amor & castigo

13 Jun
13.06.2006

(…) é melhor ser amado que temido, ou o inverso[1]? Respondo que seria preferível ser ambas as coisas, mas, como é muito difícil conciliá-las, parece-me muito mais seguro ser temido do que amado, se só se puder ser uma delas[2].
(…) Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido[3], pois o amor mantém-se por um laço de obrigações que, em virtude de os serem maus, se quebra quando surge ocasião de melhor proveito. Mas o medo mantém-se por um temor do castigo que nunca nos abandona[4].

directamente das páginas 89 e 90

Nicolau Maquiavel, O Príncipe // tradução: Fernanda Pinto Rodrigues (texto) e de M. Antonieta Mendonça (comentários de Napoleão Bonaparte) // editor: Europa-América, Mem Martins, 1994


outras observações: livro com anotações de Napoleão Bonaparte
[1] Isso não constitui um problema para mim.
[2] Não preciso de mais que uma delas.
[3] Estão é enganados.
[4] É preciso que o castigo seja imediato.

na corda bamba

13 Jun
13.06.2006

É preciso uma grande pressão para nos levar a compreendermos-nos. Por outro lado, a civilização ensina-nos que cada um de nós vale um preço inestimável. Há, portanto, este dois preparativos: um para a vida e outro para a morte. Por isso nós avaliamo-nos e temos vergonha de nos avaliar-mos. Fomos treinados no silêncio e, se um de nós tira ocasionalmente as suas próprias medidas, fá-lo friamente, como se estivesse a examinar as unhas, e não a alma, franzindo o sobrolho às imperfeições que encontra como se fossem uma lasca ou uma sujidade.(…)
Mas eu tenho de saber o que eu próprio sou.
(…)
Sinto que sou uma espécie de granada humana a que tiraram a espoleta. Sei que vou explodir e estou constantemente a antecipar essa altura, gritando com um desespero fervoroso: «Bum.», mas sempre antes do tempo.
Goethe tinha razão num sentido: a vida que continua significa expectativa. A morte é a abolição da escolha. Quanto mais limitada é a escolha, mais perto estamos da morte. A maior crueldade é cortar esperanças sem tirar completamente a vida.

página 120 e 149

Saul Bellow, Na Corda Bamba // título original: The Dangling Man // tradução: Maria Adélia Silva Melo // editor: Dom Quixote, Lisboa, Dez. 1976

o fim da história

13 Jun
13.06.2006

O problema do cristianismo, no entanto, é que não passa de uma outra ideologia de escravos, isto é, não é verdadeira em determinados aspectos cruciais. O cristianismo não defende a realização da liberdade humana na Terra, mas apenas no Reino dos Céus. Por outras palavras, o cristianismo contém o conceito certo de liberdade, mas, ao afirmar que não existe libertação nesta vida, acabou por reconciliar os servos deste mundo com a sua falta de liberdade. Segundo Hegel, o cristão não tem consciência de que não foi Deus que criou o homem, mas sim o homem que criou Deus. Criou-O como uma espécie de projecção da sua ideia de liberdade, pois o Deus cristão personifica o senhor perfeito de si próprio e da natureza. O cristão, no entanto, acaba por se tornar servo deste Deus que ele próprio criou. Reconciliou-se com uma vida de servidão na Terra, acreditando que seria mais tarde redimido por Deus, quando poderia ser o redentor de si próprio. O cristianismo constituiu, pois, uma espécie de alienação, isto é, uma nova forma de servidão em que o homem passava a servir algo que ele mesmo havia criado, tornando-se portanto um ser interiormente dividido.
O cristianismo, essa última grande ideologia de escravos, deu ao servo uma visão do que deveria ser a essência da liberdade humana. (…) Hegel considerava a sua filosofia como uma transformação da doutrina cristã, já não fundamentada no mito ou na autoridade das Escrituras, mas na conquista pelo escravo do conhecimento e autoconsciência absolutos.

página 199

Francis Fukuyama, O Fim da História // título original: The End of History and The Last Man // tradução: Maria Goes // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Out. 1992 // isbn: 972-42-0562-2

13 Jun
13.06.2006 – Esses mísseis… (Representam qualquer coisa. São coisas belas, compreende, esbeltas e brilhantes, construídas com a máxima honestidade. Foram precisos inúmeros séculos para se atingir um ponto em que o seu fabrico se tornou possível. O facto de transportarem a morte é circunstancial.)
página 129

Poul Anderson, A Hora da Inteligência // título original: Brain Wave // tradução: Raul Sousa Machado // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta, Lisboa

questões: bexigas

13 Jun
13.06.2006

Ao ver o iô-iô de grávidas em peregrinação para a casa-de-banho com um frasquinho de recolha de urina na mão e posterior regresso passados breves segundos já com o dito frasquinho cheio de um líquido amarelado deduzo com uma clareza cristalina que têm um controlo mental do corpo e em particular da bexiga enorme.

Basta dar a qualquer mulher um frasquinho que escorrega lá para dentro urina sem qualquer problema de maior. E se for necessário mais é só pedir que isso arranja-se.

Deve ser por isso que conseguem, também, orgasmos múltiplos.

13 Jun
13.06.2006 Relutante e ensonado abandonei as minhas visões oní­ricas.
página 207

Francesco Sorti; Rita Monaldi, Imprimatur – O Segredo do Papa // tí­tulo original: Imprimatur // tradução: José J. Correia Serra // editor: Editorial Presença, Lisboa, Nov. 2004 // isbn: 972-23-3286-4

12 Jun
12.06.2006

Eu sei que aquilo que escrevo já foi escrito antes, como tudo aquilo que hoje fazemos, salvo raras excepções, já foi feito há muito tempo antes de nós. Tudo é assim na vida. Na literatura também.

José Saramago

insónia

11 Jun
11.06.2006

O cansaço acumulado levou-me à cama às 02.15 horas de ontem.
Mas às 03.42 horas a insónia instalou-se entre os lençóis e nem o mítico copo de leite morno a debelou.

Fica para o próximo domingo o exorcismo do cansaço.

emporio armani

09 Jun
09.06.2006

Hoje vesti as minhas cuecas Emporio Armani e sinto-me igual.

Tenho de experimentar amanhã com as minhas cuecas Calvin Klein.

o processo

09 Jun
09.06.2006

(…) “Esta é a lei. Como pode, pois, haver um engano?” “Desconheço esta lei”, respondeu K. “Tanto pior para si”, replicou o guarda. “E provavelmente ela não existe, a não ser nas vossas cabeças”, volveu K. (…) “Olha, Willem, ele diz que não conhece a lei e, no entanto, declara que está inocente.”

página 10 e 11

Franz Kafka, O Processo // título original: Ein Prozess // tradução: Maria José Fabião // editor: Publicações Europa América, Mem Martins, Jul. 1976

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