a irmandade do santo sudário

Acabei hoje, pelas 02.00 am de ler o livro A Irmandade do Santo Sudário (edição Circulo de Leitores) de Julia Navarro e foi um bom exercício de relax.

Não é uma história nada de espectacular, mas é o suficiente para deixar a nossa imaginação viajar pelo mistério do santo sudário e dos fascinantes templários.
E por vezes é isso que interessa – relax!

O Sudário de Turim: foto da face, à esquerda o positivo, à direita o negativo. Nota: O negativo teve o contraste realçado.

fonte: wikipedia

in nomine satanis

“What if I told you that God an the devil mande a wager, a kind of standing bet for the souls of all mankind?”
– John Constantine

O filme tem dois bons actores (Keanu Reeves e Rachel Weisz), uma mitologia, um ambiente tenebroso o quanta basta, quase gótico, um universo visual perfeito capaz de criar uma atmosfera “escaldante”. Não foi, portanto, difí­cil deixar-me ir e apreciar o filme que tem um pequeno “senão”. É de apenas duas horas.

Portanto, que mais posso pedir. Apenas mais um filme de John Constantine.

pensamento do dia

S. diz:
é sempre preciso alguém para satisfazer os nossos caprichos

os impostores, outra citação

Anima Mundi é a fundamental “Alma do Mundo“. É latim. Anima = alma, vida. Mundi = o mundo. A Anima Mundi é o espírito cósmico que impregna todos os seres vivos, e, diz-se também as coisas inanimadas. Eu acredito nisso. Uma casa velha tem um espírito e um carácter próprios. Quantas vezes não viu já um quadro que não gosta do lugar que ocupa na decoração geral, e se revolta, recusando manter-se direito? As cadeiras não nos fazem ir contra elas quando querem chamar a atenção, e os degraus das escadas não nos passam rasteiras quando estão chateados?

pág. 22

Alfred Bester, Os Impostores
título original: The Deceivers
tradução: Maria Nóvoa
editor: Europa-América, Mem Martins, 1984

cypher

Vergil Dunn: This place…
is tighter than a nun’s asshole.

Cypher realizado por Vicenzo Natali é um bom exercí­cio de cinema de ficção científica.
Vicenzo Natali, que já tinha demonstrado no cult-movie Cube (1997) a sua grande qualidade como realizador, traz-nos com Cypherum filme bastante imaginativo, com uma elegante narrativa e uma estética minimalista bem conseguida.

As referências que se podem colar ao filme são imensas. Ao ver-se “Cypher” pensamos logo nas histórias de PKD e, nas suas versões em celulóide Paycheck (2003), Minority Report (2002), Total Recall (1990), Blade Runner (1982), e até em Fight Club (1999).
O protagonista principal é um sujeito alienado, kafkiano, superado pelas situações quotidianas, que apenas se sente seguro como aspirante a James Bond. Apesar de revelar-se mais adequado no papel patético de Johnny English (2003)

É um filme mais de surpresas do que de suspense, mas, e ao contrário de muitos outros, faz as reviravoltas do fio condutor, com um lógica perfeita e pontual.

Cypher“, é um filme que fica na memória.

maravilhas

E maravilhei-me com a nossa longa e complexa história humana, a nossa evolução até à postura erecta e cérebros do tamanho de cachos de uva, a nossa descoberta do fogo e ritos fúnebres, o nosso desenvolvimento da linguagem e rituais e dança, as nossas pinturas rupestres, a nossa invenção de utensílios e agricultura e ourivesaria, as nossas belas culturas materialistas, as nossa cidades antigas, os nossos aquedutos e teares e calendários solares, as nossas maquetas do universo, a nossa invenção do telescópio, a nossa descoberta do cálculo, os nossos balões a hélio e máquinas a vapor e estações espaciais e computadores, e com o labirinto de organizações mentais e psicológicas que seguiram ou precederam estas fases evolutivas do passado, tudo para chegarmos a isto, a escovas de dentes dos 101 Dálmatas e meias que servem de chinelos e calendários de Gatos ao sol e caixas de bonecos falantes com a cara do Michael Jordan.

páginas 20 e 21

John Vernon, Um Livro de Razões
título original: A Book of Reasons
tradutor: Tânia Ganho
editor: Cí­rculo de Leitores, Navarra, Espanha, Abr. 2001,
isbn: 972-42-2461-9

nascimento

E pronto. Eis-me nascido.
Cheio de sede e fome.

pág. 179

António Gedeão, Poesia Completa
editor: Sá da Costa, Lisboa, 1968

aquila non gerunt columbas

Estavam, certo dia, um escorpião e um cão na margem de um rio.
Ambos ansiavam passar para o outro lado. Se para o cão a tarefa não levantava, aparentemente, qualquer problema, para o escorpião o desejo seria difícil de concretizar, pois não sabia nadar. Assim, questionou o cão:
— Levas-me nas tuas costas para a outra margem?
— Achas que sou tolo. A meio do caminho espetas-me o ferrão e morro envenenado. – retorquiu o cão.
— Como. Se eu fizer isso morro também. – justificou-se o escorpião.
O cão abanou, então, a cabeça em sinal de concordância.
O escorpião saltou para as costas do cão e iniciou-se a travessia do rio.
Durante a travessia o escorpião, sem mais, espetou o ferrão injectando no cão veneno mortal. Admirado, o cão, só teve tempo de dizer antes de morrer:
— Mas assim vamos morrer os dois.
— É verdade, mas não o pude evitar, faz parte da minha própria natureza.


Não sei onde li isto. Não sei como isto veio parar aqui.

the ender saga

A Editorial Presença tem editado na sua colecção Viajantes no Tempo grandes clássicos da literatura de ficção-cientí­fica. Um desses casos e, por ordem de edição (n.º 3), é a obra O Jogo Final (Ender’s Game) de Orson Scott Card, primeiro livro da saga “The Ender Saga“.
Felizmente a editora teve a delicadeza de lançar, igualmente, o segundo livro da saga – A Voz dos Mortos (Speaker for the Dead), n.º 11 da colecção Viajantes no Tempo.
Infelizmente ainda não teve a mesma delicadeza de lançar o restos dos tí­tulos que completam a saga, Xenocide (1991) e Children of the Mind (1996). Mas, a verdade é que o universo de leitores de fc é pequeno e não se pode exigir a nenhuma editora que edite o que não é economicamente viável.

Transcrevemos uma boa notí­cia relativa a The Ender Saga, quer para quem gosta de ler, quer para quem não gosta de ler ou até para quem gosta de ler mas é alérgico a papel impresso:

X2 writers Dan Harris and Michael Dougherty will adapt Orson Scott Card’s beloved SF novels Ender’s Game and Ender’s Shadow for the screen, to be directed by Wolfgang Petersen, Variety reported. Warner Brothers will produce. The Hugo Award-winning book series begins on Earth after an alien attack, when gifted children are recruited for war, with a prodigy leading the assault against the aliens, the trade paper reported.

– in scifi.com –

prazeres de papel

É com imenso prazer que tomei conhecimento de outro livro de Neil Gaiman (Anansi Boys).
Mas o prazer é duplamente obtido com a edição de um novo livro de Terry Pratchett (“Thud!“).
Thud!” é o trigésimo livro da série DiscWorld que começa com um “thud” – That’s the sound a club makes when it smashes a dwarf’s head.
Em Portugal não tem havido, infelizmente, uma edição coerente dos livros de Terry Pratchett. Já houve edições da Editora Caminho, Temas e Debates e Cí­rculo de Leitores, mas acho que nenhuma teve ou terá pernas para andar.