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Quanto a mim, adoro o avião, que aguarda o seu Marinetti ou o seu poeta futurista antifascista, pois o avião induz uma outra metafísica, contribui para uma nova perceção do tempo e do espaço. Antes dele, estas formas a priori da sensibilidade kantiana deduziam-se fisicamente, hoje constatam-se experimentalmente: o tempo é espaço, velocidade, deslocação, é a translação num espaço intermédio, bem como uma perceção corporal e subjetiva, uma sensação individual e pessoal. Não há tempo absoluto, nem uma ideia do tempo face à eternidade ou ao movimento, mas apenas a pura consciência de si apreendida em durações variáveis.
Teoria da Viagem. Uma Poética da Geografia de Michel Onfray (página 67)
Em vários livros, sempre que tem oportunidade, Paul Theroux diz mal das viagens de avião. Segundo a sua ideia, trata-se de uma forma artificial de viagem — um viajante a sério sente o chão, atravessa fronteiras terrestres e marítimas.
(…)
O tempo que passamos nos aviões não existe? Porquê? Objetiva, concreta e cientificamente existe — passa o relógio. O tempo apenas não existe quando o recusamos, quando não o sentimos, quando não fazemos nada com ele, quando não tentamos entendê-lo.
Viajar de avião é como chocar de encontro a uma parede — não é natural e não é para todos.
É preciso aprender a andar de avião.
O Caminho Imperfeito de José Luís Peixoto (páginas 121 e 122)
A mais reles carripana é melhor que um lugar de primeira classe num avião (…) Não há prólogo, apenas o júbilo dum arranque súbito.
Sul Profundo de Paul Theroux (página 33)
A impressão de concordar com essa intromissão, de que se está a colaborar («É para o meu bem»), é pior que humilhante; combina todas as desculpas e evasivas que contribuíram para criar as opressivas ditaduras e tiranias do passado. O desposar-se, em todos os aeroportos, da dignidade de viajante, forçando-o a sujeitar-se, é a antítese do que se procura viajando. Sim, vivemos tempos perigosos, mas isso significa ceder a todo o nosso direito à privacidade, então não compensa a trabalheira de sair de casa.
Sul Profundo de Paul Theroux (página 33)

cerveja artesanal do minho – sabores tradicionais

O objectivo único de ir a Vila Verde foi descobrir em primeira mão as cervejas produzidas pela Cerveja Artesanal do Minho que tem ao seu comando Filipe Macieira e Francisco Pereira. O restante programa oferecido pela Festas das Colheitas veio a reboque.

cervejas

as cervejas

O que dizer então das cervejas que partem desta ideia:

A “Cerveja Artesanal do Minho” é uma cerveja especial cujo método artesanal de fabrico e o uso de matéria-prima 100% natural dão origem a uma cerveja mais aromática, com um sabor mais intenso e uma ligeira turvação devido à filtração parcial da levedura. Pretende-se oferecer ao consumidor a possibilidade de poder apreciar novos sabores e texturas, diferenciando-se da cerveja actualmente produzida e consumida em Portugal.

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os arrebatamentos

Degustei em ambiente aprazível um tipo de cerveja – ou, para ser mais correcto, três sub-tipos dentro do mesmo estilo, ale. Sei que o ideal era não fazer misturas, mas que se lixe o ideal e que venha o êxtase de sabores.
Tenho de agradecer a Francisco Pereira a sua amabilidade e paciência, numa altura de grande confusão, em disponibilizar uns bons minutos de conversa para falar um pouco do projecto, das cervejas, dos planos futuros e do que se prevê ser um fantástico Oktoberfest a 20 de Outubro em Moinhos, Gême, Vila Verde.

  • red ale: sub-tipo da cerveja ale, é oferecida com boa cor, espuma cremosa, cheiro delicado e um sabor furtado harmonioso; é fácil ficar enamorado por ela. Gostei da aposta nesta cerveja ale. O que me faz ficar ansioso por provar a sua irmã mais clara, a india pale ale, que se encontra neste preciso momento a descansar no frigorífico.
  • weiss: outra boa surpresa, e que é mais uma vez uma ale, feita à base de trigo, em que se destaca uma adorável cor turva; o seu sabor é persistente e permanece ainda durante bastante tempo, por isso a cerveja deve ser bem distribuída na boca para que tenha um bom contacto com a língua; achei-a bem encorpada e bastante refrescante.
  • stout: é outra ale, mas de cor preta, com um forte sabor a chocolate, café e malte torrado. Fiquei, ainda, com a sensação de um ligeiro travo a caramelo, mas já não tenho certeza; amei o amargo deixado na boca. Nesta altura ataquei uma fatia de bolo de cerveja para tentar limpar o paladar (hehehe, impossível limpar o paladar com um bolo à base de cerveja – é o momento de humor deste meu registo) e dei duas, ou três amostras do bolo ao meu amigo Rui ao melhor estilo “olha o avião“, não confundir com a estupidez musical “Anda Comigo Ver os Aviões“, okay!

