Artigos

fragmento.000468

O capítulo que diretamente fala de Cristo não é efusivo. Limita-se a invocar dois lugares da Escritura, a frase «dou a minha vida pelas ovelhas» (João 10:15) e a curiosa locução: «Deu o espírito», que usam os quatro evangelistas para dizer «morreu». Destes lugares, que confirma o versículo: «Ninguém me tira a vida, dou-a eu» (João 10: 1 8), infere que o suplício da Cruz não matou Jesus Cristo e que este, na verdade, se deu morte com uma prodigiosa e voluntária emissão da sua alma. Donne escreveu esta conjetura em 1608; em 1631 incluiu-a num sermão que pregou, quase agonizante, na capela do palácio de Whitehall.
Outras Inquirições de Jorge Luis Borges (página 130)
Biathanatos, a Declaration of that Paradoxe or Thesis, that Selfe-homicide is not so Naturally Sinne, that it may never be otherwise (em português: Biathanatos, uma declaração daquele paradoxo, ou tese, segundo o qual o auto-homicídio não é tão naturalmente um pecado que nunca possa vir a deixar de sê-lo), ou simplesmente Biathanatos, é um livro do poeta inglês e padre anglicano John Donne, no qual ele argumenta que, sob certas condições, o suicídio é defensável. Estima-se que a escrita do livro foi completada em 1608, mas foi somente em 1647, depois de sua morte e contra a vontade de Donne, que o trabalho foi publicado por seu filho. O significado histórico de Biathanatos está no fato de ser o primeiro texto em inglês que trata da proibição cristã do suicídio.

Wikipédia

you know

“You know you live a life of alms; of flesh; soulless; hollow,” he listen looking at the firearm, immaculate, unused, virgin, which OulipoBrat aimed.
“I know. Don’t repeat it and shoot.”

espelhos

Agora mais do que nunca os olhos são o espelho da alma. Com o uso continuado das máscaras faciais são os olhos o espelho de todas as emoções.

já existem suficientes comentadores sociais de reduzida categoria cerebral. por que haveria eu de acrescentar a minha rosnadela de alta categoria? todos nós apanhámos as velhotas a dizer: «ah, acho HORRÍVEL aquilo que os jovens fazem a si mesmos, aquela droga toda e tal! parece-me terrível!» e depois olhamos para a velha: sem olhos, sem dentes, sem cérebro, sem alma, sem rabo, sem boca, sem cor, sem mutação, sem humor, nada, um mero pau, e perguntamo-nos o que terão feito por ELA o chá e os biscoitos e a igreja e a casa de esquina. e por vezes os velhos tornam-se muito violentos em relação ao que alguns jovens andam a fazer — «porra, trabalhei que nem um MOURO a minha vida toda!» (julgam eles que isso é uma virtude, embora só prove que um tipo é completamente idiota.) «estes tipos querem tudo em troca de NADA! andam por aí a destruir o corpo na droga, a contar viver uma vida à grande e à francesa!»
Histórias de Loucura Normal de Charles Bukowski (página 342)

príncipe dos espinhos de mark lawrence

Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.

Topseller

Depois de um planeta terra devastado por uma, aparente guerra nuclear, as pistas estão lá, surge milénios depois um mundo de fantasia dilacerado pela guerra. E é neste novo mundo medievo que a personagem Jorg Ancrath percorre o seu caminho de vingança.

Temos uma história bem cadenciada, violenta, até mais violenta do que a A Lâmina, na qual a crueldade é o prato do dia.

A personagem Jorg é amoral, e está bem acompanhado pelos seus “irmãos”, e apesar de ser cruel, maldita desejamos que vença. O mal tem de compensar… às vezes.

Gostei. Foi mais do que catita.

Tradução de Renato Carreira

a ler: viagem a itália

Estou a ler, calmamente, como deve ser, esta obra de Goethe. Está a ser uma leitura muito educativa.

Esta viagem de Goethe não foi apenas uma narrativa de viagem; foi, também, uma viagem ao interior de si mesmo – Bildung. [1]


[1] refere-se à educação (formação, educação e cultura) processual que almeja a completude do indivíduo.

at the white heat?

DARE you see a soul at the white heat?
Then crouch within the door.
Red is the fire’s common tint;
But when the vivid ore

Has sated flame’s conditions,
Its quivering substance plays
Without a color but the light
Of unanointed blaze.

Least village boasts its blacksmith,
Whose anvil’s even din
Stands symbol for the finer forge
That soundless tugs within,

Refining these impatient ores
With hammer and with blaze,
Until the designated light
Repudiate the forge.

Emily Dickinson, Complete Poems (1924) [Part One: Life – XXXIII]

A partir da leitura do livro Como a Sombra Que Passa de Antonio Muñoz Molina.

Sentamo-nos a escrever, dia após dia, querendo que se reavive o fogo da invenção, que a alma chegue ao calor branco, como diz Emily Dickinson.

Antonio Muñoz Molina

doutor sono de stephen king

Uma tribo de gente chamada o Nó Verdadeiro viaja à procura de sustento pelas autoestradas da América. Parecem inofensivos e são, sobretudo, velhos. Mas, tal como Dan Torrance bem sabe, e Abra Stone não tarda a descobrir, os membros do Nó Verdadeiro são quase imortais e vivem do «vapor» produzido pelas crianças com o «brilho» quando são lentamente torturadas até à morte. Assombrado pelos residentes do Hotel Overlook, onde passou um ano horrível da sua infância, Dan anda há décadas à deriva, tentando libertar-se do legado de desespero, alcoolismo e violência deixado pelo seu pai. Por fim, instala-se numa cidade de New Hampshire, numa comunidade de Alcoólicos Anónimos que o apoia e num trabalho num lar, onde o «brilho» que lhe resta oferece um derradeiro conforto aos moribundos. Com o auxílio de um gato presciente, torna-se o «Doutor Sono». E depois Dan conhece a evanescente Abra Stone, e é o espetacular dom dela, o brilho mais vivo que ele já viu, que dá novo alento aos fantasmas de Dan e o impulsiona para uma guerra épica entre o bem e o mal para salvar Abra e a sua alma.

Wook

Adorei a leitura da sequela The Shining. Stephen King no seu melhor.

Doutor Sono é uma leitura que assusta e diverte – delirante.


Tradução de Ana Lourenço e Maria João Lourenço

Na esquina uma miniatura da personagem Altaïr Ibn La’ahad da saga Assassin’s Creed.

fragmento.00320

— POR VEZES, AO ACORDAR, sinto que a minha alma não cabe no corpo.
Catálogo das Sombras por José Eduardo Agualusa (página 65)

são meus

Sinto falta dos meus mortos vivos. As suas inexistências impedem o meu viver. Será que me visto de preto cinzento porque percorro os meus caminhos em perpétuo luto? Talvez não. A verdade, contudo, é que sei claramente que subsisto com uma alma outonal.

Ah! O quanto odeio o Outono. Estação de queda; na qual terminam todos os ciclos.