um mal necessário

O porta VIII não é um blog sobre política, mas isso não significa que eu seja apolítico. Preocupo-me com o que se passa no meu país, mas evito pensar muito; quando o faço fico sempre maldisposto. E o maldisposto não é o resultado de pensar, mas sim a consequência da minha impotência em combater a letargia cerebral de muita boa gente.

Hoje e aqui esfarrapo alguns pensamentos sobre nada e sobre alguma coisa.

manuela ferreira leite
galo de fernando reis

Vi três compatriotas logo pela manhã a combater contra um cartaz da campanha de Manuela Ferreira Leite – “Chegou a Hora da Verdade”. Reparei que estavam com imensas dificuldades em abater a mensagem de “verdade” da ex-candidata. E fiquei contente que o olhar de marotagem da senhora não tenha enganado muita gente. Acho que a eleição dela, mesmo que muito improvável, traria à baila o provérbio a emenda é pior do que o soneto. Não sei se o resultado eleitoral final é o melhor para a estabilidade político/social/económica, mas sei que a manutenção de uma maioria de arrogância nunca o seria. Sócrates talvez seja um mal necessário.

Fernando Reis é presidente da Câmara Municipal de Barcelos há mais de 20 anos. Nada fez pela cidade. E tem tanta certeza que vai ganhar pela sexta vez as eleições que se dá ao luxo de oferecer galos com o nome dele pintado; como a dizer que ainda é um bom galo. E vai-nos galar durante mais 4 anos. Alguém duvida? Eu não. E para se perceber a razão basta ler a última crónica (30.09.2009) de Luís Manuel Cunha, no Jornal de Barcelos n.º 410, a quem peço emprestadas algumas palavras.

Em primeiro lugar e ao longo destes anos, Reis criou uma entourage incondicional de caciques que lhe tem servido de “tropa de choque”. Uns porque dele dependem directa ou indirectamente; outros, porque se batem incansavelmente por essa dependência; outros ainda, porque geneticamente mentecaptos ou atavicamente subservientes na bajulação rasteira de quem detém o poder.

crónica (30.09.2009) de Luís Manuel Cunha, Jornal de Barcelos n.º 410

Eu também votarei no Partido Socialista, não porque é óbvio, e nisso revelo a única diferença relativa ao pensamento de Luís Manuel Cunha, mas porque não tenho outro remédio. Pode não ser um voto inteligente, mas é um voto amigo do cliché “é um mal necessário”. E não reconhecendo qualquer mérito político a Miguel Costa Gomes, basta ler as suas promessas brejeiras, prefiro, mesmo assim, ter na Câmara Municipal de Barcelos o tal “mal necessário” do que uma doença em estado terminal.

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