Tenho para provar a pilsener, a única lager, que deve ter o característico sabor suave (e amarga) e a belgian ale que será maravilhosa pelo seu sabor intenso (mas pouco amarga) – que espectacular dualidade.

paulo, cervejas

eu e as cervejas

Os dois mestres-cervejeiros estão de parabéns e têm aqui, neste sujeito que está a terminar este sequioso texto, um admirador. Espero que a minha positiva experiência seja multiplicada exponencialmente por muitas mais pessoas.

a_minha_compra

a minha compra

harrison jones

Harrison Jones tem desta vez um papel importante na expansão Cataclysm e com ele temos uma das três principais quest lines de Uldum.

Há referências a vários episódios passados nos filmes de Indiana Jones – tudo do meu ponto de vista.

Estas três primeira imagens têm algumas semelhanças com a parte do filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” quando Indiana se enfia dentro de um frigorífico para se proteger de uma explosão nuclear.

harrison jones

harrison jones, a explosão

harrison jones, a explosão

harrison jones, a explosão

[Upon opening the Well of the Souls and peering down]
Sallah: Indy, why does the floor move?
Indiana: Give me your torch.
[Indy takes the torch and drops it in]
Indiana: Snakes. Why’d it have to be snakes?
Sallah: Asps… very dangerous. You go first.

from imdb

harrison jones

harrison jones, os salteadores da arca perdida

Luta de Indiana Jones com um soldado alemão que acaba, como aqui, por ser triturado pela hélice do avião.

harrison jones

harrison jones, os salteadores da arca perdida

A versão humana dos Alarm-O-Bot de Gnomeregan.

harrison jones

gnomeregan na sua versão uldum

harrison jones

a preparar a destruição do campo

harrison jones

harrison jones, antes do aparecimento da arca

Belloq: So once again, Jones, what was briefly yours is now mine.

from imdb

harrison jones

harrison jones, os salteadores da arca perdida

[as the Nazis are opening the Ark]
Indiana: Marion, don’t look at it. Shut your eyes, Marion. Don’t look at it, no matter what happens!

from imdb

harrison jones

harrison jones, os salteadores da arca perdida

harrison jones

harrison jones, indiana jones e a grande cruzada

chuva

Odeio a chuva. Não é um ódio motivado por rancor. É um ódio sem duplos sentidos. É um ódio constante. É ódio. Ponto final.

Podem-me dizer que é bem-vinda. Electricidade. Colheitas. Humidade. Mas não me persuadem. E apesar de conseguir limpar, algumas vezes, as ruas daquele acumulado cheiro noctívago que teima, naturalmente, em persistir em algumas esquinas, cantos, ruelas, provocado pelo esvaziamento das bexigas ou até consegue, essa chuva, desfazer a matéria fecal distribuída pelos cães, cadelas, nos relvados, sempre do outro vizinho. Não me convencem.

O facto de me obrigar a adoptar um apêndice, sim esse guarda-chuva, é motivo suficiente para ter 50% de ódio. O uso do guarda-chuva é castrador. Não literalmente, claro. Utilizar uma mão para atender o telemóvel, para procurar as chaves, para pegar na pasta, para abrir a porta do carro, para colocar/retirar a filha do carro, para fechar a porta do carro com o guarda-chuva, e não se esqueçam que continua a chover, é torturante. E chegado aqui tenho os meus outros 50% de ódio. Entrar num carro, um qualquer, a chover e com um guarda-chuva é kafkiano.

Irão dizer os mais atentos que deveria odiar o guarda-chuva. Que se deixar de o usar na chuva deixo de ter motivos para odiar a chuva. Não posso deixar de arrotar uma sonora gargalhada.

chove -> há guarda-chuva
não chove -> não há guarda-chuva

Ou em silogismo primário
Se chove
Uso guarda-chuva
Logo tenho ódio pela chuva.

Sei que é um silogismo de alcova. Mas fica ao mesmo nível de outros que li por aí para provar a existência de Deus:
A ciência não explica tudo
Deus explica tudo
Logo Deus existe.

Mas voltando à chuva os nossos problemas seriam facilmente resolvidos se os carros tivessem um hall de entrada, algo como, sei lá…. a manga de um avião.
Entrar no hall do carro. Pousar a pasta, os filhos, fechar pausadamente, sim pausadamente, o guarda-chuva, tirar o casaco, assentar as nádegas, fechar a porta do carro, extrair o hall do carro, e arrancar para um chuvoso dia. Isto sim, seria delicioso.