13 Mar
13.03.2017

De modo que era aquilo. Lama nos joelhos e sangue no ventre, surpresa atónita na expressão rígida dos mortos, cadáveres despojados, chuva e inimigos invisíveis dos quais se via apenas a fumarada dos disparos. A guerra anónima e suja. Não havia rasto de glória no soldado que gemia com a cabeça vendada e o rosto entre as mãos, nem no outro ferido que contemplava as suas próprias entranhas dilaceradas como quem formula uma censura.

O Hussardo de Arturo Pérez Reverte (página 63)

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