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de lado – 0126

Ele deixou o sol bronzear a sua barriga tão bem depilada. Acabou por sucumbir ao cansaço de uma noite mal dormida e adormeceu no jardim ao bzzz monótono das abelhas. Acordou mais tarde e descobriu que alguns caracóis confundiram o monte branco da sua barriga com uma pista de esqui.

leituras em 2020

Para me manter na crista da onda vou tentar listar, por que a vida também se faz de listas, alguns dos livros que me satisfizeram ACIMA da MÉDIA em 2020.

  1. Canto Nómada de Bruce Chatwin ⭐
  2. Tony Chu: Galo de Cabidela #10 de John Layman e Rob Guillory
  3. Coração Negro de Naomi Novik (pensei duas vezes em colocar este livro na lista, mas como a fantasia com raras excepções não me enche a barriga destaco este livro por ter-me satisfeito a gulosice)
  4. A Sociedade dos Sonhadores Involuntários de José Eduardo Agualusa
  5. Os Despojados de Ursula K. Le Guin (releitura) ⭐
  6. Viajem a Itália de Johann Wolfgang von Goethe
  7. O Amigo do Deserto de Pablo d’Ors
  8. A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa
  9. Sr. Mercedes de Stephen King
  10. Errata de Nuno Moreira (fotografias) e David Soares (textos) ⭐
  11. 1Q84 (vol 2) de Haruki Murakami ⭐
  12. A Especulação Imobiliária de Italo Calvino
  13. O Homem que Matou Lucky Luke de Matthieu Bonhomme
  14. 1Q84 (vol. 3) de Haruki Murakami ⭐
  15. O Fim da Solidão de Benedict Wells ⭐
  16. A Praia de Manhattan de Jennifer Egan
  17. Filho de Deus de Cormac McCarthy
  18. Longe de Manaus de Francisco José Viegas
  19. O Expresso Amanhã – Os Sobreviventes de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette
  20. Príncipe dos Espinhos de Mark Lawrence
  21. Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites de Salman Rushdie ⭐
  22. O Papagaio de Faulbert de Julian Barnes
  23. O Homem Corvo de David Soares
  24. Gelo de Anna Kavan ⭐
  25. Histórias de Loucura Normal de Charles Bukowski
  26. Zero K de Don DeLillo ⭐
  27. A Companhia Negra de Glen Cook
  28. O Expresso do Amanhã – O Explorador de Benjamin Legrand e Jean-Marc Rochette
  29. O Expresso do Amanhã – A Travessia de Benjamin Legrand e Jean-Marc Rochette
  30. Rever Paris de François Schuiten e Benoît Peeters
  31. Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (releitura) ⭐
  32. Ficções de Jorge Luis Borges (releitura) ⭐
  33. Uma Casa para Mr. Biswas de V. S. Naipaul ⭐
  34. O Defunto Logan #2
  35. Outras Inquirições de Jorge Luis Borges ⭐
  36. Rugas de Paco Roca ⭐

reflexões redondas!

Uma pança redonda e firme é algo espectacular; uma obra de engenharia. Digna de ser pintada por um Rubens.
Uma pança em socalcos, caída é uma coisa disforme. Olhas para ela com desgosto e recordas com saudade quando o teu umbigo sorria no topo de uma montanha.

Uma reflexão directamente da sanita.

a festa das colheitas 2012

No post 30ª Feira de Artesanato de Barcelos 2012 referi:

exceptuando um stand do qual não registei o nome – culpa minha.

ora bem descobri o stand na Festa das Colheitas 2012 de Vila Verde e desta vez tirei fotografias. O stand em questão é pois da jovem artesã Joana Fernandes, natural de Cabanelas, que revela os seus trabalhos de artesanato feitos em cortiça.

joanafernandes01

joana fernandes

joana_fernandes00

Tive oportunidade de ver algumas peças criadas no 2º Encontro Inter-Regional de Cortes em Madeira com Motosserra.

trabalhos_de_madeira

trabalhos em madeira

Em excelente companhia beneficiamos de um excelente jantar na tasca da Igreja de Esqueiros (sim ajudei uma igreja, tal e qual, a comida foi boa…) e servido por imensos São Pedros.

esqueiros

ementa esqueiros

Ataquei delicadamente umas papas de sarrabulho e optei pela alheira com grelos, regada com um decente Alvarinho, para completar o menu. A companhia foi agradável e a discussão sobre o tamanho da alheira foi muito teológica.

