Archive for category: blog

barbaridade

17 Jan
17.01.2020

Entrei no apartamento. Sentia-se a atmosfera pesada, como se o local soubesse que ali tinha sido cometido um crime.

Antes de entrar no quatro já se ouvia a azáfama da equipa forense. Apesar de ter visitado muitos cenários de crimes hediondos nunca deixo de ficar chocado com a capacidade humana para a crueldade. O que deparava perante os meus pés era o crime dos crimes. Uma bíblia foi desventrada por um punhal. Deu para perceber que proporcionou luta: diversas páginas estavam rasgadas, ainda coladas ao miolo, outras páginas encontravam-se espalhadas pelo chão – barbaridade.

instantâneos de claudio magris

17 Jan
17.01.2020

Este livro de Claudio Magris são observações sobre a vida, a fé, a moral, motivadas por “instantâneos” – “um instantâneo é uma fotografia tirada com um tempo de exposição muito breve e sem apoio de um tripé.”

São apresentadas reflexões fantásticas e outras catitas, mas até as catitas são fantásticas. O que releva é o leitor sentir primeiro os argumentos pelo óculo do autor e depois ser “obrigado” a analisa-los através das suas próprias vivências.

Tradução Sara Ludovico

malchik

17 Jan
17.01.2020

Um dos habitantes mais populares da estação de Metro Mendeleyevskaya era um rafeiro apelidado de Malchik. O que o destacava dos outros canídeos era o facto de ter escolhido aquela estação de metro como residência definitiva. Protegia a estação e os seus frequentadores contra a presença de outros animais e bêbedos.

Em 2001, Yulia Romanova, matou à facada Malchik. Este incidente provocou uma revolta generalizada. Mais tarde, em 2007, através de uma recolha de fundos, foi erigida uma escultura em memória de Malchik chamada “Compaixão”.


Episódio narrado por Claudio Magris em “O rafeiro e uma modelo” no livro Instantâneos.

página 98

17 Jan
17.01.2020 Mas a feroz e desumana engrenagem da realidade priva-nos demasiado frequentemente de um outro bem: da solidão, da nossa necessidade de estarmos sós, a de vivermos pelo menos umas poucas vezes naquele faroeste do nosso coração em que somos por vezes realmente nós próprios apenas se estivermos sós, como o cowboy dos velhos westerns. Amar significa também compreender e proteger aquela solidão de que o outro precisa; compreender que ele ou ela pode querer almoçar fora de casa não só porque tem um banal e sempre respeitado almoço de trabalho que não ofende nenhum casamento, mas porque naquele dia precisa de estar unicamente com os seus pensamentos, com o seu vagabundear rafeiro, e perder-se.
Instantâneos de Claudio Magris (pág. 142)

novidades 2020 da relógio d’água

17 Jan
17.01.2020

Relógio D’Água tem planeado uma série de obras deliciosas. Entre elas destaco para o meu gosto as seguintes:

  • Ética de Baruch de Espinosa
  • Tonio Kröger de Thomas Mann
  • A Montanha Mágica de Thomas Mann
  • Buddenbrooks de Thomas Mann
  • As Flores do Mal de Charles Baudelaire
  • A Vida Mentirosa dos Adultos de Elena Ferrante
  • Os Teus Passos nas Escadas de Antonio Muñoz Molina
  • O Problema dos Três Corpos de Cixin Liu

Esta editora continua a revelar um enorme fôlego. Parabéns.


Actualizações serão feitas quando necessário.

16 Jan
16.01.2020 (…) a sensibilidade é a melhor máscara do egoísmo, o seu advogado de defesa mais eficaz, pela convicção daquilo que diz, mesmo que seja falso. Estão todos, estamos todos angustiados e sensíveis, tão sensíveis à dor do outro a ponto de a tirarmos da nossa frente para não nos estragar o apetite. Há pessoas, escrevia Bernanos, tão sensíveis que não podem ver sofrer nem uma pequena criatura, esmagando-a de imediato para não a verem sofrer.
Instantâneos de Claudio Magris (pág. 103)

erro de sistema – 0017

15 Jan
15.01.2020

O erro de sistema proclamou: “não tenho categoria!”

dahhhhhhhhh

15 Jan
15.01.2020

Ontem há noite na esplanada fui abordado por um padre que iniciou a conversa com um:
“Olá. Boa noite meu filho.”
“Deve estar enganado, pois o meu pai é o Brito” – respondi.

the outsider, a série

15 Jan
15.01.2020

Vi ontem o primeiro episódio “The Outsider“, baseado na obra com o mesmo nome de Stephen King, e gostei.

Se algumas adaptações para a nona arte de histórias de Stephen King são logo nos primeiros minutos uma vergonha, com esta série isso não acontece, promete.

A atmosfera está perfeita; o enredo bem cadenciado – sublime – ajudado por uma banda sonora que se acomoda muito bem.

Adorei a actuação, plena de potencial. Aguardo com ansiedade mais episódios.

en passant

15 Jan
15.01.2020

Há semanas em que os dias correm tão en passant que só tomo consciência de que estou já a meio da semana quando pego na cruzeta “quarta-feira”.

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