Cada oportunidade constituía um fardo no presente. Contudo, a história não se fica por aí. Havia no futuro milhões de possíveis escolhas novas e milhões de outras escolhas resultantes dessas. Finalmente, quando se fazia uma escolha em detrimento de outra, acontecia algo verdadeiramente notável: tudo o que fora preterido transformava-se em remorsos. Assim, as pessoas sentiam-se sempre arrasadas no presente, sob o peso do futuro e pressionadas pelo passado, e as coisas não melhoravam. As escolhas multiplicavam-se e o arrependimento aumentava proporcionalmente até as pessoas já não conseguirem mexer-se e ficarem ensarilhadas numa teia invisível. Era então que a REMORSOS entrava em ação e punha o passado em ordem. De acordo com a REMORSOS, uma decisão tomada por uma pessoa era a ÚNICA CORRETA. Todos os desvios conduziriam à morte ou ao fim do mundo. Todas as pessoas tinham corrido perigo de morte e escapado somente por tomarem a ÚNICA decisão CORRETA. Tinham, portanto, a obrigação de ser felizes. Haviam sobrevivido contra todas as possibilidades.
LoveStar de Andri Snaer Magnason (página 43)
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