a rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo

07 Fev
07.02.2010

“A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo” de Stieg Larsson é o segundo volume da Trilogia Millennium; trilogia porque e lamentavelmente Stieg Larsson faleceu antes de completar a obra que seria, talvez, de 10 volumes.

When Stieg started writing the Millennium series, he laid an outline of a total of ten books. Before his death in November 2004, he had finished the first three books and was well underway with the fourth. In an email written to a friend a month before his death, Stieg says that he has finished about half of the fourth book. Stieg says that he has written the beginning and the end, but that the middle part is not finished yet.

Stieg Larsson

“A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo” editado pela Oceanos (Flickan Som Lekte Med Elden) é um livro que se lê de um só fôlego. Stieg escreve não apenas muito bem, mas de forma cristalina, sem dar “palha”. Tudo é escrito com uma razão de ser.

A iniciar, naturalmente, a leitura do terceiro.

os cinco e os dois testículos

04 Fev
04.02.2010

vasectomia, fase um

Por motivos de força externa – a saúde da minha mais-que-tudo – tive de ser submetido a uma vasectomia; intervenção cirúrgica menos agressiva do que a laqueação de trompas e muito mais simples.

À semelhança de Dave, interpretado por Vince Vaughn no fraco Couples Retreat, que foi “beijado” por um tubarão e está vivo para contar a história eu faço, agora, parte de um grupo de elite – aqueles homens que voluntariamente decidiram colocar o falo, o escroto e o resto ao alcance de um bisturi!

pulseira de controlo

Não foi fácil estar todo nu e vulnerável a ser “barbeado” nas partes baixas por um enfermeiro. A única satisfação que tive nessa altura da minha travessia do deserto foi verificar que outro profissional da enfermagem desviou o olhar ao constatar o quanto bem constituído eu sou; outros poderão dizer que foi do choque por ter entrado no quarto errado e me descobrir ali deitado e nu a ser electricamente depilado – não liguemos a essas vozes maliciosas.

O bloco operatório não foi um oásis a descobrir, que bem precisava depois da travessia, mas sim um inferno. Não chegava o cirurgião, o anestesista, o assistente do cirurgião, não chegava, ainda foram precisas as duas enfermeiras. Não sei se hei-de mais alguma vez ter fantasias com enfermeiras. Fiquei, como que ligeiramente, traumatizado porque nunca pensei que o meu pénis fosse capaz de hibernar de tal forma que seria necessário uma lupa de filatelista para o descobrir.

cueca de rede modelo genérico

Fiquei com as “bolas” totalmente trucidadas que pareciam ter sido mordidas por uma enfermeira praticante de sadomasoquismo atropeladas por um camião.
O aspecto visual final era o que se vê – vestia apenas uma branca, mas elegante e voluptuosa cueca de rede modelo genérico; a listra superior em azul dava o seu devido requinte; a rede deixava ainda transparecer a franja de gaze que delicadamente aconchegava a bolsa escrotal.

Hoje já me sinto melhor.
Não “os” sinto já tão doridos – o que doí é saber que estarei +/- 10 dias de dieta sexual.

o mar em casablanca

25 Jan
25.01.2010

«Não cheguei a morrer?», perguntou ele.
«Não. Não foi o suficiente.»

página 107

Li este livro empurrado por uma critica do Jornal de Letras e foi uma leitura bastante agradável.

O Mar em Casablanca é antes de mais um romance policial – temos dois assassinatos e uma investigação policial, para se transformar, também, numa autobiografia de Jaime Ramos. Aqui os crimes servem um propósito superior, que vai muito para além de descobrir o(s) culpado(s); são o motivo de uma viagem pela memória de Jaime Ramos – que está a ficar velho. E o Douro, o Vidago, Angola e Guiné, Casablanca e Venezuela são os espelhos das recordações que Jaime Ramos nos dá a conhecer.

