os olhos de allan poe

Quando compro um livro de um autor desconhecido é um risco não calculado – nunca sei o que vai sair dali; a capa é um factor importante porque é aquilo que nos faz pegar naquele livro em particular e não nos outros que estão ao lado (digamos que é uma manobra de acasalamento literário); a sinopse na capa é, contestavelmente, um factor importante que só se concretiza depois da fase visual de acasalamento.

O ano passado após a leitura de um livro e do registo da minha opinião, nada modesta, convenhamos é a minha, opinião, ao coloca-lo na prateleira denoto que nessa estante (a encher) em cada 10 livros 6 são da editora Saída de Emergência, os restantes dançam entre outras editoras – curioso! Nunca tinha reparado naquela simetria de logótipo.

Regresso ano de 2009, mês Junho, dia nove e recordo o meu espanto ao reler o meu comentário ao livro “A Sabedoria dos Mortos” e na altura ter enaltecido com a minha mulher este lançamento e as excelentes notas de tradução – editora Saída de Emergência.


Regresso ao ano de 2010, mês Dezembro, dia quinze e pouso uma excelente obra de steampunk “A Corte do Ar” no foi uma grande coragem editorial e um pesadelo de tradução (superado); desta feita já sabia qual a editora – Saída de Emergência – estive presente no dia do seu lançamento. Nunca é demais relembrar a obra de Philip Reeve publicada pela Editorial Presença (“Engenhos Mortíferos” (2001), “O Ouro do Predador” (2003) e “Máquinas Infernais” (2006). O quatro livro da série “A Darkling Plain”, presumo que, ainda não teve a sua edição em português).

Foi, contudo, em Agosto de 2010 que tomei a devida consciência da editora por detrás do livro que me enriqueceu as férias “O Evangelho do Enforcado”. Desde essa altura que sigo com cuidado os lançamentos desta editora e quando vou “às cegas” é agora um risco calculado – “risco calculado” é quase análogo a certeza de boas leituras com a Saída de Emergência. E isto é escrito sem menosprezar qualquer editora. Não sou pago para dizer bem, nem para maldizer – infelizmente.

E isto precede a minha opinião ao “Os Olhos de Allan Poe”

[…]

“Os Olhos de Allan Poe” (“The Pale Blue Eye” de 2006) é uma grande aposta editorial da Saída de Emergência (espero que seja ganha a nível comercial – para evitar a frase “uns compensam os outros”).

“Os Olhos de Allan Poe” é o nec plus ultra das suas obras, as lidas por mim – naturalmente (três: “Mr. Timothy”, “Fool’s Errand”), que adorava ver editadas em português. Espero que a Saída de Emergência edite, pelo menos, os seus romances mais recentes “The Black Tower” (2008) e “The School of Night” (2011) – não é pedir muito?

“Os Olhos de Allan Poe” tem tudo para ser um sucesso em Portugal: narra uma história de assassinatos tenebrosa; temos magia negra; alguns fantasmas; e tem duas personagens principais (Gus Landor e Poe) com uma densidade psicológica bem retratada que se movem num século XIX maravilhosamente pintado – local do crime: West Point; ano: 1830.

Uma das partes mais divertidas da leitura é certamente encontrar um jovem Poe com um nada saudável gosto pela bebida, mas contrabalançado pelo prazer de arrojar frases em francês. A narração é feita em dois compassos: temos a narração (quase sempre num tom intimista) de Gus Landor e os escritos bombásticos (cheios de eloquência) de Poe (o ajudante de “campo” de Gus Landor) em forma de missivas.

E enquanto Poe e Gus Landor se gladiam intelectualmente, na descoberta dos responsáveis pelos crimes, segredos mútuos vão-se revelando. Fiquei de tal forma embrenhado na história, nas personagens, que o final foi um surpresa final – aquele último gole que nos faz olhar tristemente para o copo que se encontra agora… vazio.

Edgar Allan Poe não precisa de apresentações; e no que diz respeito ao género “policial” criou a primeira aventura dos mistérios de “quarto fechado” com a aventura “The Murders in the Rue Morgue” e nesta mesma aventura “Os Crimes da Rua Morge” (Livros de Bolso Europa-América, n.º 279, 1981) os crimes são investigados pelo Detective Dupin, o pai de Sherlock Holmes. Um conto a ler ou a reler.

Recomendo vivamente “Os Olhos de Allan Poe” por tudo o que escrevi e pelo resto que cada um irá acabar de descobrir.

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