O QUE FAÇO AGORA, MINHA SANTA?
Mato-me?
Devíamos poder morrer temporariamente, como quem vai de férias. Não, não como quem dorme! Como quem dorme, não! Não digas disparates. Dormir é viver sem a opressão da consciência, e às vezes nem isso. Em sonhos também sofremos com remorsos. Também temos medo de morrer. Também adormecemos. Também morremos. Eu queria morrer de verdade, deixar de existir, de forma que durante algum tempo tudo fosse nada. Nada em mim e à minha volta. Eu flutuando no infinito nada.
Barroco Tropical por José Eduardo Agualusa (página 163)

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