A escrita é de uma doce melancolia que nos faz de um trago mergulhar perdidos no nevoeiro do Douro para de seguida nos resgatar com o cheiro de uns filetes de sardinha.

O Mar em Casablanca é um livro que se revela a cada página.

vírus?

22 Jan
22.01.2010

Ao passar junto a um monitor reparei no fundo do ambiente de trabalho – a face de um recém-nascido todo sorridente. E não pude deixar de comentar à D., responsável por aquela decoração?, que ela tinha um enorme vírus no pc. É o meu neto! – exclamou orgulhosa. Mas não será um vírus?

Concluo, com a costumeira clareza com que concluo as minhas conclusões, que os recém-nascidos são mesmo um vírus que se alimenta da energia vital dos progenitores – sugadores de tempo, de harmonia, de noites bem dormidas; criadores de roupa suja em perfeita função exponencial; autênticos mestres perfumistas.

Quando reparo em alguém com olheiras e de olhar perdido no “infinito e mais além” sei que estou perante um ser humano vítima desse vírus recém-nascido [RN]. Não se iludam, papás e mamãs, não há treino militar capaz de simular o cenário de guerra de uma habitação habitada por um recém-nascido. Não existe qualquer tropa de elite, STF, SASR, GSG9, KSK, BOPE, CFN, COE possuidora de treino psicológico eficaz para combater o RN que domina com facilidade e desenvoltura qualquer forma de combate – exímio até no ataque terrorista.

Aliens, anacondas, aranhas gigantes, ogres, dragões, salamandras, abelhas assassinas, Kings Kongs, T-Rexs são uma patética anedota de susto porque se existe algo verdadeiramente assustador é o ataque terrorista de um RN. Com uma preparação inata são capazes quando menos se espera de surpreender qualquer progenitor em qualquer altura, em qualquer lugar: seja com um ataque sonoro poderoso e persistente capaz de inibir a capacidade de relaxamento e nunca nenhum progenitor foi capaz de ganhar um combate orientado para limitar o impulso de começar-se a adormecer designado para fácil memorização por C.O.L.I.C.A.; seja com um ataque S.E.A.L. [1] (Secreção Explosiva de Alta Liquidez) – que é o mais cutilante -, tecnicamente rebaptizado de vómito ou carinhosamente apelidado de bolsar, na melhor peça de roupa, que se vestiu para aquela tentativa ilusória de passeio dominical junto à praia; seja com um ataque químico amarelo-esverdeado (ou C.O.C.O [Concentração Optimizada de Componentes Olfactivos]), militarmente identificado como altamente odorífero capaz de penetrar à velocidade da luz nas narinas em efeito murro no plexo solar levando normalmente a vitima a um regurgito estomacal, à perda de lucidez, à produção de suores, tudo embrulhado numa tez cadavérica.

Alguns progenitores, talvez, dignos praticantes de alguma filosofia masoquista – ou quiçá até de forma inocente, não serão necessariamente obtusos, nem merecem ser ostracizados na sua procura de um bem melhor, ou apenas pensaram ter criado anticorpos -, decidem tentar novas técnicas de combate ou aperfeiçoar as anteriormente usadas com vista a derrotar pelo menos uma vez o RN; mas o novo RN é sempre, mas mesmo sempre, uma experiência única, ímpar em nada semelhante ao(s) anterior(es).
Não me pretendo alongar nos porquês de ainda haver desejos por um segundo RN – teria muito que escrever. Apenas reafirmo a minha natural preocupação pela sanidade mental dos progenitores e sou sempre, nestes casos, praticante de uma solidariedade remota.

Termino dizendo que sou contra o facto de alguns gabinetes de análise de risco família-militar [o casal] colarem ao RN um nome que entendem caracterizar e/ou amenizar? a sua sublimação táctica – T.I.G.R.E. [2] (Terrorista Inato Gerador de Repulsa Extrema). Não pretendo ser tão suave. Se fosse rotular o RN com uma palavra que significasse toda a sua capacidade bélica seria simplesmente e assustadoramente de bebé.