A primeira verdadeira surpresa da noite ocorreu depois de tomar um café quando actuou o artista da noite, desconhecido para mim e para os meus amigos. Acho que a C.J. ainda está em choque pela musicalidade do artista e pela performance em palco da Sofia 1 e Sofia 2. Nenhum de nós se recorda de ter ouvido algo semelhante para bem ou para o mal. Consegui filmar alguns segundos. A emoção, a dor de barriga, o inexplicável sangramento auditivo obrigou-me a abandonar o recinto da feira e trazer a reboque os meus sofridos amigos.

No geral foi uma noite muito positiva. A repetir certamente.

corpo aberto

Nos tempos em que acompanhava agrilhoado a minha mãe às bruxas, porque sofria do mal de inveja, ia de tal forma agoniado que as minhas tripas sofriam uma constante convulsão vulcânica; “Este rapaz tem o corpo aberto!” era sempre a resposta das mulheres seláquias quando o wc se transformava no meu natural refúgio. E o facto de estar agarrado dolorosamente à minha barriga enquanto as tripas lançavam jactos de fezes derretidas numa sanita desgastada não pelo uso, mas pela falta de limpeza, era a cereja no topo das vidências; os santos demónios que coabitavam com as profetas da pureza espiritual tinham conseguido uma vez mais concretizar um bom trabalho: fazerem-me evacuar.

Nunca pensei que esse acto biológico da mais perfeita normalidade se transfigurasse numa troca comercial; eu defecava e a minha mãe pagava.

Eram outros tempos; tempos de merda.

last week results

Não deixa de ser gratificante que no tema “Earth“, e entendido por mim num sentido mais lato, tenha submetido uma fotografia de 2006 que acabou nessa semana por ficar entre as mais vistas.

A fotografia é de uma “barriguda” que estava quase a ser mãe pela segunda vez.

ameixas

ameixas

“Não gosto de ameixas.” era um frase dita com regularidade sempre que alguém me tentava oferecer umas para trincar.

Um deste dias, pelas 02.?? da manhã, quando comecei a sentir um “buraquinho” no lugar onde reside celestialmente a minha barriga desloquei-me pesaroso para a cozinha; ia desgostoso porque estava a fazer uma coisa bué de importante, tipo ler um livro, e ser perturbado por estas sensações é cansativo. Lá cheguei ao meu Olimpo gastronómico, vulgo cozinha, apesar de os últimos 15 centímetros, terem aumentado em proporção matemática a sensação de vazio estomacal; o pensamento da tigela de leite e cevada imbuída com dois pacotes de bolacha Maria foi o culpado. Desta vez não foi necessária a presença de alimento na boca, o simples pensamento de comer bastou para o início do processo de produção de suco gástrico.

O tabuleiro tinha mais de 50 ameixas amarelas; era um lindo amarelo. E como Stell [1] arrisquei uma trincadela.

stell

Reparei pelo canto do olho – tenho uma boa visão periférica – num tabuleiro cheio de ameixas.
[as ameixas fazem parte do género Prunus. “Prunus L. é um género botânico, geralmente arbóreo, mas que também pode ser arbustivo. Inclui as ameixeiras, cerejeiras, pessegueiros, damascos e amendoeiras.” (via wikipedia) E aqui temos mais um momento Discovery.]

