xvi salão internacional de bd de viseu

20 Set
20.09.2009
xvi salão bd viseu

xvi salão bd viseu

Adoro banda desenhada de tal forma que foram feitos 390km (ida-e-volta) para atingir as instalações do IPJ em Viseu. E chegado aí sofri a primeira e única desilusão: a inexistência da feira do livro. É lamentável que não tenha sido colocada está informação num qualquer lugar deste vasto universo virtual tendo em conta que a organização já sabia desse facto 15 dias antes do salão iniciar. Desilusão porque desejava ter os meus “novos” exemplares de Pedro Massano autografados; única porque o que me levou a visitar o salão foram vários factores.

xvi salão bd viseu

salão de banda desenhada de viseu

A responsabilidade do salão é do GICAV- Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu. É um salão parco, isento de luxos, mas importante para a divulgação e promoção da banda desenhada. E sendo, digamos, um salão mais intimista permitiu-me sentir com outro olhar e outra proximidade os autores de banda desenhada.

Pude, igualmente, iniciar com um “bonjour” uma suave conversa com Alexandru Ciubotariu enquanto este me desenhava in loco uma pequena brincadeira.

alexandru ciubotariu

Pedro Massano foi o homenageado desta edição do Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu; jornalista, editor, ilustrador, autor, crítico e divulgador de banda desenhada, nasceu em 15 de agosto de 1948, em Lisboa teve o seu primeiro álbum editado em 1977, “A Primeira Aventura no País de João”, segundo textos de Maria Alberta Menéres, pela Comissão Organizadora do Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas, com a impressionante tiragem de 500 mil exemplares, provavelmente uma tiragem sem paralelo no nosso país.

breve discurso de pedro massano após receber o prémio

Pedro Massano também me “ofereceu” um desenho que tem um fait-diver. Depois de realizar o esboço inicial do desenho a lápis, pegou na caneta de feltro preta para cobrir os traços do lápis. No final dessa tarefa a palma da mão suja com um pouco de tinta da caneta deixou umas pequenas manchas na folha de papel. Eu quando vi aquilo congelei, “não acredito nisto, que merda!”- pensei. “Está manchado.”- disse-me, logo de seguida, um Pedro Massano aborrecido. Então em traços rápidos limpou com uma fantástica criatividade as manchas com um novo desenho. Ganhei como que um 2 em 1.

pedro massano

Acabei por adquirir, foi a minha única compra, dois fanzines da Luminus Box. Catarina Guerreiro, Tânia Guita, Telma Guita e Sara Martins, as Luminus Box, foram convidadas para representar no salão a bd Manga.

Comprei com imenso prazer os dois fanzines e gostei bastante de inicialmente os folhear e depois de os ler criticamente.

Como tinha de arrancar para Barcelos e porque fui, eu e os outros, simpaticamente afastado da presença delas: era hora do jantar dos convidados do salão e eu tinha de regressar a Barcelos, não tive a oportunidade de pedir um desenho a cada um das Luminus Box – foi uma visita à médico.

mundos de fantasia

Como pequeno aparte gostaria de ter uma camisola, xxxl, com os dois gatos desenhados por Tânia Guita; dois porque a sombra tem vida própria. Fiquei com a impressão que a aventura do Arlequim e o episódio “O Torneio dos Clans” por Telma Guita foram desenhados directamente no pc [1].

mundos de fantasia

mundos de fantasia

O que difere assim sendo do registo das outras Luminus. Mas torna transforma, também, a “box” numa caixa de pandora. Se no segundo fanzine Catarina Guerreiro revela-nos personagens e ambientes muito mais trabalhados, Sara Martins desenvolve a história com desenhos fluídos. É uma apetitosa macedónia de estilos que me obriga a manter a “box” debaixo do olho.

