De tal maneira que deixei de sonhar. Só os pesadelos me visitavam. Eu estava aleijado desse orgão que segrega as matérias do sonhar. Eu estava doente sem doenças. Sofria dessas maleitas que só Deus padece. Aconteceu assim: primeiro, me acabou o riso; depois, os sonhos; por fim, as palavras. É essa a ordem da tristeza, o modo como o desespero nos encerra num poço húmido.
A Varanda do Frangipani de Mia Couto (pág. 131)
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