passagem para o passado

21 Fev
21.02.2007

– Não confio em si – disse ele, simplesmente.
Não podia culpá-lo por isso. A confiança era um bilhete de ida para o cemitério.

página 13

Uma obra excelente e de muita fácil leitura.
Uma tristeza esta colecção ter terminado. Isidore Haiblum é um escritor que merece ser lido.

Isidore Haiblum, Passagem Para o Passado // título original: Transfer for Yesterday // tradução: Alexandra Santos Tavares // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta (n.º502), Lisboa, Jun. 1999

16 Fev
16.02.2007 Uma coisa curiosa no meu trabalho: fica-se perpetuadamente solitário num mundo em que a solidão é a mais rara das mercadorias.
página 29

Brian W. Aldiss, Renascimento // título original: Earthworks // tradução: Clarisse Tavares // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta (n.º480), Lisboa, Jul. 1997

ambiguidade

11 Fev
11.02.2007

Jerry: I was the best man to a wedding one time, that was pretty good. Pretty good title, I thought, best man. I thought it was a bit much. I thought we’d have the groom and a pretty good man. That’s more than enough. If I’m the best man, why is she marrying him?

from imdb

Qual a razão para estar estabelecida a ideia de vestir-se um bebé masculino de azul e um bebé feminino de cor-de-rosa?
É por causa da ambiguidade sexual dos bebés.
Olhamos para o bebé e no nosso indulgente e obstinado decoro social dizemos:
“Que linda menina/menino.” pois, congenitamente, temos a certeza de que a roupa denuncia de forma clara e inequívoca o sexo do bebé.
Não esperamos que os pais quebrem este acordo social para deixarem alguém com cara-de-pau. Assim como temos como provável, tal Constanza, que as pombas, rolas, rolinhas, pássaros, passarinhas levantem voo no último segundo antes do atropelamento.
Não é adequado que os pais no choque apaixonado pelo nascimento do descendente decidam ser modernos. Vanguardistas.
Esse acordo não pode ser quebrado. Isto não pode acontecer:
“Não é menina. É um rapaz.”
“Ahh, pois mas está vestido de cor-de-rosa.”
“É, pois, mas nós não ligamos a isso.” Ligam a isso, pensamos nós, mas receberam a merda dessa roupa de um daltónico ou de alguém com um sentido de humor de mosca morta ou de alguém que a comprou com 24 meses de antecedência.
Este descaramento, que deve estar previsto como crime numa futura revisão do Código Penal, e que origina um abanão na nossa fé pelas regras sociais, serve, apenas, de mórbida satisfação aos restantes basbaques que admiravam o puto sem saber na verdade se era um puto ou uma menina.

lucas 1:35

03 Fev
03.02.2007

And the angel answered and said unto Mary, The Holy Ghost shall come upon thee, and the power of the Highest shall overshadow thee: therefore also that holy thing which shall be born of thee shall be called the Son of God.

– Luke 1:35

Nunca absorvi a ideia de Maria poder engravidar sem sexo e como diz Zits “Os adultos são mesmo esquisitos. Gostam de acabar com o que dá gozo.” E o sexo é um gozo. Gozo pelo sexo e o gozo do sexo.
Compreendi, mais tarde, que Deus fez a primeira inseminação artificial.

A história não seria mais graciosa ter sido José o portador da semente e que num momento de suada explosão divina engravidasse Maria.

03 Fev
03.02.2007 A capacidade de assombro está disponível para toda a gente. Mas a maior parte das pessoas receia-a.
página 25

Brian Aldiss, Criptozóica // título original: Cryptozoic // tradução: Alexandra Santos Tavares // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta (n.º506), Lisboa, Out. 1999 // isbn: 972-42-2461-9

renascimento

03 Fev
03.02.2007

Estou em boas relações com os mortos. Embora já não houvesse espaço para eles em terra, como era costume antigamente, guardo vários na minha cabeça – na minha memória, evidentemente.
(…) Neste livro irei sepultá-los de novo.

página 7

Brian W. Aldiss, Renascimento // título original: Earthworks // tradução: Clarisse Tavares // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta (n.º480), Lisboa, Jul. 1997

o aborto e eu; eu e o aborto

02 Fev
02.02.2007

Tanto posso votar SIM como posso votar não.

E por que não votar SIM?

15 Jan
15.01.2007 Nem mesmo as mais abjectas auto-recriminações irão dar vida aos mortos durante o tempo suficiente para dar absolvição aos vivos.
página 15

Anne McCaffrey, A História de Nerilka // título original: Nerilka’s Story // tradução: Alexandra Santos Tavares // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta n.º 501, Lisboa, 1999 // isbn: 972-38-1718-7

o mistério de alaizabel cray

08 Jan
08.01.2007

(…) quando largámos bombas do céu… bem, foi o fim. O triunfo da ciência. Já não precisávamos de temer que um deus nos atacasse do céu. O Homem assumia o papel de Deus. Agora nós temos o poder de arrasar cidades, de pôr fim a milhares de vidas de uma só vez. O bom do Charles Darwin explicou a vida, percebe. A ciência dá passos de gigante todos os dias, e cada passo se afasta mais do caminho do antigamente. A ciência retirou-nos a necessidade de acreditar seja no que for, porque agora tudo é explicável. O que é que resta? Quem é que ainda existe para nos livrar de culpa e da angústia?

página 226

Chris Wooding, O Mistério de Alaizabel Cray // título original: The Haunting Of Alaizabel Cray // tradução: António Carlos Andrade // editor: Editorial Presença, Colecção Via Láctea n.º 4, Lisboa, 2003 // isbn: 972-662-009-0

azul cobalto

07 Jan
07.01.2007

(…) Este tipo de depressão, para além de uma tristeza absoluta, consiste em colocarmos a nós mesmos perguntas ambiciosas, como por exemplo: Qual é o significado da vida?(…)

páginas 153/154

Patricia Highsmith, Azul Cobalto // título original: Ripley Under Ground // editor: Gradiva, colecção não incomode n.º 1, Viseu, 1986 // ISBN: 972-662-009-0

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