ruínas

29 Nov
29.11.2009

Uma fotografia de um prédio em destruição existente no Largo do Apoio.

lagartixa

28 Nov
28.11.2009

Apenas mais uma foto de uma lagartixa.
São bichos fascinantes. Não são?

selecção

27 Nov
27.11.2009

Existem antigos(as) colegas de escola e não só que se cruzam comigo na rua e me cumprimentam. A minha primeira expressão é uma natural cara de assombro. Questionava-me mentalmente “Mas de onde é que tu me conheces?” Não chegava a nenhum resultado. E à pergunta “Não sabes quem eu sou?”, respondia “Não estou a chegar lá”. Claro que, depois, a pessoa se identificava, se explicava, se localizava no tempo e ocasionalmente despertava eu mim alguma memória, mas, mais frequentemente, nem um farrapo se exibia. O que era constrangedor. Pensei até quarta-feira passada que devia existir um problema comigo. Serei um pouco ou até exageradamente “despistado”? Terei um problema de memória? Porque motivo estou a olhar para ti e a tua face não me diz nada de nada, zero? Porque razão te coloquei num abismo qualquer? – perguntei-me imensas vezes.

paus e caras

Afinal descobri que existe um motivo válido e racionalmente coerente para não ver rostos nas pessoas com que me cruzo e que já fizeram parte da vida social e/ou académica ao longo de já 41 anos. A razão é pela simplicidade de uma beleza etérea e resume-se a não ter considerado essas pessoas como, digamos, uma mais-valia para os meus relacionamentos. E efectuar uma profunda selecção das minhas relações/amizades só me torna especial. Sou diferente nesta selecção “social” e ao ser muito exigente comigo, e aqui está a outra face – nocturna – da mesma descoberta, sou-o igualmente com os meus amigos.

Ficar satisfeito por este romper do sol, apesar de algumas nuvens persistentes, é dizer pouco: fiquei exultante, emocionalmente embriagado. Que continuem as descobertas.

um par

25 Nov
25.11.2009

A minha filha tinha acabado de descalçar as botas para saltar na cama e estragar um pouco mais as molas do colchão. Ficou registado a pré ousadia.

a clínica do terror

22 Nov
22.11.2009

– É assim tão fácil adivinhar os meus pensamentos.

página 78

Mary Higgins Clark assina uma obra de ritmo alucinante.
É, digamos, um livro a resvalar para literatura de aeroporto ou de sala de espera de consultório médico, ou da paragem do autocarro, acho que já se percebeu a ideia, mas sem atingir a mediocridade de algumas obras do mestre King.

A história está bem urdida e convenceu-me sem qualquer dificuldade, apesar de estar actualmente numa de comer livros a uma velocidade doentia; e não sou fácil de ser convencido – acho eu!

21 Nov
21.11.2009 Quando Philip deixou de crer no cristianismo, sentiu que um grande peso lhe fora tirado dos ombros; despojando-se da responsabilidade que sobrecarregava cada acto, quando cada acto era de infinita importância para a salvação da sua alma imortal, experimentou uma viva sensação de liberdade. Mas agora sabia que isso fora uma ilusão. Ao abandonar a fé em que fora criado, mantivera intacta a moral que era sua parte integrante. Resolveu, então, pensar por si mesmo sobre as coisas. Determinou não se deixar influenciar por preconceitos. Descartou-se de vícios e virtudes e rejeitou os princípios assentes do bem e do mal, com a ideia de encontrar por si próprio uma norma de vida.
A Servidão Humana por Somerset Maugham

Obra poderosa que foi, na semana passada, relida com os mesmos olhos, mas com outro saber; são mais 20 anos em cima das costas.

picada mortal: a começar a leitura

19 Nov
19.11.2009

Wolfe levantou a cabeça. Menciono este pormenor porque a sua cabeça era tão grande, que levantá-la nos parecia obra de peso. Na realidade talvez fosse ainda maior do que se nos afigurava, pois o resto do corpo era tão avantajado, que, se tivesse a coroá-lo outra cabeça que não fosse aquela, passaria inteiramente despercebida.

página 5

Adoro as histórias de Nero Wolfe, criação máxima de Rex Sout. Adoro-as porque as histórias estão impregnadas de um humor cintilante; adoro-as porque Nero Wolfe é uma personagem cheia de idiossincrasias apetitosas.
Iniciei outra história – Picada Mortal – que parecer ser, mais uma vez, um mistério deslumbrante e que logo nas primeiras páginas oferece ao leitor algo mais sobre o modo de vida peculiar e invejoso de Nero Wolfe.

