Archive for category: fragmentos

19 Jun
19.06.2019 (…) Porque tenho outras coisas para fazer e, finalmente, porque não me parece que você me possa pagar a viagem — replicou Angie.
— Pagá-la-ia Deus, sem dúvida — disse o missionário.
— Oiça, parece-me que o seu Deus já tem demasiadas dívidas.
O Bosque dos Pigmeus por Isabel Allende (página 47)

16 Jun
16.06.2019 Não havia uma zona intermédia de estudo. Ou a vastidão do deserto ou a observação de uma pequena flor. Na Patagónia éramos obrigados a escolher entre o minúsculo e o interminável
Regresso à Patagónia de Bruce Chatwin e Paul Theroux (página 16)

14 Jun
14.06.2019

— Não. Você não conhece nada. Não sabe do que fala. É um rapazinho embriagado pela própria impertinência. Aceitar que não posso criticar alguém pelo facto desse alguém ser negro, a isso chama-se paternalismo. O paternalismo é o racismo elegante dos cobardes.

As Mulheres do Meu Pai de José Eduardo Agualusa (página 182)

13 Jun
13.06.2019 — E como veio parar aqui?
— Parar? Não vim parar. Fiquei parado. Como um carro que fica sem combustível no meio do caminho. Isto é o meio do caminho entre o nada e lugar nenhum.
As Mulheres do Meu Pai de José Eduardo Agualusa (página 127)

09 Jun
09.06.2019

Compreendeu que a felicidade consistia em atingir aquilo por que se esperava durante muito tempo.

A Cidade dos Deuses Selvagens de Isabel Allende (página 225)

09 Jun
09.06.2019

SAÍ DO QUARTO BATENDO COM A PORTA. Felizmente há portas. O que eu queria naquele momento era atirar-me ao mar. Na praia, a poucos metros da água, dei com um homem acocorado, inteiramente nu, a defecar. Aquele homem salvou-me a vida. Sou um suicida elegante. Não me deito a afogar num esgoto.

As Mulheres do Meu Pai de José Eduardo Agualusa (página 50)

07 Jun
07.06.2019

I feel so strange. He has told me that people eat dead animals and that before they choose witch part to eat they mark and map the carcasses in blue or red pencil, the latitude and longitude of death.

Snowman Snowman: Fables and Fantasies by Janet Frame (página 10)

02 Jun
02.06.2019 Era assim à moda do Porto. Nada de papéis e assinaturas. Dois homens de bem, uma palavra e um aperto de mão, era o contrato mais firme que as pontes de Edgar Cardoso a atravessar o Douro
Contos à Moda do Porto de Miguel Miranda (págs. 9/10)

o espaço no tempo

29 Mai
29.05.2019

Neste capítulo da obra “Areias Brancas” de Geoff Dyer o autor falar da sua experiência em Quemado, Novo México na sua visita ao Lightning Field.

john cliett – © dia art foundation

Comprised of 400 polished stainless steel poles installed in a grid array one mile by one kilometer, “The Lightning Field” by sculptor Walter De Maria is recognized as one of the late-20th century’s most significant works of land art.

Walter De Maria created The Lightning Field in 1977. Open each year from May through October, this work includes 400 polished stainless steel poles measuring approximately 20 feet and 7 ½ inches in height that are spaced 220 feet apart. A sculpture to be walked in as well as viewed, The Lighting Field is intended to be experienced over an extended period of time.

CHEGAMOS A UM LUGAR que não parecia grande coisa: a cabana de um camponês e um moinho de vento, no meio de um vasto nenhures. O moinho devia estar em atividade, porque o vento espalhava-se pela planície. O céu não estava apenas limpo e azul. Era como se tivéssemos chegado a um futuro em que não havia atmosfera — não havia céua isolar a Terra do cosmos.
Areias Brancas de Geoff Dyer (página 71)
john cliett © dia art foundation
Mesmo sem o bónus dos relâmpagos a experiência de The Lightning Field transcende a sua reputação. Claro que deus não aparece. Há imenso espaço, mas, ainda que só como figura de estilo, não há espaço para deus. The Lightning Field oferece uma intensidade de experiência que durante muito tempo só pode ser articulada com — ou de maneira mais conveniente — a linguagem religiosa.
Areias Brancas de Geoff Dyer (páginas 81/82)

27 Mai
27.05.2019 Substituir os políticos no poder pelos que estão hoje na oposição e esperar que alguma coisa mude é o como pintar uma pedra de amarelo e ter fé que, espremendo bem, dê limonada.
O Paraíso e Outros Infernos por José Eduardo Agualusa (pág. 306)

© 1999.2019 porta VIII. todos os direitos reservados. alimentado pelo wordpress | alojamento por oitava esfera
beam me up, scotty!