Tag Archive for: amor

o fim da solidão de benedict wells

20 Mai
20.05.2020

Jules Moreau tem onze anos quando os pais morrem num acidente de carro. Nessa noite, a sua infância termina. Segue-se a ida para um colégio interno, juntamente com os dois irmãos mais velhos. Pouco a pouco, os laços que os unem quebram-se. Jules isola-se, alimentando-se das suas memórias; Marty refugia-se ferozmente nos estudos; e Liz procura todas as formas de evasão possíveis para preencher o vazio.
O único consolo do protagonista advém dos momentos que passa na companhia de uma menina ruiva chamada Alva. As duas crianças lêem, ouvem música, partilham o silêncio das tardes no colégio. E nunca falam sobre si mesmas. Quinze anos mais tarde, os irmãos afastaram-se irremediavelmente uns dos outros. Jules, que continua a reviver o passado interrompido, apenas encontra alento no sonho de se tornar escritor e na ânsia de reencontrar Alva. E quando, por uma vez, tudo parece subitamente possível, uma força invisível – talvez o destino – volta a intervir.
O fim da história de Jules está ainda por acontecer.

Edições Asa

Excelente livro. Depois do rotundo falhanço do “The Last Emperox” (que nem serviu como aperitivo) nada como sentir uma escrita profunda, perturbadora e bela na ousadia como trata as relações humanas.

Aqui o autor fala do amor, da amizade, das perdas, da solidão, do silêncio, dos encontros e reencontros com uma delicadeza que transcende as páginas e toca no coração do leitor. Recomenda-se sem ressalvas.

Tradução de Paulo Rêgo

oton lustosa

17 Fev
17.02.2020

O homem não busca apenas satisfazer as suas necessidades materiais. Para viver, plenamente, busca a satisfação espiritual. Cheio de poder, posto que dotado de inteligência – esta explosiva força criadora -, o homem transforma o mundo. Escarafuncha, mexe, bisbilhota as coisas da Natureza… Queda-se extasiado diante das belezas naturais… Encafifa-se com os mistérios que levam à perfeição das coisas criadas… Chega a uma conclusão derradeira, inapelável: Deus existe! Mas… De tanto investigar termina por concluir que algo deve ser melhorado ainda neste mundo de Deus. Quer o homem o mundo ao seu serviço, útil e prático; que lhe proporcione um estado tal de bonança, inenarrável, sublime. Algo a que deu o nome de Felicidade! Eis o objetivo primeiro e último do gênero humano: Ser Feliz! Por isso transforma, modifica, cria, destrói, luta. E a tal felicidade como uma miragem, ora perto ora longe. E haja esperanças e haja angústias e haja sonhos! Ah! os sonhos!… Quer o homem, em pleno estado de vigília, entender os sonhos, torná-los concretos. Freud bem que tentou ensinar a fórmula. Mas a psicanálise freudiana, para muitos, ainda é um imenso labirinto onírico. Por isso, em perseguição dessa tão sonhada felicidade, o homem desanda a sofrer. Busca, finalmente, um lenitivo para essas dores do espírito. Põe-se a serviço da construção e da contemplação da Beleza. Nesta sua caminhada terráquea, a estação que o leva a mais se aproximar da felicidade é a contemplação da Beleza. É aí que as artes ocupam importantíssimo papel na vida do homem. Aliás, ouso dizer, sem a arte – expressão maior da inteligência humana -, o homem não passaria de um miserável bicho bípede, deslanado, sem cauda, sem garras, despreparado para a caça e para a pesca; e sem nenhuma chance de cavar, mergulhar e voar. Mas o homem, ser divino, tem a Inteligência!… Que o leva ao trabalho maneiroso, ao engenho, à arte, à perfeição, ao amor… E ainda o levará à felicidade!

Oton Lustosa

Texto extraído do discurso de posse do escritor Oton Lustosa na cadeira n° 05 da Academia Piauiense de Letras.

expressamente 1.0

03 Fev
03.02.2020

Muita boa gente, e outra tanta má, utiliza as redes sociais para expressar o amor, a raiva, as injustiça e as traições cometidas e sofridas, porque esse mural virtual é muito superior ao muro das lamentações ou ao Speaker’s Corner. Quando descobri que certas coisas não eram tal como eu imaginava fiquei chocado. Hoje vou, por isso, fazer o mesmo e expressar algumas das minhas desilusões e tristezas no Facebook:

