bang-bang ultimate 1

Ontem na Fnac de Braga, por coincidência ou por obsessiva? procura, antes de ir assistir ao filme Alice no País das Maravilhas descobri por trás de uma fileira enorme de livros de manga um livro de banda desenhada – formato tankobon – que desejava ler à já algum tempo.

bang-bang ultimate 1

Não irei repetir o que já foi dito por Nuno Amado, mas apenas acrescentar alguns apontamentos pessoais.

De uma forma geral adorei o que li e só lamento a dificuldade que tenho em ler, ultimamente livros de banda desenhada, sem os sentir primeiro na mão – ter de recorrer às livrarias virtuais para adquirir algumas obras sem as folhear primeiro é não apenas frustrante, mas também arriscado pela possibilidade de ocorrer um potencial desânimo.

Hugo Teixeira tem uma história, com pranchas muito bem conseguidas, que promete desenvolvimentos interessantes. Em algumas pranchas, e na fonte utilizada na prancha 4, veio-me à memória alguns ambientes inóspitos palmilhados por Trigun, criação de Yasuhiro Nightow e isso agradou-me bastante.

E já que falo de recordações porque não falar do que recordei com a apresentação de Garras e dos seus associados e sequente assassinato. Essas pranchas lembraram-me o percurso de vingança do Harmonica (Charles Bronson) contra Frank (Henry Fonda) no épico filme “Once Upon a Time in the West”. A cena passa-se numa isolada e em ruínas missão espanhola. Um miúdo de mãos atadas atrás das costas tem o seu irmão mais velho com uma corda ao pescoço, igualmente de mãos atadas, em pé sobre os ombros. A corda está presa no topo de um arco. Um jovem Frank coloca na boca do jovem uma harmónica e diz-lhe para fazer o seu irmão feliz. Frank e os seus “associados” apenas aguardam que as pernas do menino cedam e o inevitável enforcamento aconteça.

Não são pelas memórias, mas pelo livro em si – o ambiente, as personagens, Poison City e outros pormenores – que afirmo o meu sincero desejo de ver mais Bang-Bang e mais trabalhos de Hugo Teixeira nas minhas mãos. Foi uma boa surpresa a qualidade deste tankobon. Recomendo-o vivamente.

Antes de terminar apenas um farrapo sobre uma vinheta: a palavra “Movie-os um sentimento muito diferente do meu…” numa 2ª edição talvez possa ser corrigida.

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