Foi uma experiência tântrica. Foi uma epifania de sabores. Nessa trincadela encontrei um elo perdido da minha cadeia alimentar. Aquele instante foi de tal forma único e sobrenatural que o resultado foi o que se viu; um desbaste de ameixas.


[1] Stell, juntamente com Atan, é uma personagem do álbum Os Jardins de Edena (Les Jardins d’Edena) de Moebius publicado em 1988.

1:08

1º bitoque
Ontem à noite abri a porta do armário para me refastelar com uma taça de Kellogg’s All-Bran quando vi uma bolacha fora da embalagem. Órfã. Desaconchegada. Despida. Tive um momento de rara fraqueza e absorvi-a pondo fim à sua solidão. Reconheço que fui um fraco. Como o são aqueles fumadores que levam o cigarro até às suas últimas consequências. Mas em oito miseráveis lindos dias foi o único deslize. Perdoei-me logo ali e penitencio-me ainda agora disso.

2º bitoque
Acordei com sono e cansado. Deve ter sido do sonho. Sonhei que estava escondido num esconderijo subterrâneo, alvo de ataque por sei lá o quê ou quem. Senti a ameaça, mas nunca a vi. A merda do esconderijo não era nada bom, porque fui descoberto. E tive de fugir, juntamente com duas coisas boas, acho que eram boas, porque se não o fossem eu não fugia e lutava logo ali. Fugi para evitar danos colaterais, acho eu. E tive de fugir por um túnel escuro e apertado. E isso incomodou-me, porque fiquei em estado quase de acordado? e recriei o túnel colocando uma janela para o iluminar disfarçada com almofadas para a luz não me acordar. Nunca cheguei a entrar no túnel. Quando dou por mim estou a navegar num rio à procura das coisas boas e acordo com sono e nervoso. Com uma ligeiro incómodo na barriga característica única de nervosidade ou…

3º bitoque
Releio sempre um Zits na cama para relaxar.
Ontem a escolha, sempre, aleatória foi “Amuado, Aluado, Tatuado”. E enquanto lia as tiras das aventuras de Jeremy Duncan vinha-me ao pensamento os comportamentos do meu filho pré-adolescente. Que me fode a cabeça dia-sim-dia-sim. É um senhor. Um mestre na arte de me irritar. E ainda está na pré. quando estiver na adolescência como será? Terei em casa um “Zitsiano” ou algo pior. E azar dos azares não sei onde meti o livro de instruções do meu filho.

4º bitoque
Ontem, apesar de tudo, a minha casa esteve mais calma do que o habitual. Pude jogar um bocadinho de wow. Fiz umas quests em Icecrow. Outras em Scholar Basin. E como obtive um, aparentemente, melhor por staff causa do hit, quis melhorar a skill e fui deixar o hunter a bater no primeiro boss de Shadow Lab. Mas sem chave para entrar dei um salto a Sethekk Halls, matei o Talon King Ikiss. Fiquei, assim, com esse achivement e com o The Keymaster.

Eram para ser 8 bitoques. Fico-me pelos quatro.

barrigas

Ainda não está provado cientificamente.
Mas, socialmente, para as grávidas e ex-grávidas uma mulher prenhe com barriga redonda indicia que vai parir uma rapariga enquanto uma barriga bicuda é sinal manifesto de futuro macho.

lucas 1:35

And the angel answered and said unto Mary, The Holy Ghost shall come upon thee, and the power of the Highest shall overshadow thee: therefore also that holy thing which shall be born of thee shall be called the Son of God.

– Luke 1:35

Nunca absorvi a ideia de Maria poder engravidar sem sexo e como diz Zits “Os adultos são mesmo esquisitos. Gostam de acabar com o que dá gozo.” E o sexo é um gozo. Gozo pelo sexo e o gozo do sexo.
Compreendi, mais tarde, que Deus fez a primeira inseminação artificial.

A história não seria mais graciosa ter sido José o portador da semente e que num momento de suada explosão divina engravidasse Maria?