forte vs gordo

17 Abr
17.04.2009

A caminho de casa e ao passar junto a camiões carregados com carrosséis para as próximas Festas das Cruzes a minha mulher diz à nossa filha:
– Já viste Margarida os camiões com os carrosséis para depois tu brincares?
– Mas eu tenho medo. E sem demora diz em tom trocista: – Não tenho não. Pai, tu podes ir comigo, não podes?
– Claro que posso ir Margarida.
– Mas tu és gordo. Olho para ela com uma cara de estupefacção e ela returca:
– Poooisss tu és forteeee. Gordo é o Sérgio Go’dinho.

Claro que dei boas e valentes gargalhadas.

remanescente

16 Abr
16.04.2009

Porque estava eu tão obcecado com a morte deste homem que ­nunca conhecera? Não parei para interrogar-me sobre isso. Claro que eu sabia que tínhamos coisas em comum. Ele fora atingido por uma coisa, ferido, atirado ao chão e perdera a consciência – eu também. Ambos passáramos para uma zona de escuridão total, silêncio, vazio, sem memória e sem previsões, um local fora do alcance de qualquer tipo de estímulo.
(…)
No entanto, reduzir todo o meu fascínio por ele à experiência que partilháramos seria contar apenas metade da história. Menos de meta­de. A verdade é que, para mim, este homem tornara-se um símbolo de perfeição. Podia ter sido desajeitado ao cair da bicicleta, mas ao morrer sobre o alcatrão, ao lado dos postes, ele fizera o que eu teria desejado fazer: fundira-se com o espaço em seu redor, mergulhara e escorrera para dentro dele até já não haver distância entre ambos – e fundir-se, também, com as suas acções, fundir-se ao ponto de já não ter consciên­cia delas. Deixara de estar separado, removido, imperfeito. Eliminara o desvio. Então, tanto a mente como as acções transformaram-se em pura estase. O ponto em que isto acontecera era o grau zero da perfeição – de toda a perfeição, aquela que ele conseguira atingir, aquela que eu desejava, aquela que qualquer outra pessoa desejava mas simplesmente não tinha noção de desejar e em qualquer caso não tinha oito milhões e meio para a perseguir, mesmo que tivesse noção dela. Por isso precisava de reconstituir a sua morte: por mim, sem dúvida, mas também pelo mundo em geral. Ninguém que compreendesse isto poderia acusar-me de não ser generoso.

página 155

Terminei a leitura da obra “Remanescente”. É um livro único não só pela espectacular história, mas também pela enorme e infindável riqueza dos pormenores. É fascinante assistir às reconstituições/duplicações de lembranças e acontecimentos criados pelo protagonista.


Remanescente, Tom McCarthy // título original: Remainder // editor: Editorial Estampa, Colecção Promoteu, n.º 31

tree

12 Abr
12.04.2009

Uma árvore a comer? um candeeiro.
Algo estranho?

roulotte

10 Abr
10.04.2009

Roulotte plantada em Barcelos.

walls

08 Abr
08.04.2009

Entre paredes. Barcelos

one foot

06 Abr
06.04.2009

Fotografia tirada via vidro no tecto do Motel Horly após um extenuante combate.

two windows

06 Abr
06.04.2009

Gostei de fotografar esta fachada que não deve existir por muito mais tempo.

box

01 Abr
01.04.2009

Caixa e caixas? No parque da cidade de Barcelos.

livros

26 Mar
26.03.2009

Hoje numa mini-feira de livro usado adquiri, ao preço de 1 euro a unidade, 3 livros, que julgo serem, interessantes.

  1. A Morte de um Apicultor, Lars Gustafsson
  2. O Cônsul Honorário, Graham Greene
  3. Terra Bendita, Pearl S. Buck

Nunca li nada de Pearl S. Buck, vencedora do Prémio Nobel de Literatura de 1938.

Já de Graham Greene li diversas obras e penso, enquanto escrevo isto, que já li “O Cônsul Honorário” existindo, até, na minha biblioteca uma edição da Editora Ulisseia.

Não tive, ainda, o prazer de ler a que é considerada a obra prima de Lars Gustafsson; um dos maiores escritores suecos contemporâneos.

Por isto tudo foi uma excelente aquisição.

the ducks

26 Mar
26.03.2009

Ducks in the park – Barcelos.

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beam me up, scotty!