[1] Não confundir com os SEALs (Sea, Air, and Land Forces)
[2] Não confundir com os TIGRE (Tático Integrado de Repressão Especial)

as “coisas”

18 Jan
18.01.2010

Barcelos está em franca evolução(?) – até já tem uma sex shop. E digo-o sem censura ou cinismo. Aludo e apenas hoje à existência deste estabelecimento comercial não porque a sua existência me ofenda ou me faça virar a cara pesaroso, mas, porque e a ouvir alguns comentários, o mundo está a caminhar para a perdição. Fiquei assustado pelo simplicidade da lógica seca que sobressai deste raciocínio: sex shop = perdição. Fico sempre “perdido” – mais com a estupidez e menos com a ignorância – com conclusões desta natureza.
Um estúpido não tem desculpa. O ignorante nem sabe que sofre da falta de saber. Só não desculpo aquele ignorante estúpido que se refugia na ausência de aprendizagem para justificar a sua estupidez.

Ponto da situação – uma sex shop é uma loja que fornece produtos específicos a quem os deseja adquirir. Fonte do mal? Haja paciência. É uma loja.

Ainda não entrei na sex shop de Barcelos, mas a que existia em Braga, propriedade de um amigo meu, era com regularidade visitada pela minha pessoa. Comprei aí vários artigos interessantes e quentes! Desiludiu-me, contudo, a cueca açucarada.

Se irei entrar na sex shop de Barcelos? Talvez. Se precisar de um novo óleo de massagem, de uma outra brincadeira.

Chegado aqui e percebendo-se que uma sex shop é para mim mais uma loja e não o fim do mundo tenho de admitir que o que me choca, repudia, existir em Barcelos é algo que alguns chamam de “Casa do Benfica”. Não tenho desejos de entender aquela “coisa” “casa” insultuosamente decorada a vermelho – cor associado ao sangue, mas também à paixão!

Se uma cidade é valorizada pelo seu bom ou não tecido comercial-industrial aquela “coisa” vermelha são pontos negativos desnecessários, que desprestigiam Barcelos, que dificultam o interesse de futuros investidores. E sobre isto nunca ninguém comentou! É uma insolência a ausência de empenhamento comunitário em combater aquela “coisa”. Se irei entrar naquela “coisa”? nunca. E como teria dito um qualquer inquisidor “Vade Retro Satana“. Felizmente a “coisa” está localizada, como que escondida – e não é necessário perguntar porquê – dos olhares de pessoas de bem, num espaço recuado relativamente ao passeio e à estrada. Só com muita má vontade se conseguirá reparar na “casa” demoníaca. Valha-me isso.

os passageiros do vento – a menina de bois-caïman (v. 7 – parte 2)

10 Jan
10.01.2010

É redundante continuar a falar da mestria de Bourgeon. Ele é mesmo bom.
Quanto a esta segunda parte d’A Menina de Bois-Caïman foi com alegria que iniciei a sua leitura e com tristeza que cheguei à última prancha. Sim, com tristeza!

Bourgeon foi, pensando bem, um grande maroto. Não se presenteiam dois grandes presentes como estes – Menina de Bois-Caïman, parte 1 e parte 2 -, passados que foram 25 anos de uma saga (Passageiros do Vento) que eu suponha terminada e como tal já estava, devidamente, anestesiado, e agora sei que terminou definitivamente. Saber que não haverá mais Isa outra vez… Ter de assimilar uma vez mais esta ideia.

Claro que, apesar deste senão(?), é uma leitura recomendada e um abrir de 2010 em grande para a banda desenhada editada em Portugal.

ck

08 Jan
08.01.2010

Para quem tem andado distraído já estamos em 2010 e está tudo igual. Quase tudo. Exceptuando a destruição das minhas cuecas CK que exibia orgulhosamente num dos meus sonhos.