Ao pesquisar sobre o salão descubro, tardiamente, que estive ao lado do criador do agradável blog Divulgando Banda-Desenhada.
Gostava de lhe ter perguntado pessoalmente como posso adquirir os fanzines distribuídos na Tertúlia BD de Lisboa.
Já o devia ter feito à mais tempo, mas segue hoje o meu pedido por email/comentário.


upDate 22.09.2009
[1] No seguimento de informação fornecida por Tânia Guita aka Telnia transcrevo a sua resposta à minha dúvida:
“foram digitalizados e depois trabalhados no Photoshop”

zona 84 e connie lingus

18 Set
18.09.2009

Continuando o reencontro com as revistas Zona 84 adorei rever Bruce Jones e a sua deliciosa Connie Lingus. Connie Lingus é uma crítica brejeira e imperdível sobre o puritanismo sexual dos comics.

O ataque ao puritanismo começa desde logo no nome da heroína. Connie Lingus tem a mesma sonoridade que cunnilingus [cunilíngua, em português] que significa estimular os órgãos sexuais femininos com a boca ou com a língua.

Connie Lingus [1973] são as aventuras de uma avantajada donzela ruiva vítima das piores agruras. Nunca estando totalmente vestida, sempre nua do umbigo para baixo, desperta os maiores desejos sexuais em qualquer criatura possuidora de um falo; seja um polvo, uma cobra, um gorila, um ET, um robot ou um humanóide. Com desenhos de traços simples, mas fortes é de louvar a forma como Bruce Jones numa prancha cria, desenvolve e finaliza uma episódio verdadeiramente insólito na vida de Connie Lingus. E é esta simbiose que me fascina.

connie lingus

connie lingus

Ao pesquisar na www sobre Bruce Jones e a sua Connie Lingus não encontrei referências por aí além e zero imagens no Google. Na wikipedia apareceu-me um Bruce Jones, mas ligado a uma fase do Hulk (2001-2005). Seria o mesmo autor? Ao efectuar nova pesquisa, mais a fundo(?), tenho acesso a isto:

Seguirá dibujando, pese a todo, relatos cortos y series (como aquella Connie Lingus memorablemente paródica, digna réplica en tebeo al Flesh Gordon de la gran pantalla), pero su ocupación principal será la de escritor.

arena

arena

E nessa mesma página a imagem da capa de uma graphic novel (n.º18) “Arena – A Dimensão do Terror” editada pela Abril Jovem em 1989 de Bruce Jones (história e desenhos) e Paul Mounts (cores). Chegado aqui fui à estante dos livros, ainda, não arrumados à procura d’Arena. É de concluir que é o mesmo criador e que a wikipedia está omissa na biografia de Bruce Jones.

“Arena” tem o mesmo estilo visual de Connie Lingus, mas com outra qualidade e detalhe nos desenhos. As personagens, principais são, também, femininas e a revelação sem pudor de partes dos corpos femininos é uma constante.

geladinhas

14 Set
14.09.2009

Há várias coisas que gosto bem geladinhas.
Uma é a cerveja. A cerveja tem de estar estupidamente gelada para ser apreciada na sua plenitude.

Outra é a travesseira. Parece uma grande estupidez, mas a primeira coisa que faço depois de me deitar na cama é colocar para cima a parte da travesseira que estava sobre os lençóis. É a parte mais fresca. E sentir essa frescura ajuda-me a receber mais rápido a visita de Morfeu.
Se acordar a meio da noite repito o procedimento.

E isso sabe-me, mesmo bem. Porque será?

zona 84 e richard corben

14 Set
14.09.2009

É a passo de caracol, mas irei em qualquer ano futuro catalogar os meus livros.
Hoje terminei o registo informático das revistas Zona 84 da editora espanhola Toutain Editor. Na generalidade são revistas de fraca qualidade.
Na Zona 84 descobri bons criadores, boas histórias, mas havia com demasiada regularidade em 92 páginas muito pouco sumo. E por apenas 10 páginas não compensava comprar a revista. Mas sem juízo este senhor, eu mesmo, ainda esperava que o próximo número fosse o TAL número. Nunca o eram. Não tenho desses tempos revistas soltas da Zona 84, da Cimoc ou mesmo da Comix. Eram vendidas no alfarrabista em troca de álbuns de capa dura de banda-desenhada da Bertrand.

