Archive for category: fragmentos

26 Jul
26.07.2019 (…) Disse que pensava que a maioria de nós desconhecia o quão verdadeiramente bom ou o quão verdadeiramente mau éramos, e que a maioria de nós nunca viria a ser suficientemente testada para o poder descobrir.
A Contraluz de Rachel Cusk (página 62)

23 Jul
23.07.2019 (…) Eu viajava num país com mais passado do que futuro, um lugar onde os ponteiros do relógio não giram para diante, mas para trás.
Rio de Sangue de Tim Butcher (página 348)

22 Jul
22.07.2019 (Paulete: «O amor torna as pessoas ridículas. O ódio é um sentimento mais respeitável.»)
Estação das Chuvas de José Eduardo Agualusa (página 127)

18 Jul
18.07.2019 (…) A minha viagem pelo Congo merecia ter uma categoria própria: viagem de provações. Enquanto estive no Congo, em cada curva enfrentei desafios, dificuldades, ameaças. O desafio consistia em avaliar e escolher a opção que melhor se adaptava ao avanço da viagem. Mas houve momentos em que não havia nem alternativas, nem atalhos, nem ideias engenhocas. Nessas alturas, uma viagem de provações tornava-se na realidade de recreio, sem qualquer provação.Essa noite, na minha piroga, foi um desses momentos. Senti que não tinha outra alternativa que não fosse entregar-me por completo ao rio. Nada mais havia a fazer senão deixar-me ir, literalmente, com a corrente. Sentia-me horrivelmente sozinho, mas também, mais do que em qualquer outro momento da minha viagem, descontraído e contente.
Rio de Sangue de Tim Butcher (páginas 305/306)

10 Jul
10.07.2019 Mas as oportunidades perdidas também fazem parte da vida como as oportunidades assumidas, e as histórias não podem viver do que poderiam ter sido.
A Trilogia da Nova Iorque de Paul Auster (página 194)

04 Jul
04.07.2019 Ao oitavo dia, o vagabundo de quarenta anos disse a Billy:
— Isto não é mau. Eu sinto-me confortável em qualquer sítio.
— Sentes? — perguntou Billy.
Ao nono dia, o vagabundo morreu. E é assim. As suas últimas palavras foram:
— Achas que isto é mau? Isto não é mau.
Matadouro Cinco de Kurt Vonnegut (página 88)

04 Jul
04.07.2019

Passado um bocado, ela vai à casa de banho e, quando volta, diz-me:
— A torneira está a pingar.
No dia seguinte, há uma mensagem na mesa da cozinha: «Fundiu-se uma lâmpada do corredor.» É esta a natureza do nosso compromisso: eu transmito-lhe sofrimento, ela atribui-me tarefas.

Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir (página 67)

01 Jul
01.07.2019

O UMBIGO É UMA CICATRIZ DECORRENTE DA QUEDA DO CORDÃO UMBILICAL. NO NASCIMENTO, O CORDÃO É FIXADO NA BASE COM UMA PINÇA CIRÚRGICA E, DE SEGUIDA, CORTADO PARA ROMPER O LAÇO ENTRE A PROGENITORA E O FILHO.
A CICATRIZ ORIGINAL ESTÁ, PORTANTO, LIGADA À MÃE.

Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir (página 19)

26 Jun
26.06.2019 Uma mulher encontrou um caracol. «O que é isso nas tuas costas’», perguntou-lhe a mulher. «Isto?», admirou-se o caracol, «essa agora, isto é a minha casa.» A mulher suspirou: «Meu Deus! e não tem jardim?»
A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa (página 180)

25 Jun
25.06.2019 — O futuro para mim quase não tem segredos. Lembro-me de amanhã como se fosse ontem. (…)
— Vou andando. Aparece lá em casa e falamos dos velhos tempos. O futuro, por vezes, dá-me saudades do passado.
A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa (página 49)
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