song of a hyperborean

05 Nov
05.11.2008

“I come from a land in the sun-bright deep,
Where golden gardens glow,
Where the winds of the north, becalmed in sleep,
Their conch shells never blow.”

Song of a Hyperborean, Moore

luminosas

31 Out
31.10.2008

Há palavras ou frases que quando ditas no adequado contexto expressam todos os nossos sentimentos de forma clara e cristalina. O exemplo máximo é o “foda-se“. Não o digo eu, mas Millôr Fernandes.

Andava o meu filhote na pré-escola quando me aparece a dizer “dah“, “tu és mesmo dah.
Passados mais uns tempos era a expressão “tecla 3.

À pouco tempo ouvi de um amigo: “Cortem-me os pulsos.“ Esta expressão traduz um espanto absoluto.

Não hajam, pois, dúvidas; a língua portuguesa é rica. Ou, talvez, sejam os “tugas” falantes bastante criativos ou, seja a prova de serem isentos de imaginação.

os vigilantes do imaginário

23 Out
23.10.2008

Grandes tolas tentaram explicar o sentido da vida. A razão do viver. A força motora que nos faz existir. Foram escritos grandes tratados. Milhentas linhas discorreram sobre o viver, o nascer.

Finalmente alguém explica tudo. Estas palavras ditas de forma singela resumem o problema e fecham a discussão para sempre:

A vida é uma merda. E depois, morre-se.

página 104

Pat Cadigan, Os Vigilantes do Imaginário // Livros do Brasil, Colecção Argonauta n.º 552

“sou homem: penso, sinto e ajo”

15 Out
15.10.2008

Os mais atentos têm seguido com atenção o inferno de António Balbino Caldeira. A sua vitória é a nossa vitória. António Balbino Caldeira mostrou, dolorosamente, que temos o direito de opinar.

Estas suas palavras não devem ficar esquecidas e como tal tomo a ousadia de as pedir “emprestadas”.

Sou homem: penso, sinto e ajo. Sou cristão: não acredito na vingança. E sou cidadão: livre. Nada de pessoal. Com base naquilo que foi publicado, escrevi sobre aquele que é o maior escândalo do pós-25 de Abril em Portugal: em defesa das crianças; dos denunciadores do Horror dos abusos de décadas sobre centenas de meninos órfãos e indefesos, numa instituição do Estado criada para os proteger; e dos corajosos investigadores da Polícia Judiciária e magistrados que ousaram resistir aos ataques do poder político.

Comento factos públicos: não acuso porque não sou do Ministério Público; nem julgo porque não sou juiz. Por isso, não imputo crimes a ninguém. Mas, como cidadão livre, posso opinar sobre os factos, não me sujeito a qualquer censura e não me vergo perante o poder, nem sequer em processos políticos. Tenho o direito à liberdade de expressar a minha opinião sobre factos e, até creio, a obrigação cívica de intervir politicamente.

Os meus sinceros parabéns.

parou

13 Out
13.10.2008

Hoje as funções corporais do meu corpo congelaram.
Estava no bar a trincar um pão com manteiga e a beber um copo de leite quando alguém muda de canal e sou invadido pelos sons das festividades de Fátima.

Congelei por um 1 segundo. Estou melhor, mas ainda sinto-me como que muito mal.

banho matinal

29 Set
29.09.2008

Há, pelos menos, duas más razões para detestar tomar banho de manhã.
.fico sempre enregelado. Depois de um noite boa ou mal dormida o corpo está letargicamente acordado.
.fico sempre avermelhado. O meu organismo tem perante qualquer gel / champô / sabonete / sabão uma sensibilidade anormal.
Há, pelo menos, uma boa razão para detestar tomar banho de manhã.
.tenho de acordar mais cedo.

meu & dela

28 Ago
28.08.2008

Por que é que quando os filhos se portam mal ou são chatos, aborrecidos, barulhentos são filhos dela? E quando se portam bem são nossos?

barrigas

25 Ago
25.08.2008

Ainda não está provado cientificamente.
Mas, socialmente, para as grávidas e ex-grávidas uma mulher prenhe com barriga redonda indicia que vai parir uma rapariga enquanto uma barriga bicuda é sinal manifesto de futuro macho.

nem salivar?

18 Ago
18.08.2008

‘Mas que é isso. Não deitas nada ao chão, nem saliva’, disse a mãe, com o olhar de aprovação do marido, ao filho, que tinha acabado de atirar para o chão a embalagem de um rebuçado.

uma anónima

Isto é grave. Quando a um miúdo lhe é negada a possibilidade de cuspir é vota-lo ao ostracismo. Um bom português é exímio na arte da cuspidela, do bom arrotar. Coçar as bolas em andamento na via pública é outra arte secular muito portuguesa. Mas disto poderei falar noutra altura.

Os povos orientais podem ter o Kung Fu e o panda, mas nos temos o arrojar saliva com mestria. Sei de fonte segura que está em elaboração a FPBC – Federação Portuguesa do Bem Cuspir. Não sei é se o mundo está preparado para abraçar esta arte como desporto olímpico. Mais por medo de humilhação. Naturalmente.

Tenho a convicção de que apesar das modalidade tradicionais terem demonstrado neste Jogos Olímpicos atletas sem nenhuma arte na sua prática, mas imenso engenho nas desculpas, foi a égua histérica, foi a unha encravada, foi as saudades do gato, foi o não ter deixado comida aos peixes, foi o isto não ser para mim, foi o calor, foi o frio, foi a cama, foi a água fria, foi foi foi foi, isso nunca aconteceria no lançamento do cuspe livre. E se as houvesse, as desculpas claro, seriam ditas com classe, com elegância. Seriam tipo: os caracóis não estavam al dente, a cerveja estava quente, só bebo superbock e não cerveja lagarto, o ambiente é diferente da calçada da tasquinha da esquina, não tinha o buço da tia Maria para me dar forças, entre outras que revelariam a pujança de um bom português.

single & single

17 Ago
17.08.2008

– Porque é que não lhe dá uma saída e poupa assim tempo e trabalho?

página 262

Já não lia Le carré há muitos anos; autor que era considerado, antes da queda do muro de Berlim, um mestre em histórias de espionagem. A compra desta obra foi feita com esse pensamento.
Desiludiu-me. Desiludiu-me porque coloquei a fasquia alta de mais. O prazer tido na leitura de outras suas obras não é colhido nesta leitura – já o sabia de outros autores.
Single & Single é um livro de leitura fácil, relaxante, que me deu o mesmo prazer que o intervalo de um bom jogo de basquetebol. Ou seja ter tempo suficiente para uma “mija” e para buscar uma nova cerveja geladinha.

Single & Single, John Le Carré // tradução: Helena Ramos e Artur Ramos // editor: Círculo de Leitores, Abril 2000

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