Contudo à uns anos atrás na Rua Galeria de Paris, Porto, comprei na excelente, mas e infelizmente já inexistente, Casa do Livro, várias revistas em pack de três da Zona 84, Cimoc e Comix.

Nesse ano reencontrei-me com Richard Corben (n. 1940) e o seu Den. É complicado adjectivar o quanto esta saga é espectacular, louca, divinal, sublime… and so on.
As vinhetas de Corben têm de tal forma um colorido único e os corpos têm tanto de detalhe quanto de nudez que parecem ser tridimensionais. 

Den [David Ellis Norman] apareceu pela primeira vez num filme de apenas 11 minutos intitulado “Neverwhere” (1968) – Não confundir com o excelente romance de Neil Gaiman.
Den é um palerma tótó do planeta Terra que tem a sorte, digo eu, de ter um tio chamado Daniel – doido pelas obras de fantasia de Burroughs, sim, Edgar Rice Burroughs não criou apenas O Tarzan – que lhe deixou um conjunto de esquemas que lhe irão permitir criar uma máquina que abre um portal para outro universo. E, sem qualquer novidade, Den assenta em Neverwhere e miraculosamente deixa de ser um adolescente caixa-de-óculos para ser um careca nu e musculado e um mestre em artes marciais. Aí começam as verdadeiras aventuras de Den que são, e copiando Bob Fingerman, “a timeless adult fantasy epic”.

Hoje ao pesquisar sobre Corben e Den descubro comentários críticos com uma qualidade de adjectivação fenomenal. Ainda tenho muito a aprender e não sou loiro. Mea culpa. Mas vejamos os ditos:

Den é “Conan on Viagra”

por Tim Pilcher – isto é um grande e imaginativo elogio.

Den’s stories seem to wander aimlessly, with a minimal plot that weaves scenes of heroism, sex and action while giving unlimited power to the imagination of the author in the design of scenes and characters and the graphic experimentation. And graphically they do have great impact, but taken as a whole… they are more or less … mental masturbation.”

por Alberto García Marcos.

Aqui fiquei na dúvida se estou estava perante um elogio ou não. E, ainda, estou fiquei a duvidar; o que é mal, porque tudo o que pensava sobre Den desabou. Ah!!, mas o eu solipsista que duvida é uma certeza indubitável – “Cogito Ergo Sum”; o que é bom, porque posso agora criar uma certeza/verdade irrefutável: Den é bom, muito bom.

E, por último, D. Aviva Rothschild considera que o único problema de Den é

the ludicrously large breasts of the two women…

D. Aviva Rothschild

A única crítica válida, porque Den devia ter mais dessas coisas “ludicrously”.

hat

13 Set
13.09.2009

Grande guarda-sol nas margens da piscina. O local ideal para ler um livro depois de um fresco mergulho.

lacertidae

13 Set
13.09.2009

Actualmente é uma lagartixa morta. A razão é simples: sobrevivência dos mais aptos.

O meu pai perante o grito apocalíptico da neta arrojou-se de vassoura em punho e pumba arrebentou as entranhas do bicho. Fica a foto para a posteridade.

white & green

13 Set
13.09.2009

No Algarve. Não me recordo do local.

comer gelados

09 Set
09.09.2009

Relutantemente acordado, ainda eram 14.05, feri de morte um gelado perna-de-pau.
O calor a isso me obrigou. E é sempre adorável sentir nos lábios e na língua uma doce frescura. E ao trincar a ponta do gelado reflecti se o jeito como atacamos um gelado diz algo sobre a nossa personalidade.

