estamos a falar de coisas diferentes

— Queres a mãe morta? Mas que raio de filho és tu?
— Eu gosto da nossa mãe tanto como tu. Que merda de acusação é essa?
— Não disseste que ela está a sofrer muito?
— Sim disse.
— Não disseste que não há ninguém para tomar conta dela?
— Sim disse.
— Não disseste que a morte acabaria com o seu sofrimento?
— Sim disse.
— E então, sacana da merda, ainda dizes que não queres a mãe morta.
— Estamos a falar de coisas diferentes. Eu não disse que desejo a sua morte; apenas que estava melhor morta.


Uma história com exactamente 101 palavras.


Fascinado pela frase “estamos a falar de coisas diferentes” do conto “Um Conto Popular Para a Minha Geração: Na Pré-História do Capitalismo Tardio” de Haruki Murakami constante no livro “A Rapariga que Inventou Um Sonho”, tentei criar um texto sem sentido com apenas 101 palavras. Aqui está ele.

o que menos me preocupou foi a cor do sangue dela

O que menos me preocupou foi a cor do sangue dela: vermelho como todos. O problema que se me colocava era como retirar o corpo do apartamento sem ninguém descobrir. Não sendo canibal, comê-la estava fora de questão. A solução estava em fazê-la desaparecer sem sair do apartamento. Através de ácidos na banheira – vulgar. Sentei-me e olhei para o peixe vermelho que dentro da bola de vidro gozava comigo. E nesta altura a solução surgiu com mais naturalidade do que uma erecção. Um aquário de 150cm é uma decoração sempre elegante e ainda mais se estiver habitado por certos peixes.


Uma história com exactamente 101 palavras.

a sacred dialectic

A minha história a “sacred dialectic” foi publicada no site 101 Words.

É uma linda prenda de anos.