Author Archive para: paulo brito

church of melgaço

07 Set
07.09.2006

No exterior da Igreja de Melgaço.

espelho

23 Ago
23.08.2006

Porque motivo perverso os espelhos que me vêm não mostram aquilo que sou?

insónia v2

19 Jul
19.07.2006

A todos aqueles que, como eu, pensavam que era impossível estar a dormir acordado, a dormir sem sono, ter sono e não dormir tenho a dizer que tal é possível.
O resultado é uma forma de hibernação sonhadora, não reparadora.

vegetariano

14 Jul
14.07.2006

Sou a partir de ontem 90% vegetariano.
Ainda vou consumir alguns produtos de origem animal: ovos, leite e peixe.
O meu amigo paxo pensa que sou vegetariano até ao próximo bife. Poderá ter alguma razão.

green stairs

07 Jul
07.07.2006

Stairs that surround the exterior of the “Castelo de Melgaço”.

bons augúrios

07 Jul
07.07.2006

(…) um tipo pensa que está no topo do mundo e, de repente, pregam-lhe com o Armagedão em cima. A Grande Guerra, a Derradeira Batalha. Céu contra Inferno, três assaltos, uma queda, sem apelo. E era tudo. Deixava de haver mundo. Porque era isso que o fim do mundo significava. Não haver mais mundo. Só um céu infindável ou, dependendo de quem vencesse, um infindável Inferno. Crowley não sabia qual seria o pior.
Bom, por definição, o Inferno era pior, claro. Mas Crowley lembrava-se de como era o céu e a verdade é que tinha muitas coisas em comum com o Inferno. Logo para começar, não era possí­vel arranjar-se uma bebida decente em nenhum deles. E o tédio que havia no céu era quase tão mau como a excitação que havia no inferno.
Mas não havia maneira de se escapar. (…)
Bem, pelo menos não ia ser naquele ano. Ainda teria tempo para fazer algumas coisas. Para já, vender acções de longo prazo.

página 28

Neil Gaiman; Terry Pratchett, Bons Augúrios // título original: Good Omens // tradução: Carlos Grifo Babo // editor: Editorial Presença, Nov. 2004, Lisboa // isbn: 972-23-3280-5

