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No meu reduto, no Pasteur, uma mosca dá-me cabo dos nervos. Não suporto moscas armadas em estúpidas. Abro a janela de par em par e ela, em vez de fugir para as árvores que ladeiam o pavilhão, volta a entrar aos ziguezagues em direção à parede do fundo. Há dois segundos andava aos encontrões ao vidro, esbarrava à direita, à esquerda, em todos os sentidos; agora que a janela está aberta, que o céu lhe estende os braços, erra absurdamente pela sombra.
Babilónia por Yasmina Reza (página 34/35)

Delirante.

embondeiro

Embondeiro cantado por Mariza [1] e escrito por José Eduardo Agualusa.


[1] É tão grande e resistente como embondeiro

na canção “Quem me Dera”

nas sombras

Mais uma foto na Quinta de Gatão.

dissertação escusada sobre a solidão das árvores

É com enorme satisfação que me encontro com um novo livro de José Ilídio Torres nas mãos. Já leio a sua poesia desde os 17, ainda aluno na Escola Secundária de Barcelos, mas é com 18 anos, em Coimbra, que mergulho de cabeça na sua escrita. Como pessoa pouco me surpreende, como poeta… ufa… as letras são outras. Ele escreve aquilo que eu adoro ler. Claro que não escreve para mim, não ouso pensar isso, um pouco talvez, mas sinto que ao ler as suas palavras ele pensou em mim porque fala do que eu sinto, do que me vai na alma, como um espelho que reflecte o meu real ou… o que imagino ser real, ou talvez nem isso.

José Ilídio Torres teve a ousadia de em 1987/1988(?) fazer uma fogueira com centenas de poemas. Foi um dia de alegria para Coimbra que viu a poesia livre, como deve ser toda a poesia, a esvoaçar em forma de cinza. Acho que esse dia, e nos seguintes, na Real República dos Pyn-Guyns só se falava da loucura do poeta de Barcelos. Insultei-o e principalmente à vizinha do lado. A culpa na vida de um poeta é sempre da vizinha que se esfrega a nós e se ela não existe inventa-se uma – haja poeta! Desse tempo, ainda tenho comigo, uma folha A4 com um poema escrito por um jovem de 20 anos.

Hoje temos um poeta, alguns anos mais velho, mas capaz de agrafar a qualquer folha A4 uma poesia jovem, fresca, cruel… sim, até visceral (mas sempre a pulsar, porque José Ilídio Torres manipula com mestria as letras de A a Z e desta forma a sua poesia celebra-se a si mesmo.)

Dissertação escusada sobre a solidão das árvores, o seu novo livro, vem embrulhado de “isto e aquilo“, de tudo e de nada. O poeta atreve-se a afirmar que trata o poema por tu. Não me importo que o poema seja um seu “velho amigo“, desde que eu seja um seu velho leitor. Ontem tinha apenas uma folha, hoje tenho imensas; ainda o posso insultar, mas apenas para que escreva mais e mais.

Respondo por ti se não te importas:” – obrigado José Ilídio Torres.

colours and green

Uma fotografia no parque da cidade de Barcelos.

colours

Uma fotografia no parque da cidade de Barcelos.

veias verdes

Uma árvore. Umas veias. Umas lianas.

vasos e vasos

São vasos e vasos numa árvore.

àrvores

Mais árvores porque sim!

folhas e gotas

Algumas folhas. Algumas gotas.