os dados estão lançados

04 Mai
4.05.2011

Com uns miseráveis 7 anos comecei a ler “Guerra de Paz”; apenas 7 anos depois é que retomei a leitura e a terminei.

Com uns deliciosos 10 anos li – oferta da minha mãe – “Esplendores e Misérias das Cortesãs” e uma obra, rapinada ao meu Tio João, “Os Dados Estão Lançados”, que me catapultou para outros níveis; muito mais tarde consegui comprar só para mim uma edição (5ª edição) da obra de Sartre.

De seguida li o “Despertar dos Mágicos” cujo número de páginas não me assustou. Se percebi metade do que li, claro que não, acho que nem um terço.

Depois, com este impulso, comi avidamente todos os clássicos literários/ensaios, etc. Se algum ficou de fora foi porque não havia na biblioteca itinerante Gulbenkian à qual tinha acesso privilegiado. Iniciei-me na letra [A]lain-Fournier e terminei na Stefan [Z]weig – literalmente.

“Os livros da minha vida”, um artigo que recomendo lerem de David Soares na revista Bang n.º 9 (falarei da revista noutra altura), levou-me a pensar nos meus livros; esta é a primeira verdadeira entrada directamente do sótão.

Para terminar entendo que devo concluir esta pequena visita ao sótão dos meus livros com umas palavras que estão escritas num possível livro que está, apenas – para já, para sempre? – a ser-me revelado:

O que é deliciosamente assustador, naturalmente, sem a profusão literária das memórias involuntárias produzidas pelo sabor das migalhas da madeleine de Proust misturadas numa colher com chá, são os pequenos pedaços do meu passado, desencadeados por um cheiro intenso de saudável maresia, que se foram desenrolando na mente enquanto tentava adormecer e outros fragmentos que entretanto surgem enquanto tento descrever essa noite – e não havendo, na verdade, qualquer sequência cronológica e muito menos lógica nas lembranças, são, não obstante isso, os fotograficamente eternos pequenos instantes do meu passado. O que é, afinal, um homem sem memórias? de si e dos outros? Não me imagino a conseguir viver, a continuar a existir, sem a consciência de mim e do meu passado sempre presente. Descubro-me muitas vezes a pensar que são estes meus devaneios que me animam, que diabolicamente, também, me angustiam, mas que, surpreendentemente, dão – ou tentam? dar – algum ténue sentido ao meu viver.

… e neste(s) meu(s) passado(s) os livros têm uma presença constante.

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2 replies
  1. Bongop says:

    Também gostava de ter um sotão…
    🙁
    (Bofff)

    😀
    Abraço

    Responder

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