anacronismos?

15 Jun
15.06.2007

A leitura de livros de ficção-cientifica escritos em tempos idos, mas não tão idos como os de Jules Verne, revelam por vezes engraçados anacronismos(?). E coloco a identificação do ponto de interrogação (?) porque não são verdadeiramente anacronismos.

O caso mais recente foi descoberto com a leitura de “O Espaço Exterior” (1958) de A. Bertram Chandler, publicado entre nós pela editora Livros de Brasil (Argonauta n.º 519, página 127).

Calver permaneceu sentado até ela se dirigir para o quarto, e em seguida, dirigiu-se para o reprodutor de som. Deu uma vista de olhos pelas gravações, e seleccionou uma cassete chamada “Luzes suaves e música doce”. Inseriu-a na máquina, rebobinou-a, e depois pô-la a tocar.

página 127

08 Jun
08.06.2007 (…) recordou-se de algo que tinha lido acerca de uma das antigas guerras da Terra, um daqueles conflitos fúteis que tinham sido realizados, num outro país, entre duas grandes potências cada qual convencida que tinha uma razão própria e essencial. Tinham perguntado a um camponês o que pensava ele sobre isso. E o homem respondera, amargamente:
– Que diferença faz para um pouco de relva se é comida por um cavalo ou por uma vaca?.
O Espaço Exterior por A. Bertram Chandler (pág. 89)

título original: The Rim of Space
tradução: Alexandra Santos Tavares
editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta(n.º 519), Lisboa, 2000
isbn: 97238-1835-3

the exile of time

14 Mai
14.05.2007

When a girl who said she had been kidnapped from the year 1777 appeared in modern New York, she was either deluded or the victim of an incredible time-spanning plot. And when it turned out the strange man with a mechanical servant who had kidnapped her had been seen in other centuries, it became clear that a super-scientific plot was afoot that must reach far into the unknown cities of the future. THE EXILE OF TIME is a novel of adventure and wonder such as only the hand of a classic master of science-fiction could have written.

Adorei ler este livro de Ray Cummings escrito por volta de 1930 (publicado em 1931) e que trata o tema das viagens no tempo.

A edição lida foi a publicada pela editora “Livros do Brasil”, colecção Argonauta n.º 517.

não faço dieta

09 Mai
09.05.2007

Já não se ouviam em Portugal palavras com tanta volumetria, como o ímpeto verbal “não faço dieta e não vou deixar de comer o meu ferrero rocher bidiário[1], proferidos por um modesto português de 396.83 pounds que é redondamente contra o TOTI.

Ele vai mais longe e conta, “Demorei cerca de 30 anos da minha vida a chegar onde estou. Foram imensos sacrifícios. Quantas vezes só pode comer 10 pizzas ao almoço por que não tinha dinheiro para mais. E agora querem que eu seja menos eu?

Teólogos reconhecidos dos círculos gastronómicos de Epicuro afirmam que está em causa o próprio Deus. Deus está em todo o lado. Deus, vejam, está dentro de nós. Uma pessoa redondamente mais elevada tem mais Deus em si do que uma pessoa geometricamente plana.

Penso que o TOTI ainda vai morrer pela boca.


[1] a palavra bidiário não está registada em qualquer dicionário, mas entendo que é uma criação poderosa e deve ser incluída em futuras revisões.

toti

26 Abr
26.04.2007

O governo num jogo de ancas ímpar a nível mundial está a pensar criar um novo imposto para o cidadão português.
Já se sabe que para o governo português qualquer individuo não é uma mais valia nacional, mas apenas uma fonte de dinheiro para pagamento de taxas, impostos, tributos…

Assim, nesta mesma linha de pensamento, o governo tem para aprovação no próximo conselho de ministro o TOTI (Taxa de Ocupação Territorial para Indivíduos). Este imposto tem como objectivo cobrar a ocupação de cada pessoa medida pelo seu peso e pelo seu diâmetro da cintura. A preocupação do governo ao contrário do que se possa pensar não é obter dinheiros extras para os cofres do estado, mas cultivar o culto do corpo elegante e saudável sem se cair na bulimia nem na anorexia. Sem esquecer que menos peso não maltrata tanto o planeta terra.

Neste seguimento as cadeias de fast-food vão ser taxadas com um IVA especial e temporário de 32%

Naturalmente a AGPS (Associação dos Gordos Por Que Sim), a AGPTS (Associação de Gordos Por Que Tem de Ser), o clube OBS (Obesos, Belos e Sensuais) e a, entidade com fins pouco lucrativos, BIFE (Balofos, Intensos, Fortes mas Elegantes) revoltam-se contra o TOTI que entendem ser inconstitucional e ameaçam boicotar a compra de tripas, gomas de açúcar, pastéis de nata, suspiros, farturas e pasmem-se avançam, igualmente, com o cancelamento de assinaturas da revista Epicuro.

As associações do sector de comes & bebes encabeçadas pelo monstro sindical SINCOP (Sindicato do Coração Preocupado) ameaçam inundar o mercado com uma produção massiva de doces caramelizados com adoçante e o não fornecimento de bifanas nas próximas romarias.

Surgiu entretanto um slogan de luta: “Gordos ao poder pela força do comer.”

Estaremos perante uma revolução das tripas?

dom luis bridge

14 Abr
14.04.2007

content from wikipedia

The Dom Luís I Bridge (Portuguese: Ponte de Dom Luís I), or Luís I Bridge, is a double-deck metal arch bridge that spans the River Douro between the cities of Porto and Vila Nova de Gaia in Portugal. At its construction, its 172 metres (564 ft) span was the longest of its type in the world.

serra do pilar

14 Abr
14.04.2007

Parede encostada à Serra do Pilar, Vila Nova de Gaia.

cruzes

08 Abr
08.04.2007

Hoje já assisti ao passeio de muitas cruzes
pousadas elegantemente no ombro,
deslizando graviticamente para o chão,
empoleiradas no pescoço em precário equilíbrio,
verticalmente suspensas,
embaladas no colo.
São muitas cruzes.
Fiquei a pensar se não seria verdade o que dizem: “Deus está em todo o lado.”

07 Abr
07.04.2007 — Sou Bartimaeus. Sou Sakhr al-Jinni, N’gorso, o Poderoso e a Serpente das Plumas de Praga. Reconstruí as muralhas de Uruk, Karnak e Praga. Falei com Salomão. Corri juntamente com os búfalos ancestrais das planícies. Estive de guarda ao Velho Zimbabué até as pedras caírem e os chacais se alimentarem da sua gente. Sou Bartimaeus. Não reconheço qualquer amo. Por isso, sou eu quem te dá ordens, rapaz. Quem és tu para me chamares?
página 15

Jonathan Stroud, O Amuleto de Samarcanda // título original: The Amulet of Samarkand // tradução: Maria Georgina Segurado // Editorial Presença, Colecção Via Láctea(n.18), Lisboa, Abr. 2004 // isbn: 972-23-3173-6

31 Mar
31.03.2007 — Tu não és um herói, e eu não sou bonita, e talvez nós não vamos viver felizes para sempre — disse ela — Mas estamos vivos e juntos, e vamos ficar bem.
página 247

Philipe Reeve, Engenhos Mortíferos // título original: Mortal Engines // tradução: António Andrade // editor: Editorial Presença, Colecção Via Láctea(n.17), Lisboa, Mar. 2004 // isbn: 972-23-3160-4

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