Nessa noite fui nadar. Nadei durante mais de uma hora, sob o olho único de uma Lua imensa. Nadei até que as luzes, na praia, se misturaram à confusa torrente de estrelas. Então, estendi-me de costas, a flutuar, puxado para o alto pela força da Lua. Se ela estivesse um pouco mais perto talvez me arrancasse da água. Eu ficaria levitando, um corpo solto, entre as estrelas e o mar.
Hossi esperava por mim, sentado na areia.
— Nunca sei se voltas.
— Nunca sei se volto. Mas sempre que volto, maninho, volto mais livre.
A Sociedade dos Sonhadores Involuntários de José Eduardo Agualusa (pág. 135)

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