30 Jun
30.06.2006

(…) Eu só procuro saber a razão por que os homens não se atrevem a matar-se, e nada mais. Não tem importância nenhuma.
— Não se atrevem? Pois não há bastantes suicídios?
— Muito poucos.
— Acha?
Não me respondeu, levantou-se e pôs-se a passear de um lado para outro.
— Que é que, na sua opinião, impede os homens de se suicidarem? — indaguei.
Olhou-me com ar abstracto, como se quisesse lembrar-se do que estávamos a falar.
— Pouco… pouco sei. Há dois preconceitos que os prendem, duas coisas só: uma é mínima, a outra considerável. Mas a mínima também é considerável.
— Qual é?
— A dor.
— A dor? É assim tão importante?
— Primordial. Existem duas categorias de suicidas: uns matam-se por excesso de melancolia ou por irritação, ou por loucura, não importa. Esses fazem-no sem vacilar. A loucura não os detém, matam-se logo, agem imediatamente. Quanto aos que o fazem com reflexão, pensam demasiado no caso.
— Então existem os que se destroem por reflexão?
— São muitos. Se não houvesse preconceitos, haveria ainda mais, muito mais, toda a gente.
— Quê? Toda a gente?
Kirilov calou-se uns instantes.
— Haverá meio de morrer sem dor?
— Imagine — respondeu ele, parando diante de mim, imagine uma rocha com as dimensões de um edifício colossal. Está suspensa sobre nós, que estamos por baixo. Se nos caísse em cima da cabeça, chegaríamos a sofrer?
— Uma rocha dessas dimensões? É horrível.
— Não falo do medo, refiro-me à dor.
— Uma rocha tão grande… evidentemente que não sentiríamos dor.
— Mas se de facto se encontrasse debaixo dessa pedra suspensa, o senhor teria medo de sofrer. Todos o teriam, médicos, sábios, fosse quem fosse. Sabem que não haveria dor e, no entanto, assustam-se.
— E a segunda causa, a mais considerável?
— É o outro mundo.
— Alude ao castigo?
— Tanto faz. O outro mundo é bastante.
— Há ateus que não crêem nisso.
O homem calou-se de novo.
— Julga talvez por si mesmo?
— Cada qual só pode julgar por si mesmo — retorquiu, corando. — Só existirá liberdade completa no dia em que for indiferente viver ou não viver. Eis o fim, o alvo de tudo.
— Nesse caso, ninguém desejaria viver.
— Ninguém — confirmou Kirilov, em tom decidido.
— O homem receia a morte porque ama a vida, eis como eu vejo as coisas — repliquei. — Assim dispôs a natureza.
— Logro vil. — exclamou, de olhos brilhantes. — A vida é a dor, a vida é o medo, e o homem é infeliz. Tudo é dor e medo. O homem, agora, ama a vida porque ama a dor e o medo. Criaram-no assim. Dá-se a vida a troco da dor e do medo, e eis aí o embuste. O homem de hoje não é ainda um homem. Há-de haver um dia o homem novo, orgulhoso, feliz, a quem será indiferente viver ou não; eis o homem novo. Esse vencerá a dor e o medo e será o próprio Deus. Deixará de haver outro Deus.
— Mas Deus existe, na sua teoria?
— Não existe, mas é. Não há dor numa pedra, mas no medo da pedra há dor. Deus é a dor do medo da morte. Aquele que vencer a dor e o medo será o próprio Deus. Surgirá então uma vida nova, um homem novo. Tudo será novo. A história dividir-se-á em duas partes: do gorila à destruição de Deus, e da destruição de Deus.. .
— Ao gorila?
— … à transformação física da Terra e do homem. O homem será Deus; transformar-se-á fisicamente. O Mundo também se transformará, assim como as acções e as ideias e todos os sentidos. Que lhe parece isto da transformação física do homem?
— Se for indiferente viver ou não viver, todos se hão-de matar, e aí está a sua grande transformação.
— Nem mais. E mata-se a trapaça em que vivemos. Qualquer homem que deseje liberdade deverá atrever-se ao suicídio. O que ousar tal coisa desvendará o mistério do embuste. Fora disso, não há liberdade: está tudo aí; o que ousa matar-se é Deus, de modo que cada qual pode fazer com que deixe de haver Deus. E não haverá. Mas ninguém ainda experimentou.
— Tem havido milhões de suicidas.
— Todos por outra coisa, todos por medo, e não por isto que digo. Nunca para matar o medo. Aquele que se matar só para matar o medo tornar-se-á imediatamente Deus.
— Talvez não tenha tempo — observei.
(…)

páginas 71/72

Fiódor Dostoiévski, Os Demónios // tradução: Reis Madeira // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Set. 1983

reciclar???

18 Jun
18.06.2006

A reciclagem é uma boa ideia.
Mas de uma forma geral é outra forma de as empresas/estado/etc ganharem muito, mas muito dinheiro, à custa de uma ideia politicamente correcta: devemos ser amigos da natureza. E quem é meu amigo? O que ganho no imediato com isso. Ah, dizem, a longo prazo é uma boa coisa. Ah é? Mas dentro de 80 anos e a correr bem eu não estou aqui. Entrarei, também, num processo de reciclagem. Humm, tenho de pensar nos meus filhos e nos filhos dos meus filhos e assim. Tretas.

O dia-a-dia de um ex-reciclador.
Ora vejamos:
1. compro água engarrafada numa garrafa de plástico
2. deposito-a para reciclagem
3. pago das mais elevadas taxas de recolha de lixo
4. compro outra garrafa ao mesmo preço, se tudo correr bem, da anterior

O que poupei neste processo. Não poupei rigorosamente nada. O que consegui foi:
1. perder tempo
2. dar a ganhar a uma empresa de integração de lixo com o meu lixo.

Mas e se for uma pilha? Vejamos:
1. compro a(s) pilha(s)
2. pago um eco imposto
3. gasto a(s) pilha(s)
4. entrego a(s) pilha(s) no pilhão
5. pago das mais elevadas taxas de recolha de lixo
5. decido não comprar mais pilhas

O que poupei neste processo. Não poupei rigorosamente nada. O que consegui foi:
1. perder tempo
2. dar a ganhar a uma empresa de integração de lixo com o meu lixo e nem o eco imposto foi devolvido

Okay, nem tudo é mau, ouvi uma música e bebi água.

14 Jun
14.06.2006

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrí­vel. Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Cesário Verde, Contrariedades

14 Jun
14.06.2006

La poésie délivre l’alme de cet asservissement aux passions, en le rendant pour ainsi dire perceptible et palpable.

Friedrich Hegel, Esthétique

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beam me up, scotty!