrian Leverküh (Fausto) com ELE [diabo].

(…) Informai-me! Como é que se vive na casa do Cão-Tinhoso? Que destino terá na espelunca aquele que se congraçou convosco?
ELE (dando uma gargalhada aguda, cascateante) (…) no fundo, não é fácil falar acerca disso, quer dizer, na verdade, não se pode falar disso de maneira nenhuma, porque o essencial não se ajusta inteiramente às palavras. A gente pode empregar e fabricar muitas palavras, mas todas elas são apenas substitutos; fazem as vezes de nomes que não existem, não lhes cabe pretender designar o que é totalmente impossível de definir e qualificar por meio de palavras. A volúpia secreta, a segurança do Inferno, consiste precisamente no facto de eler ser indefenível e conservar-se impenetrável às tentativas da língua; consiste no facto de ele se limitar a existir, sem que seja possível denunciá-lo aos jornais (…) Denominações tais como «subterrâneo», «cave», «muros espessos», «ausência de ruídos», «olvido», «desesperança» não passam de fracos simbolos, e, meu prezado amigo, convém, portanto que se contente com symbolis quem quiser falar do Inferno, uma vez que lá se acaba tudo – não só a palavra indicadora, mas tudo, tudo, simplesmente! (…) é penoso falar destas coisas que se passam muito além e fora da língua, a qual não tem nada a ver com elas e não as consegue interpretar; motivo porque nunca sabe claramente que forma de tempo dever usar a seu respeito e então escolhe o futuro, como solução de emergência, dizendo: «Ali haverá gemido e ranger dos dentes.» Bem, estes são alguns termos onomatopaicos, seleccionados em domínios bastante remotos do idioma, mas, mesmo assim, apenas símbolos fracos, sem relação autêntica com aquilo que «ali haverá» (…)

Doutor Fausto, ed. Círculo Leitores, 1991, págs. 285 e 286

ameixas

21 Set
21.09.2009

ameixas

“Não gosto de ameixas.” era um frase dita com regularidade sempre que alguém me tentava oferecer umas para trincar.

Um deste dias, pelas 02.?? da manhã, quando comecei a sentir um “buraquinho” no lugar onde reside celestialmente a minha barriga desloquei-me pesaroso para a cozinha; ia desgostoso porque estava a fazer uma coisa bué de importante, tipo ler um livro, e ser perturbado por estas sensações é cansativo. Lá cheguei ao meu Olimpo gastronómico, vulgo cozinha, apesar de os últimos 15 centímetros, terem aumentado em proporção matemática a sensação de vazio estomacal; o pensamento da tigela de leite e cevada imbuída com dois pacotes de bolacha Maria foi o culpado. Desta vez não foi necessária a presença de alimento na boca, o simples pensamento de comer bastou para o início do processo de produção de suco gástrico.

O tabuleiro tinha mais de 50 ameixas amarelas; era um lindo amarelo. E como Stell [1] arrisquei uma trincadela.

stell

Reparei pelo canto do olho – tenho uma boa visão periférica – num tabuleiro cheio de ameixas.
[as ameixas fazem parte do género Prunus. “Prunus L. é um género botânico, geralmente arbóreo, mas que também pode ser arbustivo. Inclui as ameixeiras, cerejeiras, pessegueiros, damascos e amendoeiras.” (via wikipedia) E aqui temos mais um momento Discovery.]

Foi uma experiência tântrica. Foi uma epifania de sabores. Nessa trincadela encontrei um elo perdido da minha cadeia alimentar. Aquele instante foi de tal forma único e sobrenatural que o resultado foi o que se viu; um desbaste de ameixas.


[1] Stell, juntamente com Atan, é uma personagem do álbum Os Jardins de Edena (Les Jardins d’Edena) de Moebius publicado em 1988.

humpá-pá

20 Set
20.09.2009

Para me vingar da inexistência da feira do livro no XVI Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, e depois de jantar no Centro Comercial Palácio do Gelo, ataquei a Fnac.

