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que ousadia! (excerto)

Acordei com a mão esquerda a segurar os tomates. Nada de anormal este meu acordar; gosto de coçar, acariciar os meus tomates (poderia dizer testículos, mas essa palavra transmite uma ideia de inocência; e os meus tomates são tudo menos inocentes) – gosto de os sentir como contrafortes de um membro que mesmo em hibernação revela respeito.

Saí do sono verdadeiramente satisfeito, a abraçar de braços abertos as minhas almofadas king size Reykjavik-Eider em seda e com metade do corpo acariciado por um edredão Jon Sveinsson; não sou pessoa de gostos elitistas, mas gosto de me vestir com a cama – será um fetiche?

A noite anterior foi economicamente produtiva; até, para variar, sexualmente angustiante; e enquanto depenicava a ponta do pénis a lembrança tornou-se clara.

Seguindo a recomendação de uma cliente habitual aceitei marcar uma noite para a sua amiga necessitada de alguma “distracção”; garantiu-me, “Ela é muito linda.”

A amiga de nome Adalgisa, contrariando a minha sugestão reservou o quarto num hotel que eu desconhecia. Insisti um pouco pois gostava da familiaridade dos meus locais de nidificação, mas perante a sua exigência ou atrevimento? cedi – quem era capaz de pagar pelos meus serviços bem que podia ficar com a ideia de que gozava de algum domínio.

Pelas 21h00, utilizei o elevador, subi ao sétimo piso do hotel e bati à porta do quarto 701 imitando com o melhor empenho possível as quatro primeiras notas do primeiro movimento da 5ª de Beethoven; a batida secreta. Entrei a encarar arregalado (ainda sou susceptível a surpresas) para uma pouco comum máscara veneziana bauta feita de papel machê, de cor ocre, preta e dourada, decorada na testa com um medalhão de ouro e com plumas que ocultava o rosto da minha Adalgisa; o corpo estava vestido com uma longa capa preta que cobria a totalidade do corpo – todo o quadro era iluminado apenas pelas luzes do corredor; a única luz existente no quarto soprava de uma vela. Enquanto fechava a porta não pude deixar de pensar nas palavras “Ela é muito linda.” Seria? A dúvida foi, momentaneamente, relegada para segundo plano quando ordenou “Deite-se de costas na cama. ” “Ah!” “Como pode ver há ali uma cama.” A Adalgisa mordia!

informações: apenas um extracto da história

cheque-mate

Pensei que desde Fevereiro estava em paz comigo mesmo. Erro meu – cheque-mate emocional.
Desde ontem que estou em sofrimento. Tomei conhecimento deste facto nada inócuo ao ouvir o Adagio; afinal não me sinto reconciliado com ele e hoje ao ouvi-lo uma vez mais, debitado através do leitor de mp3, a melancolia, desta feita nada doce, mas dolorosa, invadiu-me.
Retalhado sinto necessidade de escrever algumas linhas para me expurgar deste labiríntico retrocesso.

divine love

Tenho ouvido diariamente a caminho do meu local de trabalho o álbum produzido por alunos do Bhaktivedanta College e fui eliminando do leitor de map3 e até do pc outras faixas que adorava ouvir (Pink Floyd, Blues, Jazz, King Crinsom). Ainda mantenho o Adagio de Albinoni, duas faixas de música celta e duas faixas de música asiática. A questão é que me rendi não apenas ao som, mas às vozes de Krishangi-lila Dasi e Kalindi Dasi. Chego ao trabalho a flutuar. Os meus colegas não percebem como alguém demasiado “azedo” está agora mais alegre. Devo-o a uma nova atitude perante a vida, claro que sim, não obstante a música, que sempre foi um factor muito importante, ajudar-me a atingir logo pela manhã com facilidade um nível de alegria? que não sentia à “bué” de tempo. Sinto-me relaxado pela primeira vez em muitos anos com a vida.

“Eu procuro a verdade, toda a verdade e não há mais nada, para além da verdade. A verdade é constante e tudo o que não é constante, não é a verdade” são versos da música “Satyam param dhimahi” (faixa 4) que sintetizam toda a minha vida desde os meus 14 anos.

Ler Bhagavad-Gita tem sido mais complicado. Está imbuído de uma imensa profundidade espiritual que me deixa…
Não sei onde isto me vai levar, mas estou a adorar cada momento. E é isso que me interessa neste meu agora.

que som!

A minha filha hoje comeu a sopa a ver vídeos no youtube e quando me sentei em frente ao pc iniciei uma pesquisa por:

stoa (sempre Stoa). ouvi partus (o sempre excelente álbum Porta VIII).

viajei para So Many Clouds do novo álbum editado em 2008. terminei em Mors.

regressei ao youtube e pesquisei por doors adagio. lindo!!! e cliquei, também, em The Severed Garden.

