pintei

Pintei o meu cabelo todo de branco.

Ao contrário das pessoas que o pintam de preto, de azul, de cor de fósforo (a primeira vez que se cruzou comigo, reconheço que estava desprevenido, uma pessoa com o cabelo de vermelho, eu gritei “socorro um fósforo gigante“, juntando ao nível do pescoço as mãos em jeito de prece, acompanhado de um saltinho maroto), de rosa, de amarelo como forma de enganar o avanço irrevogável das marcas da velhice eu desejei ver como seria o meu cabelo, a minha cara torneada com cabelo de branco. Enfim, desejei saber se compensava esperar pela verdadeira velhice.

Devo reconhecer que gosto do efeito. Ao olhar para o espelho vejo-me como uma ovelha acabada de ser tosquiada.

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