(…) Quando digo que sou agnóstico, só quero dizer que as provas não chegam. No há provas compelativas de que Deus existe (…) e não há provas compelativas de que não existe. Como mais de metade das pessoas da Terra não são judaicas, ou cristãs, ou muçulmanas, eu direi que não existem quaisquer argumentos compelativos para a vossa espécie de Deus. Caso contrário, toda a gente da Terra teria sido convertida (…) se o vosso Deus quisesse convencer-me, podia ter feito um trabalho muito melhor.
Contacto por Carl Sagan

papagaio

Um papagaio no 4º Campeonato Ornitológico Internacional C.O.M do Atlântico realizado em Barcelos de 30 de Outubro a 1 de Novembro de 2009.

in purple tones

Na praia de Esposende um vento frio fazia a areia voar. Tive de me refugiar numa tenda para tirar algumas fotos.

Acho que consegui algumas fotos catitas e a boca cheia de areia – desagradável efeito secundário.

(…) o poço da criação. O reservatório da vida, que é Deus. Alguma vez pensaste que acreditas em Deus? Acordastes alguma vez no meio da noite a dizer Sim, sim, no fim de tudo “há” qualquer coisa. Creio, creio! Não falo de ir à igreja, compreendes-me. Ir à igreja, hoje, não é mais do que um reflexo condicionado, um trejeito, um tique. Falo da fé. Da crença. O estado de iluminação. Também não falo de Deus como se fosse um velho de longos bigodes brancos. Refiro-me a qualquer coisa abstracta, uma força, uma potência, uma corrente, um reservatório de energia por detrás de tudo e ligando tudo. Deus é esse reservatório (…) está cheio de calor e poder, é acessível àqueles que sabem como chegar até ele. Platão soube alcançar o reservatório. Van Gogh, Joyce, Schubert, El Greco. Alguns poucos felizes sabem como alcançar. A maior parte de nós não sabe. Para os que não podem Deus morreu. Pior: para eles, Deus nunca existiu. Ó Cristo como é terrível estar encurralado numa época em que toda a gente se comporta como se fosse uma espécie de morto-vivo (…) Odeio-a. Odeio todo este fedorento século XX, sabes? Estou a falar com algum sentido? Pareço terrivelmente bêbado? Estou a envergonhar-te (…)
Os Jogos do Capricórnio por Robert Silverberg

spider

Custou repelir a repulsa para fotografar este bicho.
Felizmente, talvez, devido ao frio estava quieta e a foto saiu sem sobressaltos.

a imortalidade (…) é o que se vive enquanto a morte não chega.
Vida e Morte dos Santiagos por Mário Ventura
Tanto eu como você já vivemos o suficiente para não corrermos a foguetes como dois galos tontos. Se há revolução desfaçam-na os que a fizeram. Que necessidade temos nós de meter o nariz na merda dos outros? As revoluções está visto e provado, nunca transformaram nada, sobretudo aqui, aonde nem chega o eco dum peido real. Faça como eu: deixe-se estar quieto e espere com calma, e as próximas notícias já serão melhores do que as primeiras.
Vida e Morte dos Santiagos por Mário Ventura

hitman

Adaptações de jogos de vídeo podem ser coisas boas ou não. Como nunca fui fá ou sequer joguei Hitman pensar nisso não foi a minha maior preocupação.

Até gostei do filme. É um filme a raspar o catita. Cobicei constantemente a falta? de penugem na carola do hitman pela ausência de trabalho que dá o tratamento de uma cabeça assim. Como já tenho um zero considerável no topo da minha cabeça e o meu cabeleireiro não consegue transformar aquilo num 8, aquele deserto de cabelo seria para mim um oásis. Bem tento de vez em quando aparecer em casa com um pente 1, mas a mais-que-tudo afirma veemente que tenho uma bola de bowling em cima do pescoço com 5 buracos.

Pois, o filme… foi divertido até sem pipocas.

como foi possível?

Como é que eu consegui crescer sem traumas sem um ovo Kinder oferecido pelo meu pai à saída da escola? Como consegui ultrapassar a puberdade sem o creme Clearasil? Como sobrevivi à entrada na vida adulta sem o Facebook, o Twitter, o Hi5, o Myspace? sem a rede 3G? sem o verbo “coisa” ou o verbo “tipo”?

Como foi possível? Ou vivo numa inocente ilusão e não tive uma doce e equilibrada infância, uma utópica adolescência, uma ultrapassagem tumultuosamente anárquica para os 18 anos?

Será por causa disso que sou obsessivamente metódico, que adoro banda desenhada, que mato sucessivamente nos meus contos personagens anónimas sem qualquer espécie de remorso? Será por esse engano do pensamento que planeio a médio/longo prazo? que optei por casar e não “me juntar”, que assumi ser duplamente pai? Será?

Tenho uma certeza. Continuo obcecado pela imagem daquele ovo Kinder exibido num spot publicitário. Vou refastelar-me emocionalmente com um ou dois por via das dúvidas.

(…) de vez em quando tudo isto me parece irreal. Vem-me um tal sentimento de irrealidade. Sou eu. Às vezes assisto-me a viver como se eu fosse outra. Um desdobramento de imagens.
Viver com os Outros por Isabel de Nóbrega