Nunca mais sonhei comigo mesmo enquanto vestia CK. É um pouco aborrecido não ter condições de controlar os meus sonhos. Seria óptimo fazê-lo tendo em conta que já não controlo a minha vida real. Seria um avanço. Pois os meus rebentos 3+12 descontrolam a minha existência diária, semanal, anual… e com aquele pedaço divinal de têxtil sentia-me diferente…

aventura culinária

08 Jan
08.01.2010

Convidar alguém para jantar e ser obrigado a fazê-lo como desafio às minhas capacidades culinárias não estava dentro do meu arrojado plano; descascar batatas durante 45 minutos, muito menos. Penso, contudo, que o resultado final foi positivo.
Claro que aguardei os 30 minutos de praxe e ninguém foi vitima de intoxicação alimentar.

A deslocação já menos massiva de Sir Paxo, o que abala infelizmente a perspectiva volumétrica da minha filha sobre o que é na verdade alguém ser… forte/gordo, permitiu-me usufruir de uma boa companhia; sem negar as suas qualidades de bom falador e bom ouvinte, estou, muito naturalmente a referir-me à boa companhia de uma cerveja com que ele presenteou a mesa.

A recordar o 3D penso no primeiro filme que vi no cinema, Beowulf, e no último, Avatar, e a diferença é BRUTAL. Eu até ia novamente…

Outra satisfação que tive no jantar, que serviu também este propósito, foi dar mais um livro a quem não gosta de ler.

arcturis

05 Jan
05.01.2010

Já há algum tempo que não escrevo sobre as minhas andanças pelo mundo de Azeroth. Não porque tenha deixado em definitivo, definitivamente, de jogar, fiz apenas, uma nova pausa, caracteristicamente passageira, mas sim porque não me tem apetecido.

Sim, finalmente acabei o The Loremaster e recebi como oferta o tabard Loremaster’s Colors.

E acima de tudo ontem a passear com o meu priest ainda a 77, aquele que alguém não sabe o nome, vi lá do alto o Spirit Beast Arcturis, novo pet introduzido com o Patch 3.3. Logei de imediato o meu hunter e de Dalaran cheguei ainda a tempo de fazer o tame. Uau! foi mesmo espectacular aquele momento de mimo. Baptizei-o de pasteldeNATA e será um com companheiro do meu Ghost Saber boloREI.

Ainda hoje coloco aqui um screenshot do meu Urso.

as chapas

04 Jan
04.01.2010

Já tentaram colocar um varão para sustentar uma cortina da Hello Kitty no quarto da vossa filha de 3 anos com ela em casa?

Não tentem é desesperante, doentio. Imaginem a criança aka peste aka demónio a rodar, a ferrar as canelas, a perguntar se faltava muito, se demorava, se …

Apesar desta loucura de 3 anos metida à empreiteiro devo dizer que correu até bem atendendo à minha habilidade na bricolage. Fiz apenas 4 furos. Os necessários; nem um a mais; nem um a menos.

Humm. Correu bem exceptuando na altura em que reparei que as chapas que servem de suporte ao varão se eclipsaram do local onde, achava eu, as tinha colocado. Procurei no lixo, nos sacos, na caixa de ferramentas, debaixo da cama, atrás do roupeiro, da cómoda… Fiquei mais do que chateado, só de pensar que ia ter de enfrentar a chuva horrível que teimava em ferir-me os nervos para comprar novas chapas. Até que uma luz se acendeu no topo da minha calvície e perguntei à inocente filha se tinha porventura, por mera casualidade, visto umas chapas pequeninas de metal. “Acho que tenho umas na minha cozinha.” – respondeu com um olhar a transmitir tudo o que é inocência. E lá estavam elas dentro do forno da cozinha de brincar que o sacana do Pai Natal teimou em lhe oferecer.

Um trabalho de 10 minutos demorou … muito mais tempo.
Bricolage em casa com uma terrorista à solta nunca mais. Tenho dito.

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