11 Mar
11.03.2019 — Quanto tinha cinco anos, caí doente de hoxa e o papá fez promessa à Senhora de Muxima em como se eu escapasse nunca procuraria mulher. Agora o velho esgota a virilidade para descumprir o juramento mas é tudo desgraçadamente inútil. Fui muximado pela dona, sagrou-me o corpo sua graça. — E depois, cofiando a pera: — Sabes que os tubarões não dormem nunca? Pois eu depois que sarei aconteceu-me como aos tubarões: caí em perpétua vigília. Passo as noites a amar, a beber e a jogar porque outra coisa não posso fazer. O sono é a imitação da morte e é a morte que dá sentido à vida. Por isso a minha vida não tem sentido nenhum! Vivo para esquecer que vivo; e para contrariar a vontade de meu pai.
A Conjura por José Eduardo Agualusa (página 35)
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