Archive for category: fragmentos

23 Abr
23.04.2019 Quando sinto que me começo a afeiçoar a um lugar despeço-me e vou-me embora. Quem ama não sofre. Quem nada tem, não tem nada a perder. É o que penso.
Passageiros em Trânsito por José Eduardo Agualusa (pág. 13)

22 Abr
22.04.2019 O terror, que só terminaria vinte e oito anos depois (se é que terminou), começou, tanto quanto sei ou consigo saber, com um barco feito de uma folha de jornal a flutuar por uma valeta cheia de água da chuva.
A Coisa por Stephen King (página 13, vol. I)

E assim começou uma das obras maiores de Stephen King.

18 Abr
18.04.2019 No fim de contas, existiria alguma coisa neste mundo cem por cento correta ou incorreta? Vivemos numa época onde a probabilidade de chuva pode oscilar entre os trinta ou os setenta por cento. Se calhar, com a verdade acontecia o mesmo. Tanto podia haver trinta como setenta por cento de verdade. Os corvos é que tinham sorte! Chover ou não chover era igual ao litro. Percentagens não eram com eles.
A Morte do Comendador por Haruki Murakami (página 331, vol. II)

Delirante.

10 Abr
10.04.2019 O velho responde inclinando levemente a cabeça. Com as lentas mãos desdobra o lenço e limpa o suor da testa. O tempo enrosca-se aos seus pés como um cachorro vadio.
Fronteiras Perdidas por José Eduardo Agualusa (página 49)

Lindo.

08 Abr
08.04.2019 No meu reduto, no Pasteur, uma mosca dá-me cabo dos nervos. Não suporto moscas armadas em estúpidas. Abro a janela de par em par e ela, em vez de fugir para as árvores que ladeiam o pavilhão, volta a entrar aos ziguezagues em direção à parede do fundo. Há dois segundos andava aos encontrões ao vidro, esbarrava à direita, à esquerda, em todos os sentidos; agora que a janela está aberta, que o céu lhe estende os braços, erra absurdamente pela sombra.
Babilónia por Yasmina Reza (página 34/35)

Delirante.

08 Abr
08.04.2019 Mas aqui tínhamos à nossa frente um inimigo como o nevoeiro ou a areia, contra o qual de nada serve a força.
A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina por Italo Calvino (página 121)

05 Abr
05.04.2019 Resumindo e concluindo, amava-a. E era infeliz. Mas ela como poderia alguma vez compreender esta minha infelicidade. Há os que se condenam à apagada tristeza da vida mais medíocre porque tiveram um desgosto, um azar; mas também há os que o fazem porque tiveram mais sorte do que aquela que julgavam merecer.
A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina por Italo Calvino (página 55/59)

03 Abr
03.04.2019 Ouvir o silêncio – não é um jogo de palavras. No cima de uma montanha isolada, o silêncio tinha som.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 278, vol I)

03 Abr
03.04.2019 No silêncio da floresta, tinha a sensação de que podia ouvir a passagem do tempo, a vida a passar. Uma pessoa parte, outra aparece. Um pensamento afasta-se e outro toma o seu lugar. Uma imagem despede-se e outra materializa-se. Com o acumular dos dias, também eu me desgastava e refazia. Nada permanecia parado. E o tempo perdia-se. Atrás de mim, o tempo esboroava-se em grãos de areia, que se dissolviam um após o outro. Fiquei ali sentado diante do buraco, ouvindo o som do tempo morrer.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 268, vol I)

01 Abr
01.04.2019 E como eu lhe respondia que não, que não estava chocado, que sabia que o sofrimento não era um jantar de gala, nem poesia elegíaca, que era sangue, suor e merda (…)
Porto-Sudão por Olivier Rolin (página 49)
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