Aí comprei além do primeiro volume da trilogia Millenium (“Os Homens que Odeiam as Mulheres”, de Stieg Larsson, editado pela Oceanos) o álbum Humpá-Pá, Pele-Vermelha, da ASA.
Este álbum, da responsabilidade da dupla René Goscinny e Albert Uderzo, nunca foi lido na totalidade. Li algumas páginas no meu antigamente na revista TINTIN. Ontem dei por ele em destaque talvez devido ao futuro lançamento das aventuras de Astérix em mirandês e cacei-o. E ainda bem, porque a edição da ASA está recheada com dois bombons: um excelente prólogo e os primeiros esboços de 1951.

Humpá-Pá é a primeira criação dos pais de Astérix (1959 na revista Pilote). Tudo começou quando por mero acaso se viram lado a lado na delegação de Paris da World Press em 1951.

Humpá-pá viu a luz do dia nesse mesmo ano. Na sua concepção original os autores “partiram da ideia de narrar as desventuras de um jovem índio, habitante de uma reserva, e do conflito que este mantinha com a vida moderna americana que rodeava tal reserva(…).” (pág. 4 da edição da ASA) Esta primeira abordagem foi uma desilusão.
O renascimento ou o verdadeiro nascimento surge em 1958. Agora Humpá-Pá foi deslocado para o século XVIII e é um nativo americano dos Sávanás que sempre acompanhado do seu amigo Humberto-da-Massa-Folhada, oficial francês de escalpe-duplo, vive aventuras num “delírio humorístico” apetitoso.

Fico feliz por esta fantástica reedição.

xvi salão internacional de bd de viseu

20 Set
20.09.2009
xvi salão bd viseu

xvi salão bd viseu

Adoro banda desenhada de tal forma que foram feitos 390km (ida-e-volta) para atingir as instalações do IPJ em Viseu. E chegado aí sofri a primeira e única desilusão: a inexistência da feira do livro. É lamentável que não tenha sido colocada está informação num qualquer lugar deste vasto universo virtual tendo em conta que a organização já sabia desse facto 15 dias antes do salão iniciar. Desilusão porque desejava ter os meus “novos” exemplares de Pedro Massano autografados; única porque o que me levou a visitar o salão foram vários factores.

xvi salão bd viseu

salão de banda desenhada de viseu

A responsabilidade do salão é do GICAV- Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu. É um salão parco, isento de luxos, mas importante para a divulgação e promoção da banda desenhada. E sendo, digamos, um salão mais intimista permitiu-me sentir com outro olhar e outra proximidade os autores de banda desenhada.

Pude, igualmente, iniciar com um “bonjour” uma suave conversa com Alexandru Ciubotariu enquanto este me desenhava in loco uma pequena brincadeira.

alexandru ciubotariu

Pedro Massano foi o homenageado desta edição do Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu; jornalista, editor, ilustrador, autor, crítico e divulgador de banda desenhada, nasceu em 15 de agosto de 1948, em Lisboa teve o seu primeiro álbum editado em 1977, “A Primeira Aventura no País de João”, segundo textos de Maria Alberta Menéres, pela Comissão Organizadora do Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas, com a impressionante tiragem de 500 mil exemplares, provavelmente uma tiragem sem paralelo no nosso país.

breve discurso de pedro massano após receber o prémio

Pedro Massano também me “ofereceu” um desenho que tem um fait-diver. Depois de realizar o esboço inicial do desenho a lápis, pegou na caneta de feltro preta para cobrir os traços do lápis. No final dessa tarefa a palma da mão suja com um pouco de tinta da caneta deixou umas pequenas manchas na folha de papel. Eu quando vi aquilo congelei, “não acredito nisto, que merda!”- pensei. “Está manchado.”- disse-me, logo de seguida, um Pedro Massano aborrecido. Então em traços rápidos limpou com uma fantástica criatividade as manchas com um novo desenho. Ganhei como que um 2 em 1.

pedro massano

Acabei por adquirir, foi a minha única compra, dois fanzines da Luminus Box. Catarina Guerreiro, Tânia Guita, Telma Guita e Sara Martins, as Luminus Box, foram convidadas para representar no salão a bd Manga.

Comprei com imenso prazer os dois fanzines e gostei bastante de inicialmente os folhear e depois de os ler criticamente.