  1. o carteiro nem sempre toca duas vezes; felizmente deixa aviso de encomenda não levantada
  2. chamar o elevador não é dizer, nem gritar “Elevador, Elevador”, mas afinal carregar num botão

E é tudo por agora.

nação crioula de josé eduardo agualusa

28 Jan
28.01.2020

Nação Crioula conta a história de um amor secreto: a misteriosa ligação entre o aventureiro português Carlos Fradique Mendes – cuja correspondência Eça de Queiroz recolheu – e Ana Olímpia Vaz de Caminha, que, embora tenha nascido escrava, foi uma das pessoas mais ricas e poderosas de Angola. Nos finais do século XIX, em Luanda, Lisboa, Paris e Rio de Janeiro, misturam-se personalidades históricas do movimento abolicionista, escravos e escravocratas, lutadores de capoeira, pistoleiros a soldo, demiurgos, numa luta mortal por um mundo novo.

Quetzal Editores

Outro livro de grande qualidade – José Eduardo Agualusa no seu melhor.

Fradique Mendes é uma personagem tão real como as melhores invenções.

de lado – 0092

15 Dez
15.12.2019

Um amigo informou-me que ia casar-se. Perguntei-lhe se tinha a certeza que queria deixar de ser namorado e passar a ser domesticado. Acho que mudou de ideia: emigrou.

e então vai entender de claudio magris

16 Out
16.10.2019

Neste monólogo narrativo sobre um amor total e falhado, uma mulher fala-nos a partir de uma obscuridade misteriosa – a partir da morte? – e revela-nos num tom terno e impiedoso, que contém toda a grandeza e mesquinhez da vida e da morte, as alegrias e misérias da paixão – e do homem que ela ama, mas renuncia seguir de volta à vida. Em E Então Vai Entender, Claudio Magris movesse entre a experiência pessoal e o mito; entre a vontade de fuga e a intensidade da permanência, entre a ligeireza e a tragédia.

Quetzal Editores

Excelente narrativa.


Tradução de José Colaço Barreiros

a substância do amor e outras crónicas de josé eduardo agualusa

27 Jun
27.06.2019

A crueldade feminina fascina os homens. Amar uma mulher sem veneno é como jogar à roleta-russa com uma pistola fulminante. A obscura força que leva um sujeito a lançar-se da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, preso a uma frágil lona (um parapente ou um asa-delta), em direção ao imenso abismo azul, aos prédios aguçados, às areias luminosas da praia do Pepino, é a mesma que o precipita, indefeso e nu, para os braços de uma mulher. 

Quando o louva-a-deus encontra a sua deusa e esta lhe diz vem, vou-te comer, o infeliz sabe que aquilo não é uma metáfora. Mesmo assim, seguro de que depois do amor será servido ao jantar, o louva-a-deus persigna-se e vai. É o que nós fazemos – homens e mulheres -, à procura do amor, em fuga do amor, desencontrados.

Wook

Sei que já li em livros anteriores de José Eduardo Agualusa:

  • A Velha Esperança morreu sentada (conto)
  • O Último Andar (conto)
  • Dançar outra vez (crónica)
  • e outras referências

Qual a importância disso? Nenhuma e alguma – serve para sossegar a minha obsessão por pormenores, pois claro.

E quanto ao livro A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa? Uau formidável; delirante – fantástico. Tanta coisa boa em poucas páginas.

25 Jun
25.06.2019 — O futuro para mim quase não tem segredos. Lembro-me de amanhã como se fosse ontem. (…)
— Vou andando. Aparece lá em casa e falamos dos velhos tempos. O futuro, por vezes, dá-me saudades do passado.
A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa (página 49)

21 Jun
21.06.2019 — Fala do Jardim da Morte, bem sei.
— Sim, a Morte. A Morte deve ser tão bela. Repousar debaixo da terra, com as ervas ondeando ao vento sobre o nosso corpo, ouvindo o silêncio em toda a volta. Não ter ontem nem amanhã! Esquecer o tempo, perdoar a vida, estar em paz! Talvez possa auxiliar-me, abrir-me as portas da Morte, porque o Amor vive em si, Miss Otis, e o Amor é mais forte do que a Morte.
O Fantasma de Canterville e Outras Histórias por Oscar Wilde (página 44)

23 Abr
23.04.2019 Quando sinto que me começo a afeiçoar a um lugar despeço-me e vou-me embora. Quem ama não sofre. Quem nada tem, não tem nada a perder. É o que penso.
Passageiros em Trânsito por José Eduardo Agualusa (pág. 13)
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