Tag Archive for: areia

21 Fev
21.02.2020 Quando digo que amo o deserto, estou a dizer que amo o quê? A areia ardente de dia e gelada de noite? As muitas e variadas formas das dunas? O céu estrelado e a Lua enorme, como um astro vivo e erróneo? A solidão? O vazio? Talvez só ame o conceito de deserto, e talvez o ame porque quero ser como ele. Amo o deserto porque é o lugar da possibilidade absoluta: o lugar em que o horizonte tem a amplitude que o homem merece e de que necessita. O deserto: essa metáfora do infinito.
O Amigo do Deserto de Pablo d’Ors (pág. 84)

20 Fev
20.02.2020 No deserto pode-se caminhar durante dias, semanas e até meses sem ver outra coisa além de areia; ora bem, chega sempre 0 momento em que aparece um oásis maravilhoso que convida a parar e reabastecer. Por mais duro que seja o trajeto que leva a um oasis, qualquer oásis merece sempre o esforço do caminhante.
O Amigo do Deserto de Pablo d’Ors (pág. 161)

22 Jan
22.01.2020 Nessa noite fui nadar. Nadei durante mais de uma hora, sob o olho único de uma Lua imensa. Nadei até que as luzes, na praia, se misturaram à confusa torrente de estrelas. Então, estendi-me de costas, a flutuar, puxado para o alto pela força da Lua. Se ela estivesse um pouco mais perto talvez me arrancasse da água. Eu ficaria levitando, um corpo solto, entre as estrelas e o mar.
Hossi esperava por mim, sentado na areia.
— Nunca sei se voltas.
— Nunca sei se volto. Mas sempre que volto, maninho, volto mais livre.
A Sociedade dos Sonhadores Involuntários de José Eduardo Agualusa (pág. 135)

13 Jan
13.01.2020 A certa altura entra uma jovem, uma visitante. Desconhecendo o protesto, pensa estar diante de uma exposição, talvez até de uma proposta para uma nova escola pictórica. Detém-se perante todos os quadros, isto é, perante todos os panos pretos, afaste-se e aproxima-se para observar melhor, senta-se e toma diligentemente notas; esta nova pintura parece agradar-lhe e convencê-la.
Instantâneos de Claudio Magris (págs. 23/24)

Neste instantâneo intitulado de “Na galeria de Castelli” Claudio Magris acha piada ao engano(?) da visitante. Não vejo qualquer motivo para tal, porque nos dias que correm tanto é arte uma banana presa com fita adesiva, como panos pretos de diferentes tamanhos pendurados numa galeria de arte, ou até uma sanita parcialmente partida. Desde que um monte de areia decorada com uma pedra esteja dentro de uma galeria de arte é… arte. É a arte moderna no seu brilhante esplendor. A estupidez suprema.

pirâmides núbias

02 Dez
02.12.2019
photographer: b n chagny

As Pirâmides núbias são estruturas piramidais que foram construídas pelos governantes do antigos reinos de Cuxe. Cerca de 255 pirâmides foram construídas em três regiões da Núbia durante um período de algumas centenas de anos para servir como túmulos para os reis e rainhas de Napata e Meroé. A primeira delas foi construída no local de el-Kurru, incluindo os túmulos de Cáchita e de seu filho Piiê, juntamente com os sucessores de Xabaca, Xabataca e Taraca. Quatorze pirâmides foram construídas para as suas rainhas, sendo que várias delas eram renomadas rainhas guerreiras. Isto pode ser comparado com cerca de 120 pirâmides muito maiores, que foram construídas no Egipto Antigo, durante um período de 3000 anos.

Wikipédia

As pirâmides sudanesas, vestígios funerários do reino de Cuxe, eram numerosas — cerca de 35, sobre uma plataforma de arenito. Mais pequenas e mais íngremes que as de Gizé, vistas ao pé parecem uma série e saleiros art déco, e um pouco mais ao longe uma fileira de presas de animais fixadas no maxilar da plataforma ossificada. Pilhas estriadas de areia castanho-dourada amontoavam-se de encontro às pirâmides e às capelas. A areia estava linda, brilhando ao pôr Sol, as enormes dunas escavadas nós cantos, como acontece à neve ao ser levada pelo vento e a imobilizar-se em formas improváveis em posições e suspensões esculpidas.

Viagem por África de Paul Theroux (págs 111 e 112 )

02 Dez
02.12.2019 A componente mais importante da minha satisfação era um prazer animal: o caráter longínquo do local, a grandiosidade das montanhas de cumes planos e dos penhascos rochosos, a luz do Sol e a vegetação rasteira, os camelos que mal se viam ao longe, o enorme céu, o vazio e o silêncio totais, pois as areias planas e solitárias estendiam-se a grandes distâncias em redor destas ruínas decadentes.
Viagem Por África de Paul Theroux (pág. 108)

a substância do amor e outras crónicas de josé eduardo agualusa

27 Jun
27.06.2019

A crueldade feminina fascina os homens. Amar uma mulher sem veneno é como jogar à roleta-russa com uma pistola fulminante. A obscura força que leva um sujeito a lançar-se da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, preso a uma frágil lona (um parapente ou um asa-delta), em direção ao imenso abismo azul, aos prédios aguçados, às areias luminosas da praia do Pepino, é a mesma que o precipita, indefeso e nu, para os braços de uma mulher. 

Quando o louva-a-deus encontra a sua deusa e esta lhe diz vem, vou-te comer, o infeliz sabe que aquilo não é uma metáfora. Mesmo assim, seguro de que depois do amor será servido ao jantar, o louva-a-deus persigna-se e vai. É o que nós fazemos – homens e mulheres -, à procura do amor, em fuga do amor, desencontrados.

Wook

Sei que já li em livros anteriores de José Eduardo Agualusa:

  • A Velha Esperança morreu sentada (conto)
  • O Último Andar (conto)
  • Dançar outra vez (crónica)
  • e outras referências

Qual a importância disso? Nenhuma e alguma – serve para sossegar a minha obsessão por pormenores, pois claro.

E quanto ao livro A Substância do Amor de José Eduardo Agualusa? Uau formidável; delirante – fantástico. Tanta coisa boa em poucas páginas.

03 Abr
03.04.2019 No silêncio da floresta, tinha a sensação de que podia ouvir a passagem do tempo, a vida a passar. Uma pessoa parte, outra aparece. Um pensamento afasta-se e outro toma o seu lugar. Uma imagem despede-se e outra materializa-se. Com o acumular dos dias, também eu me desgastava e refazia. Nada permanecia parado. E o tempo perdia-se. Atrás de mim, o tempo esboroava-se em grãos de areia, que se dissolviam um após o outro. Fiquei ali sentado diante do buraco, ouvindo o som do tempo morrer.
A Morte do Comendador de Haruki Murakami (página 268, vol I)

em esposende

15 Nov
15.11.2014

Em Esposende. Um dia de vento.

a sereia de curitiba

29 Mar
29.03.2013

It was very pleasant reading Rhys Hughes in Portuguese. The three first stories that comprise the book can be read in the ebook “The Mermaid Variations”; the remaining stories were a world exclusive for the Portuguese edition of “A Sereia de Curitiba” by the publisher Livros de Areia.

a sereia de curitiba

a sereia de curitiba

The translation by Safaa Dib is tasteful. The games that Rhys Hughes do with the words are not lost in the translation. In addition to this we have the drawings of Paulo Barros.

“A Sereia de Curitiba” is an edition of immense quality and it does not disappoint those who already like the author, and certainly will create more followers for those wishing to venture diving in the seas of Rhys Hughes – mermaids not included!

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