Como tinha de arrancar para Barcelos e porque fui, eu e os outros, simpaticamente afastado da presença delas: era hora do jantar dos convidados do salão e eu tinha de regressar a Barcelos, não tive a oportunidade de pedir um desenho a cada um das Luminus Box – foi uma visita à médico.

mundos de fantasia

Como pequeno aparte gostaria de ter uma camisola, xxxl, com os dois gatos desenhados por Tânia Guita; dois porque a sombra tem vida própria. Fiquei com a impressão que a aventura do Arlequim e o episódio “O Torneio dos Clans” por Telma Guita foram desenhados directamente no pc [1].

mundos de fantasia

mundos de fantasia

O que difere assim sendo do registo das outras Luminus. Mas torna transforma, também, a “box” numa caixa de pandora. Se no segundo fanzine Catarina Guerreiro revela-nos personagens e ambientes muito mais trabalhados, Sara Martins desenvolve a história com desenhos fluídos. É uma apetitosa macedónia de estilos que me obriga a manter a “box” debaixo do olho.

Ao pesquisar sobre o salão descubro, tardiamente, que estive ao lado do criador do agradável blog Divulgando Banda-Desenhada.
Gostava de lhe ter perguntado pessoalmente como posso adquirir os fanzines distribuídos na Tertúlia BD de Lisboa.
Já o devia ter feito à mais tempo, mas segue hoje o meu pedido por email/comentário.


upDate 22.09.2009
[1] No seguimento de informação fornecida por Tânia Guita aka Telnia transcrevo a sua resposta à minha dúvida:
“foram digitalizados e depois trabalhados no Photoshop”

zona 84 e connie lingus

18 Set
18.09.2009

Continuando o reencontro com as revistas Zona 84 adorei rever Bruce Jones e a sua deliciosa Connie Lingus. Connie Lingus é uma crítica brejeira e imperdível sobre o puritanismo sexual dos comics.

O ataque ao puritanismo começa desde logo no nome da heroína. Connie Lingus tem a mesma sonoridade que cunnilingus [cunilíngua, em português] que significa estimular os órgãos sexuais femininos com a boca ou com a língua.

Connie Lingus [1973] são as aventuras de uma avantajada donzela ruiva vítima das piores agruras. Nunca estando totalmente vestida, sempre nua do umbigo para baixo, desperta os maiores desejos sexuais em qualquer criatura possuidora de um falo; seja um polvo, uma cobra, um gorila, um ET, um robot ou um humanóide. Com desenhos de traços simples, mas fortes é de louvar a forma como Bruce Jones numa prancha cria, desenvolve e finaliza uma episódio verdadeiramente insólito na vida de Connie Lingus. E é esta simbiose que me fascina.

connie lingus

connie lingus

Ao pesquisar na www sobre Bruce Jones e a sua Connie Lingus não encontrei referências por aí além e zero imagens no Google. Na wikipedia apareceu-me um Bruce Jones, mas ligado a uma fase do Hulk (2001-2005). Seria o mesmo autor? Ao efectuar nova pesquisa, mais a fundo(?), tenho acesso a isto:

Seguirá dibujando, pese a todo, relatos cortos y series (como aquella Connie Lingus memorablemente paródica, digna réplica en tebeo al Flesh Gordon de la gran pantalla), pero su ocupación principal será la de escritor.

ver aqui

arena

arena

E nessa mesma página a imagem da capa de uma graphic novel (n.º18) “Arena – A Dimensão do Terror” editada pela Abril Jovem em 1989 de Bruce Jones (história e desenhos) e Paul Mounts (cores). Chegado aqui fui à estante dos livros, ainda, não arrumados à procura d’Arena. É de concluir que é o mesmo criador e que a wikipedia está omissa na biografia de Bruce Jones.

“Arena” tem o mesmo estilo visual de Connie Lingus, mas com outra qualidade e detalhe nos desenhos. As personagens, principais são, também, femininas e a revelação sem pudor de partes dos corpos femininos é uma constante.

geladinhas

14 Set
14.09.2009

Há várias coisas que gosto bem geladinhas.
Uma é a cerveja. A cerveja tem de estar estupidamente gelada para ser apreciada na sua plenitude.

Outra é a travesseira. Parece uma grande estupidez, mas a primeira coisa que faço depois de me deitar na cama é colocar para cima a parte da travesseira que estava sobre os lençóis. É a parte mais fresca. E sentir essa frescura ajuda-me a receber mais rápido a visita de Morfeu.
Se acordar a meio da noite repito o procedimento.

E isso sabe-me, mesmo bem. Porque será?

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