tão felizes que nós somos

09 Jan
09.01.2009

Muitas soluções complicadas são pensadas para eliminar ou reduzir o pessimismo dos portugueses. São psicólogos, políticos, se bem que estes não pensem muito, religiosos, não necessariamente padres, enólogos, economistas, juristas, jornalistas, professores, magarefes, futebolistas, treinadores, sociólogos, picheleiros, serventes, amantes, mulheres traídas, maridos de cabeça pesada, nerds, secretárias. E todos têm A solução para a crise que assola a mente dos portugueses.

Hoje assisto em Barcelos a uma alegria histérica elevada a 231%.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

É a frase do dia. É a frase do ano. É o grito do ipiranga barcelense contra o pessimismo e a recessão. De telemóveis 3G, 2G e sem Gs em punho, tal arma de arremesso contra grilhetas estupidificantes, são tiradas fotografias, feitos filmes que inundarão o youtube e os blogs pessoais. Vejo pessoas filhas-da-puta em perfeita comunhão com pessoas bué-de-fixes. Ainda não vejo leões com cordeiros, mas hoje não duvido de nada. Okay, também não vi testemunhas de Jeová em harmonia com católicos, mas vi coisas capazes de fazer tremer qualquer pessoa. A verdade é que também está muito frio. Pode ser disso. Ou não. Tenho as minhas dúvidas.

Não duvido é que basta nevar para tudo ser esquecido. Para as preocupações serem relegadas para sétimo lugar. Tantas teorias. Tanta sabedoria quando apenas um pequeno nevão aumentou animicamente o optimismo dos barcelenses. Agora basta estender a neve ao resto do nosso Portugal.

“Está a nevar.”

“Está a nevar.”

Serão, então, ouvidos gritos de selvajaria únicos e em uníssono os portugueses ficarão optimistas até que a realidade os absorva novamente e se mentalizem, mais uma vez que o Benfica, não ganhará o campeonato de futebol, que os fritos ainda fazem mal, que o IVA ainda está a 20%, que o Pato Donald ainda não casou com a Margarida, que ainda não foi descoberta a velocidade da escuridão, que a gasolina continua cara, que clicar rapidamente no botão de chamada do elevador não o faz chegar mais rápido, que os juros não descem, que o super-homem é na verdade um herói de collants, que continuará a existir anedotas sobre loiras.

1:10

08 Jan
08.01.2009

A decisão foi tomada e no dia 04 iniciei mais uma vez uma demonstração impiedosa de expulsão temporária de activos corpóreos. Só espero que desta vez seja uma expulsão mesmo definitiva. Já estou no quinto dia de luta e devo dizer que não custa muito… Custa muito, mesmo muito. Custa como o caraças. Preferia ficar com os testículos presos no fecho das calças.

Contudo desta feita fiz uma aposta comigo mesmo. Se conseguir vou-me premiar com uma francesinha e uma verdadeira cerveja.

Quando falo em francesinha, não é no sentido carnal, apesar de ela ser recheada com carne, mas sim em sentido gastronómico. E já agora, ressalvando a publicidade, pois a indicação é feita de acordo com os meus apetites, indico em Barcelos uns locais onde ataquei uma francesinha:

  • No Lambreta Bar é onde tenho comido boas francesinhas. A batata vem sempre à parte. Molho é a pedido mas à discrição. E acima de tudo, temos verdadeiras cervejas para acompanhar.
  • No Brasileirinho III é-me servida uma francesinha bastante recheada. O melhor local. Batata à parte a pedido. Há Erdingers para saborear num bom ambiente familiar.
  • No My Place, francesinha saborosa. Foi pena, naturalmente, por distracção ter pedido batata à parte e isso não ter acontecido. Mas houve molho à discrição para compensar.
  • No Café Pelicano comi uma elegante francesinha. Ambiente recatado.
  • No La Fiamma, da primeira vez que me desloquei fui mimado com uma francesinha apetitosa. A melhor que comi até hoje em Barcelos. Na segunda deslocação foi-me apresentado um exemplar diferente. Terei de ir outra vez para tirar as teimas. Comigo há sempre três com duas; ou duas com três.
  • Na Cervejaria Banabóia petisquei uma agradável francesinha. Saliento é a qualidade das chamuças e só por isso vale a pena ir ao Banabóia.

05 Jan
05.01.2009

– Não podes negar a beleza selvagem da destruição.
– Está a defender esta catástrofe?
A Régia encolheu os ombros
– Se a vida funcionasse perfeitamente, como é que as coisas po­diam evoluir? Não somos pós-humanos? As coisas crescem; as coisas morrem. A seu tempo, o cosmos matar-nos-á a todos. O cosmos não tem qualquer significado, e o seu vazio é absoluto. Isso é terror puro, mas também é liberdade pura. Apenas as nossas ambições e as nossas criações o podem preencher.
– E isso justifica as vossas acções?
– Nós agimos pela vida – disse a Régia. – As nossas ambições tornaram-se as leis naturais deste mundo.

página 447

Shismatrix – O Mundo Pós-Humano, Bruce Sterling // título original: Shismatrix Plus // tradutor: Luís Santos // capa: Marta Rodrigues // editor: Editorial Presença, Colecção Viajantes no Tempo, 1º edição (jul.2003) // isbn: 972-23-3044-6

o jogo final

02 Jan
02.01.2009

– Você perdeu peso.
– Um tipo de stress aumenta-nos o peso, outro reduz. Sou uma criatura de químicos.

directamente da página 277

Eu gostava de sofrer do stress que reduz o peso para continuar a comer sem stress.
Mas sou, como sempre, vítima, até na escolha das palavras, inocente de uma qualquer desconhecida circunstância.

