siddhartha

– Siddhartha – disse -, tornámo-nos homens velhos. Dificilmente nos voltaremos a ver nesta forma. Vejo, querido amigo, que encontraste a paz. Reconheço que eu não a encontrei. Diz-me, Venerável, uma derradeira palavra, dá-me algo que eu possa compreender! Dá-me algo para o meu caminho. Ele é muitas vezes penoso, muitas vezes obscuro, Siddhartha.

página 125

Um dos melhores livros que li nestes últimos 15 dias. São apenas 127 páginas, mas com uma profundidade poética, mística, humana incrível. Não admira que seja a obra mais conhecida de Herman Hesse. No final da leitura, após ter fechado o livro e o pousar na mesinha de cabeceira, abateu-se sobre mim uma tristeza enorme, sufoquei em lágrimas. Ainda não estou curado, se é que estarei alguma vez, desta melancolia que continuamente se abate sobre mim e me faz pensar onde pára essa plenitude espiritual, essa paz interior que pensava possuir com 18 anos, mas que era, descobri depois, uma má-fé ao estilo sartreano. Serei outra vez feliz ou vivo à espera de relances muito ténues de felicidade?
Engraçado que em 2006 sofria do mesmo desalento. É crónico já o sei.

Apenas uma aparte…
A páginas tantas do “Siddhartha” lembrei-me da busca do Ser expressa com um toque de humor. Jean-Jacques Loup no seu álbum “Tempos Difíceis”, editado pelas Publicações Dom Quixote na colecção HUMOR com humor se paga, n.º 20, 1985, tem esta prancha apetitosa.

jean-jacques loup


Imagem por Jean-Jacques Loup

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