n’ a catedral do mar

Direito da primeira noite (latim: jus primae noctis), também conhecido como direito do senhor ou direito da pernada, refere-se a uma suposta instituição que teria vigorado na Idade Média e que permitiria ao senhor feudal, no âmbito de seus domínios, desvirginar uma noiva na sua noite de núpcias.

São todos os acontecimentos que ocorreram após o senhor de Bernat Estanyol ter desvirginado Francesca Esteve, mulher de Bernat, no dia do casamento, que levam e justificam a fuga de Bernat com o seu filho Arnau para a cidade de Barcelona.

Segundo a obra de Alain Boureau “Le Droit de cuissage. Histoire de la fabrication d’un mythe (XIIIe-XXe siècle)”

From the late Middle Ages to The Marriage of Figaro to Mel Gibson’s Braveheart, the ultimate symbol of feudal barbarism has been the droit de cuissage, or right of a feudal lord to sleep with the bride of a vassal on her wedding night. The droit de cuissage even resurfaced in the debate over the French Penal Code of 1992 as a synonym for sexual harassment.
But, as Alain Boureau elegantly demonstrates in this book, the droit de cuissage is a myth. Under contextual examination, nearly all the supposed evidence for this custom melts away—yet belief in it has survived for seven hundred years. Boureau shows how each era turned the mythical custom to its own ends. For instance, in the late Middle Ages, monarchists raised the specter of the droit de cuissage to rally public opinion against local lords, and partisans of the French Revolution pointed to it as proof of the corruption of the Ancien Régime.
A fascinating case study of the folklore of sexuality, The Lord’s First Night also offers evocative insights into popular (mis)conceptions of the Middle Ages.

University of Chicago Press

Não sei se a utilização deste artificio que causa revolta, repulsa e ódio foi apenas uma forma dramática para levar a história a seguir dado rumo ou tem qualquer fundamento.


Outra questão é a revisão deste livro de Ildefonso Falcones numa edição comemorativa, limitada (nova edição com prólogo do autor):

— É muito jovem — afirmou um terceiro
— Arnau olhava para todos com os olhos esbugalhados.

página 217


— Tu é o bastaix — afirmou (…)

página 245

Foi nesta altura da leitura que decidi registar as últimas gralhas de revisão. Existem mais gralhas antes destas duas, mas irritado deixei-as passar ao lado. Nesta fase entendi apontar.

Lamentavelmente as gralhas continuaram, continuaram e continuaram. Acabei por desistir até chegar à página 500. Chegado aqui tomei nota da respectiva gralha. Existem mais, mas… enfim… que desilusão

Mar também pensou nisso: devia contar o sucedido a Arnau? O ganharia se o o fizesse?

página 500


(…) Nem seque sabia que atrás vidraças estavam a julgar Arnau!

página 652

As gralhas são uma constante nesta edição – muito, mas muito lamentável. São falhas que não podem acontecer.

Ligo menos a imprecisões históricas – afinal é uma obra de ficção – do que às gralhas. Erros como os apontados põe-me piurso.

A editora Suma de Letras não está realmente de parabéns.

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