O Jogo Final, Orson Scott Card // título original: Ender’s Game // editor: Editorial Presença, Colecção Viajantes no Tempo, 1ª edição (jan.2003) // tradução: Luís Santos // capa: Ana Espadinha // isbn: 972-23-2973-1

boas entradas

01 Jan
01.01.2009

Respirei fundo e, sem pressas, dei meia-volta até à entrada e puxei a porta envidraçada por onde tinha passado; tal como eu esperava, não se abriu.

O Sentido Latente, Nuno Neves, Editorial Presença, página 193

Estamos em 2009. Urra. Mas, quantas vezes desejamos voltar ao passado. Contudo, como, não temos a opção CTRL+Z ou o botão reset só nos resta continuar a nossa marcha inexorável sempre em draft.

Daí que não consiga compreender o desejo “Uma boas entradas“. Sempre que me dizem isso fico um pouco apalermado em responder. Sofro, como que, um lag cerebral. Claro, que acabo por responder um “igualmente“. Mas começo sem demora a repensar se haverá alguma desconhecida aleatória transformação cósmica que ocorra ao passar da meia-noite que justifique umas “boas entradas”. Mas logo me relembro que a contagem do tempo e as suas diferenças horárias são um artifício humano e não cósmico. E o cosmos não deixa nada ao acaso. Se assim não fosse bastava ir em primeiro lugar à Austrália, passar de raspão pela África do Sul e acabar pela terceira vez o último dia do ano em Los Angeles ao arrepio de qualquer regra. Seriam três hipóteses de boas entradas.

O cosmos não brinca como nós brincamos com ele. Em que ficar, então?

Há uma simples resposta. Nós festejamos a entrada de um novo ano, não porque algo vai mudar, mesmo que dependente de circunstâncias fortuitas, mas, só e apenas, para enfardar comida e para emborcar bebida pela simples razão. porque sim.

a voz dos mortos

31 Dez
31.12.2008

– Os ossos são duros e, por si sós, parecem mortos e rochosos, mas ao envolvê-los e puxá-los para junto do esqueleto, o resto do corpo executa todas as actividades da vida.

página 160

“A Voz dos Mortos” é uma obra maior da ficção científica, tendo merecido a Orson Scott Card os prémios Nebula (1986) e Hugo (1987). O autor continua aqui a narrativa épica iniciada em “O Jogo Final”. Desta vez, a humanidade prospera, colonizou já vários planetas e apenas sofre com a consciência de ter exterminado a única outra espécie inteligente conhecida, os insectóides. O nome de Ender, antes aclamado como salvador da espécie humana, tornou-se sinónimo de mal absoluto. Mas ter-se-á realmente aprendido com os erros do passado? A descoberta de um outro povo alienígena, os pequeninos, vem testar o verdadeiro significado da tolerância humana e Ender, porta-voz dos Mortos, poderá ter ainda uma palavra a dizer. Extraordinariamente bem construído, o universo de Ender abrange questões antropológicas, filosóficas e religiosas para revelar um cenário a um tempo cativante e terrível, descrevendo com mestria a complexidade das reacções do ser humano quando confrontado com o que lhe é estranho: numa outra cidade, num outro país…ou a milhares de anos-luz no espaço.

Editorial Presença

turma da mônica

31 Dez
31.12.2008

cascão (i)

Vou pegando às dúzias de cada vez nos mais de trezentos livros da Turma da Mônica que tenho espalhados pela casa, pelo escritório e dedico-me a relê-los. São o meu sonífero. Não estou a trair o meu Zits. Apenas são a sobremesa, porque o prato principal é sempre outro.

Estava a finalizar a leitura de mais um livro do Cascão, mais precisamente o número 239, editado pela Editora Globo em Março de 1996, quando deparo no último quadradinho com a origem do Cascão. Não pude deixar de sorrir e, claro, colocar aqui para recordação este momento.

Ao pesquisar sobre as aventuras actuais da Turma da Mônica sou levado ao portal oficial e a uma revista diferente. a Turma da Mônica Jovem. Agora os nossos heróis cresceram e são adolescentes. A revista é em estilo manga, a preto-e-branco.
Houve algumas alterações nas personagens.
É de destacar duas mudanças importantes: o Cebolinha, ou Cebola como prefere ser chamado, já não troca os “erres” pelos “eles” e o Cascão, apesar de não gostar muito, já toma banho.

(i): vinheta da revista Cascão n.º 239, Editorial Globo, 1986

for the horde!

30 Dez
30.12.2008

Já não pegava realmente no jogo há mais de 20 dias.
Hoje pela 00.43 +/- tive a oportunidade de fazer o achievement “For The Horde”.
Não morri uma vez. Zero wipes. Foi pena não ter lido outros achievements. Se o tivesse feito teria também completado Wrath of the Horde. Ficará para uma nova oportunidade.
A reward – Reins of the Black War Bear – é deliciosa e, assim, já tenho 52 mounts.

smoke

26 Dez
26.12.2008

As velas largaram tanto, mas tanto fumo que o aspecto é o que se vê.

O bolo de anos do meu filho com 11 velas.

extinção iminente

21 Dez
21.12.2008

Por fim, decidiu que não queria morrer daquela forma.
Queria sonhos.
Queria euforia.
Acima de tudo, queria paz.

página 200

Extinção Iminente, Scott Mackay // título original: The Meek // tradução: Luís Santos // editor: Editorial Presença, Jun. 2003 // Colecção Viajantes no Tempo, n.º 8

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