Fritz começou a trazer a cerveja, seis garrafas de cada vez num tabuleiro. Após a terceira remessa, sorri de novo, ao ver Wolfe olhar para a formação de garrafas alinhadas na mesa, e para Fritz, que saía. Mais dois tabuleiros cheios, e Wolfe deteve a parada:
– Quer fazer o favor de informar-me, Fritz, quando isto acabará?
– Muito em breve, sir. Faltam apenas dezanove, pois são quarenta e nove ao todo.
– Disparate! Desculpe, Fritz, mas não há dúvida de que é um disparate.
– Sim, sir. O senhor disse-me que trouxesse uma garrafa de cada qualidade que pudesse obter, e eu fui pelo menos a treze lojas.
– Está bem, traga-as. E algumas bolachas de água-e-sal, também. A nenhuma faltará oportunidade, Fritz; não seria justo.
Ao saborear a quinta marca, estalou os lábios e levantou o copo, para ver à transparência o líquido ambarino.
– Eis uma agradável surpresa, Archie. Se me dissessem, não acreditaria. É, aliás, uma das vantagens de se ser pes­simista. Enquanto um pessimista só tem surpresas agradáveis, um optimista só as tem desagradáveis. Até agora, nenhuma das cervejas que provei era água de esgoto, e comecei pelas mais baratas.

página 6

jardim

16 Nov
16.11.2009

Uma de muitas fotografias do jardim do Museu de Serralves.
Um espaço de eleição para uma requintada contemplação.

siddhartha

15 Nov
15.11.2009

– Siddhartha – disse -, tornámo-nos homens velhos. Dificilmente nos voltaremos a ver nesta forma. Vejo, querido amigo, que encontraste a paz. Reconheço que eu não a encontrei. Diz-me, Venerável, uma derradeira palavra, dá-me algo que eu possa compreender! Dá-me algo para o meu caminho. Ele é muitas vezes penoso, muitas vezes obscuro, Siddhartha.

página 125

Um dos melhores livros que li nestes últimos 15 dias. São apenas 127 páginas, mas com uma profundidade poética, mística, humana incrível. Não admira que seja a obra mais conhecida de Herman Hesse. No final da leitura, após ter fechado o livro e o pousar na mesinha de cabeceira, abateu-se sobre mim uma tristeza enorme, sufoquei em lágrimas. Ainda não estou curado, se é que estarei alguma vez, desta melancolia que continuamente se abate sobre mim e me faz pensar onde pára essa plenitude espiritual, essa paz interior que pensava possuir com 18 anos, mas que era, descobri depois, uma má-fé ao estilo sartreano. Serei outra vez feliz ou vivo à espera de relances muito ténues de felicidade?
Engraçado que em 2006 sofria do mesmo desalento. É crónico já o sei.

Apenas uma aparte…
A páginas tantas do “Siddhartha” lembrei-me da busca do Ser expressa com um toque de humor. Jean-Jacques Loup no seu álbum “Tempos Difíceis”, editado pelas Publicações Dom Quixote na colecção HUMOR com humor se paga, n.º 20, 1985, tem esta prancha apetitosa.

jean-jacques loup


Imagem por Jean-Jacques Loup

a serpente de plumas

15 Nov
15.11.2009

Tivera já problemas difíceis de resolver, porém nenhum o manteve desperto a noite toda.

página 129

Foi outro livro que não me convenceu, mas por motivos diferentes da obra de Rodrigo Guedes de Carvalho.

“A Serpente de Plumas” de Edgar Wallace editada em 1927 tem em Peter Dewin a personagem principal e quando não há empatia com ela o resultado é arrumar o livro sem apelo nem agravo.

© 1999.2020 porta VIII. todos os direitos reservados. alimentado pelo wordpress | alojamento por oitava esfera
beam me up, scotty!