Andarei a revelar os segredos da minha alma pela forma como mordo os gelados?

já vou

07 Set
07.09.2009

Já = Neste instante, agora. imediatamente, sem demora, no mesmo instante. (ver priberam)

O meu filho, talvez por causa dos seus 11 anos, ainda não abraçou a filosofia do “já”. O “já” para ele é quando for; quando tiver de ser. O “já” dele ocorre essencialmente depois de tudo; depois da televisão, depois do wow, depois do guitar hero. E, com algum cansaço meu, poderia verificar-se nunca.

– Vai já lavar os dentes.
– Vou já.
– Já lavaste os dentes? Já vou, pai.

Aqui o “já” significa quebrar o tempo. É um “já” à Matrix. É um “já” “bullet time”. Este “já” demoraaaaaaaa bué e como tal é explosivamente enervante. É um “já” criador de cabelos brancos e de um violento e ruidoso suspiro.

Agora que escrevo isto já estou melhor. Até quando?

apontamentos

04 Set
04.09.2009

Com coragem e farta ousadia ataquei dois livros que já tinha tentado concluir. Há leituras que não pegam de raiz. O mesmo acontece com a música. Não estando para lá virado o apetite não aparece. A culpa pode ser mais do leitor do que do livro. Mas que não pega, não pega. Pode ser que um dia, improvável digo eu, mas pode ser que um dia, esse e outros livros sejam lidos.

O primeiro é “A Idade de Ouro”, John C. Wright. Sei que é uma obra excelente. Um grande apreciador de fc já me tinha falado do livro. De quanto ele é espectacular. Mas a verdade é que não me encantou o suficiente para avançar da página 30/39 pela segunda vez. E como tal “A Fénix Exultante” ficou, igualmente para depois.

O segundo é “O Codex 632”, José Rodrigues dos Santos. Perdi como que o tes[pii] nas cenas de sexo escaldante com a sueca. Ler

Numa reacção quase animal, Tomás sentiu o desejo tomar instantaneamente conta da vontade e apalpou-lhe o peito farto como quem espreme um fruto sumarento e espera que dele jorre o suco leitoso, mas a sueca afastou-o com um sorriso picante.

página 237

não me dá pica. É como estar a ver um filme de morte, horror, violência e de repente sem aviso aparente assistirmos a 10 minutos de sexo ardente, a uma exibição gratuita de mamilos e tudo o mais que vem no pacote. Enfim, filmes à Greta Scacchi. É fácil deduzir que a sueca não seria coisa boa, que atendendo aos problemas em casa Tomás facilmente molharia o pincel fora do penico e para mim isso bastava, mas não, tínhamos de ter texto ao quase estilo Fanny Hill. Arrumei o livro apesar de loucamente ter atingido a página 299.

Como hoje a minha filhota me pediu uma revista das Winx – sim, eu sei que ela tem apenas 3 anos e 2 meses – para ler(?) lá me desloquei à Milionária para a oferenda. E o que vi lá? O volume I (“A Rapariga no Tombadilho”) da nova edição ASA/Público d’ “Os Passageiros do Vento”. E desde já digo que não sou partidário de adquirir novas edições de obras que já tenho. Excepto se for uma grande mudança relativamente à edição original. Sei que a minha colecção de 1987 já não me permite tentar reler com satisfação as aventuras de Isa, porque e como diz Bongop e muito bem “começa a cola da lombada a fazer barulho de batatas fritas…”. Mas só isso não seria para mim motivo válido para a aquisição da nova edição. Contudo, o livro estava tristemente isolado, apesar de junto a diversos jornais, e ainda devidamente protegido; e já tinha visto as novas capas no Leituras de BD; e como tal já me tinham dado os desejos tal grávida-de-fim-de-tempo de ler “Os Passageiros do Vento”; e, assim, sem receio de represálias comprei voluptuosamente “A Rapariga no Tombadilho” e encomendei os restantes volumes. E já foi uma leitura novamente deliciosa.

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