Archive for category: soltos

out at night in the day

07 Mar
7.03.2015

My mother never let me go out at night, so I went out at night in the day.
That’s why I do not understand certain things, such as:
# how can someone turn a suicide on a threat?
# how can the police forbid me going home by car, but not on foot?

freud is fantastic

04 Abr
4.04.2014

Today I dreamed that four of my aquarium fish had died. I picked up the Freud’s book “The Interpretation of Dreams” and I easily came to the conclusion that fishes also die. Freud is fantastic.

pussy excuses!

10 Dez
10.12.2013

My neighbour’s cat was lolling around enjoying a languid sunshine.
‘Hello pussy’, she said when I crossed with her.
‘Ma’am respect I’m cute. but not pussy!’
‘I was talking to my cat, not to you,’ she replied.
‘Yeah, yeah – fake excuses!’

imparidades / pun paired

05 Dez
5.12.2013

O 2 sabia-se par, mas andava sempre sozinho. Dividiu-se e na separação encontrou os gémeos 1 e 1. Os 1 sabiam-se ímpares, mas faziam um lindo par.

The 2 knew to be even, but he was always alone. He split and in separation he found twins 1 and 1. The 1s knew they were odd, but they made a lovely pair.

o fadista

07 Ago
7.08.2009

Tinha 20 anos e fui em Agosto de 1988 uma semana de férias a Lisboa a convite de um colega. Durante esses dias fui um clandestino na sua residência estudantil porque não era aceite a frequência nocturna de estranhos. E eu não me sentindo um estranho era um estranho numa terra estranha. Foi a semana de directas atrás de directas. De tal forma que quando aterrei em Coimbra na minha cama privada de lençóis de seda adormeci ao som do Adagio e sonhei durante 18 horas. Foi uma semana de descobertas. Uma semana bem passada no lindo ano de 1988. Foi o ano do incêndio do Chiado. O ano em que a deputada italiana Chicholina afirmou que ter sexo com preservativo é o mesmo que comer uma sande envolvida em plástico. Sim. Foi nesse ano que descobri pela primeira vez Lisboa. O espaço Gulbenkian com os seus jardins a convidaram à contemplação e ao ócio. O Bairro Alto de ruelas e mais ruelas tortas. Assimetricamente perfeitas. Imbuído de cheiros estranhos e potencialmente mortais. E aí numa quelha pouco poética a transpirar urina descobrimos, eu e o colega Durães, sujeito pequeno de barba grande e rija, uma tasca com um amontoado de gente a desejar entrar. Eram empurrões. Tropeções. Calcadelas. Fungadelas. Palavrões. Aproximando-me da entrada ao som de injurias para tentar compreender o motivo daquela tasca estar tão in sou atingido com uma pontaria admirável no ouvido esquerdo com “Deixem-me passar sou “um fadista”. Estas duas palavras ditas de boca molhada por um senhor de alguma idade, de olhar escorregadio, com as pontas dos dedos amareladas, barba mal escanhoada, olhos semicerrados pelo fumo que expelia pelos lábios, libertaram o músico que existia em mim. Agarrei-o pelos ombros e disse-lhe. Gritei-lhe, tamanho barulho saía das gargantas da populaça, que se ele é “um fadista” eu seria nessa noite o seu guitarrista. Entrei na taberna à boleia daquele habitante nocturno de cotovelos afiados que disparando contundentes e certeiras cotoveladas rasgou caminho para o covil “fadista” com a mesma facilidade com que engulo caracóis. E devo dizer que foi uma noite divinal. Fomos um dueto ímpar se é que isso seja possível ou imaginável. Ele não cantava e eu não tocava. E esta perfeita simbiose de dotes musicais encantou não só o público, que duplicava a cada gole de cerveja super-bock demasiado quente, mas, especialmente, os elefantes cor-de-rosa. Esses estavam enlouquecidos pelo nosso espectáculo.

Sim. 1988 foi um bom ano.

“bom dia apesar de estar um dia muito cinzento”

19 Nov
19.11.2007

Céu carregado de nuvens escuras, está a chover, seguro no guarda-chuva, não me esqueci, árvores a bracejar, tento manter o corpo quente, esfrego as mãos, mudo de posição, vento frio, troco de mão o guarda-chuva, algumas folhas caem, amarelas, verdes, eis o Outono a espreitar, carros deslizam na estrada, olho para o lado, espero alguém, outra distracção, rugas junto aos olhos, preciso limpar os óculos, profundas, ouço-a sem a perceber, irritam-me as gotas no vidro, caem mais folhas, ela não se cala, mas não tenho as mãos livres, lembro-me da anedota, falam muito porque têm 4 lábios, quatro lábios?, não seriam 6?, “ainda bem que te vi“, é um ponto de vista, “bem, vou buscar o miúdo à escola“, casada?, ou pelo menos mãe, não fazia ideia, matuto, um beijo, outro beijo, sorriso forçado, está a afastar-se, finalmente, viro-lhe as costas, gelado, mas contente.

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