Archive for category: fragmentos

18 Ago
18.08.2019 O SUICÍDIO É O COMBOIO DA NOITE, a correr para as trevas. Por meios naturais não se chega lá tão depressa. Tira-se bilhete e sobe-se a bordo. O bilhete custa tudo o que se tem. Mas é só de ida. Este comboio leva para a noite e deixa-nos lá ficar. É o comboio da noite.
O Comboio da Noite de Martin Amis (página 77)

07 Ago
07.08.2019 O melhor é não nos distinguirmos dos outros. Os feios e os estúpidos são neste mundo os mais felizes. Podem à sua vontade gozar o espectáculo. Se não conhecem as delícias do triunfo, também não os amargura o travo da derrota. Vivem como todos nós devíamos viver, sossegados, indiferentes, sem inquietações. Nem causam a ruína dos outros, nem a recebem das mãos alheias.
O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde (página 9)

06 Ago
06.08.2019 (…) É estranho nunca ter pensado em ir a uma biblioteca. Precisava de os adquirir, de os ver dispostos em fila, ao longo de uma parede do meu quarto minúsculo. As minhas divindades domésticas. As minhas naves espaciais.
Histórias de Susan Sontag (página 16)

05 Ago
05.08.2019 Em que é que estava a pensar, naquele momento?
Nos seus segredos e em todas as esperanças e medos, no lugar que ocupava no amor: a minha mãe era uma mulher complicada, embora na altura eu tivesse a impressão de que ela era simples e transparente.
O que eu sei sobre nós, sobre o que nos aconteceu, está encerrado nesta imagem: braços abertos, ninguém que ela possa apertar ou agarrar, a única coisa que ela era capaz de fazer, e eu a afastar-me.
A Vida Feliz de Elena Varvello (página 81)

31 Jul
31.07.2019 (…) Penso que nenhum homem argumentaria contra a ideia de que, se todo o pensamento consciente, toda a memória, toda a capacidade de raciocínio fossem momentaneamente erradicados da mente humana, o que ficaria seria puro e terrível.
(…)
Sabem, no fundo nada temos de Homo Sapiens. O nosso núcleo é a loucura. A instância primário é o assassínio.
Cell de Stephen King (página 219)

26 Jul
26.07.2019 (…) Disse que pensava que a maioria de nós desconhecia o quão verdadeiramente bom ou o quão verdadeiramente mau éramos, e que a maioria de nós nunca viria a ser suficientemente testada para o poder descobrir.
A Contraluz de Rachel Cusk (página 62)

23 Jul
23.07.2019 (…) Eu viajava num país com mais passado do que futuro, um lugar onde os ponteiros do relógio não giram para diante, mas para trás.
Rio de Sangue de Tim Butcher (página 348)

22 Jul
22.07.2019 (Paulete: «O amor torna as pessoas ridículas. O ódio é um sentimento mais respeitável.»)
Estação das Chuvas de José Eduardo Agualusa (página 127)

18 Jul
18.07.2019 (…) A minha viagem pelo Congo merecia ter uma categoria própria: viagem de provações. Enquanto estive no Congo, em cada curva enfrentei desafios, dificuldades, ameaças. O desafio consistia em avaliar e escolher a opção que melhor se adaptava ao avanço da viagem. Mas houve momentos em que não havia nem alternativas, nem atalhos, nem ideias engenhocas. Nessas alturas, uma viagem de provações tornava-se na realidade de recreio, sem qualquer provação.Essa noite, na minha piroga, foi um desses momentos. Senti que não tinha outra alternativa que não fosse entregar-me por completo ao rio. Nada mais havia a fazer senão deixar-me ir, literalmente, com a corrente. Sentia-me horrivelmente sozinho, mas também, mais do que em qualquer outro momento da minha viagem, descontraído e contente.
Rio de Sangue de Tim Butcher (páginas 305/306)

10 Jul
10.07.2019 Mas as oportunidades perdidas também fazem parte da vida como as oportunidades assumidas, e as histórias não podem viver do que poderiam ter sido.
A Trilogia da Nova Iorque de Paul Auster (página 194)

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