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o aniversário de astérix e obélix – o livro de ouro

Como já tinha dito encomendei o último Astérix de Ouro.

É um bom presente de aniversário para os nossos heróis gauleses e para os leitores.

Adorei-o.

É uma leitura sumarenta.
É um álbum diferente.

Desta vez Uderzo reconciliou-se, pelo menos, comigo.

novo astérix

Alguém duvida que o grande mestre de Astérix foi Goscinny?
Alguém duvida que com a sua morte os álbuns da responsabilidade de Uderzo são fracos ou fraquíssimos? Alguém conseguiu evitar náuseas ao ler “Astérix: O dia em Que o Céu Caiu”?

E escrevo isto porque não apenas Astérix faz 50 anos, como vai ser lançado no próximo dia 22 de Outubro um novo álbum com uma história inédita. O álbum número 34 será um acontecimento mundial, que me dá orgulho, porque serve para aqueles que pensam que a banda desenhada é irrelevante cultural e socialmente, e que me entristece; Astérix não deveria ter histórias novas tão miseráveis por respeito ao legado Goscinny ou a tê-las seria com um novo argumentista, porque Uderzo sucks.

Vou ver o que nos reserva esta novidade. O meu já está encomendado.

humpá-pá

Para me vingar da inexistência da feira do livro no XVI Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, e depois de jantar no Centro Comercial Palácio do Gelo, ataquei a Fnac.

Aí comprei além do primeiro volume da trilogia Millenium (“Os Homens que Odeiam as Mulheres”, de Stieg Larsson, editado pela Oceanos) o álbum Humpá-Pá, Pele-Vermelha, da ASA.
Este álbum, da responsabilidade da dupla René Goscinny e Albert Uderzo, nunca foi lido na totalidade. Li algumas páginas, no meu antigamente, na revista TINTIN. Ontem dei por ele em destaque talvez devido ao futuro lançamento das aventuras de Astérix em mirandês e cacei-o. E ainda bem, porque a edição da ASA está recheada com dois bombons: um excelente prólogo e os primeiros esboços de 1951.

Humpá-Pá é a primeira criação dos pais de Astérix (1959 na revista Pilote). Tudo começou quando por mero acaso se viram lado a lado na delegação de Paris da World Press em 1951.

Humpá-pá viu a luz do dia nesse mesmo ano. Na sua concepção original os autores “partiram da ideia de narrar as desventuras de um jovem índio, habitante de uma reserva, e do conflito que este mantinha com a vida moderna americana que rodeava tal reserva(…).” (pág. 4 da edição da ASA) Esta primeira abordagem foi uma desilusão.
O renascimento ou o verdadeiro nascimento surge em 1958. Agora Humpá-Pá foi deslocado para o século XVIII e é um nativo americano dos Sávanás que sempre acompanhado do seu amigo Humberto-da-Massa-Folhada, oficial francês de escalpe-duplo, vive aventuras num “delírio humorístico” apetitoso.

Fico feliz por esta fantástica reedição.

astérix

Depois da oferenda do último álbum de Astérix pela minha irmã decidi fazer um viagem pelo mundo “Astérix” para superar o trauma causado pela indigestão desta última leitura e, já agora, organizar mais um pouco a colecção de BD. Foi gratificante reler as aventuras de Astérix. São histórias verdadeiramente intemporais.

As histórias são colocadas cronologicamente e identificadas pelo argumentista. Com René Goscinny temos a era dourada das aventuras de Astérix. As histórias solitárias de Albert Uderzo nunca atingem nem de leve a magia das aventuras criadas por René Goscinny. Com a morte de René Goscinny Astérix perdeu a sua alma.

O resultado da arrumação foi o que se segue.

Álbuns com argumento de René Goscinny:
1959
Astérix o Gaulês (Astérix le Gaulois) – Meribérica
1960
A Foice de Ouro (La Serpe d’Or) – Meribérica
1961
Astérix e os Godos (Astérix et les Goths) – Meribérica
1962
Astérix Gladiador (Astérix Gladiateur) – Meribérica
Aqui vemos pela primeira vez os temí­veis piratas.
1963
A Volta à Gália (Le Tour de Gaule d’Astérix) – Meribérica
Nesta aventura aparece um cão (Ideiafix(?)) à porta de uma charcutaria em Lutécia que segue os nossos heróis ao longo da aventura para ser descoberto por Obélix na última prancha.
1964
Astérix e Cleópatra (Astérix et Cléopâtre) – Meribérica
1965
O Combate dos Chefes (Le combat des Chefs) – Meribérica
Astérix entre os Bretões (Astérix chez les Bretons) -Meribérica
1966
Astérix e os Normandos (Astérix et les Normands) – Meribérica
1967
Astérix Legionário (Astérix Légionnaire) – Meribérica
O Escudo de Arverne (Le bouclier Arverne) – Meribérica
1968
Astérix nos Jogos Olí­mpicos (Astérix aux Jeux Olympiques) – Meribérica
1969
Astérix e o Caldeirão (Astérix et le Chaudron) – Meribérica
O mais brilhante e engenhoso assalto a um banco.
Astérix na Hispânia (Astérix en Hispanie) – Meribérica
1970
A Zaragata (La Zizanie) – Meribérica
Astérix Entre os Helvécios (Astérix chez les Helvètes) – Meribérica
1971
O Domí­nio dos Deuses (Le Domaine des Dieux) – Meribérica
Astérix Um Presente de César – Le Cadeau de César – Meribérica
Na prancha 7 aparece pela primeira vez um Lusitano.
Os Louros de César (Les Lauriers de César) – Meribérica
1972
O Adivinho (Le devin) – Meribérica
1973
Astérix na Córsega (Astérix en Corse) – Meribérica
1975
A Grande Travessia (La Grande Traversée) – Meribérica
1976
Obélix e Companhia (Obélix et Compagnie) – Meribérica
1979
Astérix Entre os Belgas (Astérix chez les Belges) – Meribérica
Que é o último verdadeiro álbum de Astérix.

Álbuns com argumento de Albert Uderzo:
A partir daqui temos as “novas” aventuras de Astérix.
1980
O Grande Fosso (Le Grand Fossé) – Livraria Bertrand
1981
A Odisseia de Astérix (L’Odyssée d’Astérix) – Difusão Verbo
1983
O Filho de Astérix (Le Fils d’Astérix) – Livraria Bertrand
Sem qualidade.
1987
As 1001 horas de Astérix (Astérix chez Rahàzade) – Difusão Verbo
Piedade. Astérix não merecia isto.
1991
A Rosa e o Gládio (La Rose et le Glaive) – Meribérica
Sem comentários.
1996
O Pesadelo de Obélix (La Galère d’Obélix) – Edições ASA
2001
Astérix e Latraviata (Astérix et Latraviata) – Edições ASA
2003
Astérix e O Regresso dos Gauleses (La Rentrée Gauloise) – Edições ASA
2005
Astérix: O dia em que o céu caiu (Le Ciel Lui Tombe Sur La Tête) – Edições ASA
Um insulto a Astérix, a René Goscinny e mesmo a Walt Disney.

Outros álbuns:
Como Obélix Caiu no Caldeirão do Druída Quando Era Pequeno (Comment Obélix est tombé dans la marmite du druide quand il était petit) – Edições ASA

Com as Edições ASA as personagens mudam de nome:
Assurancetourix -> Cacofonix
Abraracourcix -> Matasétix
São mudanças que não me causam dano.
O que me dói é a qualidade das histórias, mas quanto a isso nada se pode fazer.