Wow, I’m sick of doubt
Live in the light of certain
South
Cruel bindings.
The servants have the power
Dog-men and their mean women
Pulling poor blankets over
Our sailors

I’m sick of dour faces
Staring at me from the tv
Tower, I want roses in
My garden bower; dig?
Royal babies, rubies
Must now replace aborted
Strangers in the mud
These mutants, blood-meal
For the plant that’s plowed.

They are waiting to take us into
The severed garden
Do you know how pale and wanton thrillful
Comes death on a strange hour
Unannounced, unplanned for
Like a scaring over-friendly guest you’ve
Brought to bed
Death makes angels of us all
And gives us wings
Where we had shoulders
Smooth as raven’s
Claws

No more money, no more fancy dress
This other kingdom seems by far the best
Until it’s other jaw reveals incest
And loose obedience to a vegetable law.

I will not go
Prefer a feast of friends
To the giant family.

naturalmente seguiu-se the end, apocalipse now e

I love the smell of napalm in the morning.

ataquei outra onda e pesquisei Odetta e ouvi o lindo Water Boy. e já agora porque não
Muddy Watters. e o Hoochie-Coochie Man (uau!!!!!!!!!!!!!)
e de seguida apeteceu-me ouvir o Run to The Hills, Iron Maiden e
porque não os Nazareth Telegram). (uau!!!!!!!!!!)



depois Aqualung ao vivo com os sempre Jethro Tull

regressei ao adagio de Albinoni, desta feita no filme Gallipoli. foi em Coimbra que ouvi o Adagio pela primeira vez.

What are your legs?
Springs. Steel springs.
What are they going to do?
Hurl me down the track.
How fast can you run?
As fast as a leopard.
How fast are you going to run?
As fast as a leopard.
Then lets see you do it.

e não sei porquê lembrei-me de Matrix, conclusão. tive
Rob Zombie, Dragula
Rage Against The Machine, Wake up
e terminei com Ramstein, Du Hast. não odiei esta viajem sonora.

Soube bem. A repetir um dia destes.

innuendo

De todos os álbuns dos Queen “Innuendo” é o único que adoro ouvir na sua totalidade. Fico com pele de galinha.

Sometimes I get to feelin’
I was back in the old days – long ago
When we were kids, when we were young
Things seemed so perfect – you know ?
The days were endless, we were crazy – we were young
The sun was always shinin’ – we just lived for fun
Sometimes it seems like lately – I just don’t know
The rest of my life’s been – just a show
Those were the days of our lives
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing is true
When I look and I find I still love you
You can’t turn back the clock, you can’t turn back the tide
Ain’t that a shame ?
Ooh, I’d like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin’ on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately – I just don’t know
Better sit back and go – with the flow
‘Cos these are the days of our lives
They’ve flown in the swiftness of time
These days are all gone now but some things remain
When I look and I find – no change
Those were the days of our lives yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing’s still true
When I look and I find, I still love you
I still love you

O álbum em vinil que possuo, antes de ter adquirido a versão em CD, foi herdado da minha adorada e saudosa Tia Lela. Não me sinto melancólico ao ouvir as músicas. Sinto, isso sim, boas saudades. Alegria. Sinto uma enorme agitação do espírito. Que presumo seja boa.

Sim. É boa.

Acontece-me o mesmo ao ouvir Luciano Pavarotti cantar “Caruso” do filme Caruso ou o Adagio In G Minor para Cordas e Orgão de Albinoni. O Adagio de Albinoni foi ouvido pela primeira vez ao visualizar, em Coimbra, o filme Gallipoli com Mel Gibson.

Jack: What are your legs?
Archy Hamilton: Springs. Steel springs.
Jack: What are they going to do?
Archy Hamilton: Hurl me down the track.
Jack: How fast can you run?
Archy Hamilton: As fast as a leopard.
Jack: How fast are you going to run?
Archy Hamilton: As fast as a leopard.
Jack: Then lets see you do it.

# from Gallipoli # via imdb

Esta entrada aparentemente desconexa é motivada por lembranças após a notícia do suicídio de uma pessoa, muito, mas muito jovem.

Ao ouvir Headlong na rádio veio-me à mente alguns farrapos da minha memória.

a explicação

Na sequência do post anterior lembrei-me que já tinha falado do Caruso de Pavarotti e do Adagio de Albinoni.
É impossível não gostar disto.

Qui dove il mare luccica
e tira forte il vento
su una vecchia terrazza davanti al golfo di Sorrento
un uomo abbraccia una ragazza
dopo che aveva pianto
poi si schiarisce la voce e ricomincia il canto


luciano pavarotti sings “caruso” from caruso the movie
adagio in g minor by albinoni